Um dos destaques da mostra internacional do Festival do Rio, Morra, Amor chegou com um hype absurdo após passagem no Festival de Cannes e estreou com todas as sessões esgotadas.
O novo longa da diretora Lynne Ramsay (Precisamos Falar Sobre o Kevin, Você Nunca Esteve Realmente Aqui) se beneficia de ter como protagonistas dois dos mais interessantes artistas de Hollywood atualmente: a vencedora do Oscar Jennifer Lawrence e Robert Pattinson (em hiatus de interpretar o Batman). Mas seria isso o bastante para fazer Morra, Amor acontecer? Eu, particularmente, não cai de amores pelo filme. Acho o projeto muito bom e que entrega bons momentos.
Ramsay acerta ao colocar os dois como esse casal que mora no interior dos EUA, mas que veem seu relacionamento ruir com a chegada de um bebê que abala a rotina dos dois. O papel dessa escritora, que deixa a cidade grande para ir morar numa casinha isolada, e se vê presa com um bebê no meio do nada, é um papel para poucas e que Lawrence acerta demais no tom e na sutileza que demostrar as variações de sentimentos que são necessários aqui para transmitir isso em tela.
E claro, a atriz arrebenta como Grace uma mãe que sofre com o pós-parto numa atuação extremamente primorosa de se assistir na medida que a personagem lida com o isolamento, a chegada do bebê e diversos outros assuntos que envolvem maternidade, o corpo feminino, e a mudança drástica que isso trás.
Numa atuação feroz, transtornada e visceral, dá para dizer que a talentosa Lawrence está de volta, onde Ramsay usa Lawrence da melhor maneira possível e faz Morra, Amor ser um catalizador do talento da atriz. E Pattinson acompanha a colega e, sem dúvidas, também está bem. Claro, nada como a atriz, mas nas cenas dos dois juntos, seja nos momentos de alegria, ou de tristeza, é um prazer ver a dupla em tela juntos. Pattinson entrega uma atuação que se beneficia do tempo de tela que seu personagem tem, então ele aparece quando precisa estar e ser foco da cena naquele momento. Mas o filme é sobre Grace.
E por mais que Ramsay sabe filmar bem e isso transborda em Morra, Amor, o filme também, em si, acaba por ser mais um filme sobre personagens e atuações do que um que a narrativa se destaque. Principalmente nas cenas de devaneio e onde a piração toma conta de diversos momentos.
Em resumo: Ramsay extrai o melhor de Lawrence e Pattinson numa história complexa, oras confusa, sobre relacionamentos, sentimentos não ditos, e o que se passa com esse protagonista enquanto ela é bombardeada de hormônios, novas situações e novos conflitos. É uma jornada que você precisa embarcar para curtir e apreciar.
Filme visto no Festival do Rio em Outubro de 2025.
Confira o trailer:
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