Festival do Rio | A Meia Irmã-Feia | Crítica: Querer ir ao baile nunca foi tão grotesco

Talvez A Meia Irmã-Feia seja uma das grandes surpresas do Festival do Rio!

Já que a onda de filmes de terror, com personagens clássicos das histórias de contos de fada, segue a todo vapor. Nos últimos anos tivemos produções bastante questionáveis: É terror com o Ursinho Pooh, é terror com Bambi, é Peter Pan, e até mesmo Mickey versão em domínio público. Mas A Meia-Irmã Feia consegue se sobrepôr a todos os outros, acabar com a maldição de adaptações questionáveis e acaba por dar um grande, e grotesco, baile. Assim, por dizer.

Ao soar da 00h, a sessão de sábado, na mostra Midnight Movies do Festival do Rio que eu estava, vibrava com toda a jornada que a jovem Elvira (Lea Myren) passava para se transformar da desengonçada e apática meia-irmã da belíssima Cinderela, aqui Agnes (Thea Sofie Loch Næss), para a pretendente ideal, cheia de graça, e deslumbrante que o Príncipe Julian (Isac Calmroth) escolheria daqui 5 dias no baile real promovido por ele para todas as jovens do reino.

Cortesia do Festival do Rio.
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A norueguesa Emilie Blichfeldt então reconta a história do conto clássico, com um pitada de terror e no sub-gênero super em alta, o body-horror, e agora foca na meia-irmã da adorável e injustiçada Cinderela que conhecemos e entrega uma nova história em um longa impressiona. A Meia-Irmã Feia coloca Cinderela de escanteio, a transforma numa garota mimada, apaixonada pelo cara do estábulo, e trás a meia-irmã para o centro da narrativa e faz uma das melhores adaptações do conto em anos. Blichfeldt não só subverte a narrativa, como também entrega uma crítica social sobre os padrões de beleza, a relação da mulher com o corpo feminino, e ainda o foco exagerado nas aparências e na disformia corporal de comparações.

A Meia-Irmã Feia bebe da fonte de Bridgerton, mas Blichfeldt opta por um tratamento mais real, cru, e sujo para essa história. E ao abraçar o body-horror entrega momentos viscerais, impactantes, que não só ditam o tom do filme, mas trazem também um sentimento de frescor para essa história já contada milhares de vezes. O longa só escalona na narrativa na medida que a Madrasta (Ane Dahl Torp) aposta tudo, o pouco que tem, e que sobra depois que o novo marido morre, na repaginação da filha, enquanto elas bolam um plano para fazer Elvira ficar com o Príncipe que ela tem um crush por conta dos livros que ele lança.

Elvira, sim, vai para o baile, mas será que todo o esforço que ela se submete o faz ficar com o Príncipe? E ela ter seu final feliz em vez da irmã? É o que espectador fica na expectativa,

No meio de cirurgias no nariz, tênias engolidas para emagrecer, e até mesmo partes decepadas para caberem em objetos importantes para a narrativa, A Meia Irmã-Feia é um surto visual divertido, doido, e bastante inspirado. O convite para esse baile vem com cenas bastante gráficas e uma Cinderela bem diferente da que conhecemos. Se você é fã do cinema de gênero, fica claro, que não é preciso a ajuda de Fada Madrinha para embarcar nessa carruagem e partir para esse baile….de horrores.

Filme visto no Festival do Rio em Outubro de 2025.

A Meia-Irmã Feia chega nos cinemas nacionais em 23 de outubro.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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