Logo de começo, quando começaram a sair notícias, achei o título bem estranho, aí a veio a sinopse que me deixou com mais um pé atrás, mas depois de maratonar Warrior Nun (2020), posso dizer que foi um acerto divino da Netflix. A série é divertida, traz uma mistura interessante de fé e ciência, e mostra como as coisas estão conectadas entre o desejo e o que fazer.
Warrior Nun é adaptação da HQ de Ben Dunn, que é conhecido como ação cristã, chamada Warrior Nun Areala, e conta o drama de uma jovem garota que tem a aréola de um anjo cravada em suas costas, e isso lhe dá poderes, mas também responsabilidades que ela não pediu, se vendo no meio de uma batalha entre freiras, padres, anjos e demônios.
Ana Silva (Alba Baptista) vem de um orfanato, só que ela teve uma vida sofrida, onde após o acidente que matou sua mãe também ter lhe deixado tetraplégica. O problema é que quando ela morre, ela é exumada em uma igreja que acaba por ser invadida por freiras lutadoras, que tentam evitar que espectros e demônios dominem a terra, mas nisso a Irmã Shannon acaba sendo morta, o que obriga outra irmã tirar de seu corpo a aréola de um anjo e colocá-la no corpo morto de Ana. O problema é que isso a traz de volta a vida.
Os episódios acabam seguindo essa trama, de Ana tentando se conhecer melhor e aprender o que a aréola de um anjo lhe deu de sopro de vida, já que agora pode andar, mas não só isso, também pode atravessar coisas, flutuar e emanar rajadas de luz. Se temos uma menina que não segue as regras da igreja, temos do outro lado Lilith (Lorena Andrea), de uma linhagem que deveria ser a próxima portadora da aréola, que eles ficam chamando de Halo, mesmo na legenda…
Com algumas tramas sendo seguidas, como Lilith e Mary (Toya Turner) tentando chegar a Ana e convencê-la de que ela precisa se juntar a Ordem da Espada Cruciforme, sendo que cada um tem seus motivos. Seja Lilith que quer ser a nova portadora da arma divina, ou Mary que quer entender o motivo de sua amada Shannon ter sido assassinada.
Mas a metade da temporada acaba sendo Ana tentando entender o que os poderes lhe causam, como atravessar tudo e ainda mais, como entender isso cientificamente, com Jillian (Thekla Reuten) tentando entender o que tudo aquilo tem a ver com seus experimentos, e como a aréola nas costas de Ana reage ao divinium.
Logo no começo descobrimos a história de Areala, a primeira Irmã Guerreira que foi salva em combate pelo Anjo Adriel, e este a salvou da morte sacrificando sua divindade ao lhe colocar a aréola dentro de seu corpo. A partir daí descobrimos que essa aréola vai se passando de Irmã a Irmã, desde que seja merecedora de portar tal poder.
Tarasca é um demônio que persegue a aréola e caba levando Lilith com ele para o inferno, o que depois muda sua essência, transformando em uma guerreira-demônio muito interessante para ser trabalhada em uma segunda temporada.
As reviravoltas finais são incríveis, pois nada acaba sendo o que parece, principalmente quanto as intenções de Adriel, e até mesmo Vincent (Tristan Ulloa) e Duretti (Joaquim de Almeida). A Madre Superiora (Sylvia De Fanti) também esconde um segredo ótimo, que Ana descobre quase no final.
As outras freiras que se conectam com Ana são ótimas. Irmã Beatrice (Kristina Tonteri-Young) é empenhada nas lutas marciais e é importante no desenrolar de proteção, enquanto Irmã Camila (Olivia Delcán) fica com a parte mais cabeça das coisas, analisando, planejando e tudo mais. Todas tem sua história, e todas tem sua importância na trama de forma a convencer Ana a se unir a elas e lutar contra os demônios.
Gosto do final, quando Adriel não é quem diz ser e cabe a Ana a resolver a situação, mas não sozinha, com suas Irmãs juntas, mesmo que tenha um padre ao lado do anjo? Ou seria demônio?
E tem muito mais, já que o pequeno Mike, filho de Jillian, estava em contato com o anjo e o mesmo o fez desenhar a máquina que abriria um portal. A questão que fica é, para onde o garoto foi? Quem ele pode liderar, já que esteve em contato com o anjo?
Warrior Nun é muito gostosa de assistir, sua trama vai evoluindo muito bem, e consegue nos entreter, e muito vale pelo roteiro ágil da série, e também do elenco, onde Baptista lidera muito bem, mas Turner e Andrea dão o suporte necessário para ela.
Antes de terminar, vale lembrar que cada título dos episódios de Warrior Nun é uma passagem bíblica, o que desenha ainda mais a delícia que foi essa primeira temporada, e nos deixa mais ansioso por uma nova leva de episódios.
Warrior Nun tem todos os seus episódios da 1ª temporada na Netflix.
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