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Paixão de Escritório | Crítica: Jennifer Lopez e Brett Goldstein em divertida rom-com

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Parte da campanha de divulgação de Paixão de Escritório (Office Romance, 2026) ficou com a narrativa que foi disseminada por aí de que o ator e roteirista vencedor do Emmy, Brett Goldstein, queria fazer, e escrever, uma comédia romântica dessas tradicionais. Mas não só isso: uma comédia romântica que tinha que ser estrelada apenas pela Rainha das comédias românticas: Jennifer Lopez.

E aqui, Goldstein usou todo o capital pós Ted Lasso, pós Falando a Real e conseguiu o que queria. Good for him. Nada como ser um homem branco em Hollywood, né? Mas, surpreendentemente, Paixão de Escritório entrega sim um bom filme, uma boa rom-com, e isso se dá pela química absurda que Goldstein e Lopez têm juntos.

Office Romance. (L-R) Brett Goldstein as Daniel Blanchflower and Jennifer Lopez as Jackie Cruz in Office Romance. Cr. Ana Carballosa/Netflix © 2026.
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Claro, Lopez tem trabalhado no gênero ao longo dos anos, fez diversos outros bons filmes com a temática, e que foi pareada com diversos outros colegas brancos. Mas toda vez que a cantora/atriz se arrisca com um projeto mais diferente (o da vez foi O Beijo da Mulher Aranha) e que não dá muito certo, ela volta com uma rom-com para dar para o público o que as pessoas querem ver ela fazendo. E que vão assistir. Risos (Infelizmente).

Mas aqui, com Paixão de Escritório, fica claro que esse papel foi moldado e criado mesmo para ela. Na tentativa de criar uma versão mais light de uma Miranda Priestly que trabalha no setor de aviação, Goldstein e Joe Kelly (que trabalhou com o colega em Ted Lasso) escrevem para J.Lo um papel um pouco diferente do habitual. Aqui a personagem é sim uma latina, mas uma que já está no topo. Uma latina napobaby, sim, mas uma que trabalhou até chegar lá que dá para a atriz até um pouco de desenvolvimento de personagem enquanto vemos Jackie lidar com as questões com seu pai interpretado por Edward James Olmo.

Jackie é a CEO de uma empresa de aviação de Nova Jersey que quer expandir sua operação para um novo Estado. Já Goldstein é Daniel, o novo advogado da Cruz Airlines e que acaba caindo de paraquedas no meio de um processo que a empresa toma de uma concorrente. Mas Daniel é duro na queda, como bem vemos quando ele conhece Jackie pela primeira vez e os dois se cumprimentam logo no começo do filme e entregar, logo de cara, uma das cenas mais engraçadas, inesperadas, surtadas, constrangedora e de vergonha alheia dos últimos tempos e que meio que dita o tom de que essa não é uma rom-com tradicional, idílica cujos personagens são versões com classificação livre como as que inundaram a Sessão da Tarde nos anos 90 e 2000.

Paixão de Escritório não tem medo de mais ousada e engraçada quando precisa ser, seja no texto (“É como se Helena de Troia tivesse um caso com o Mr. Bean! diz um dos personagens), nos diálogos cheios de segundas intenções e no quão surtada a trama pode ir (por exemplo, temos um bebê nascendo numa cena bem gráfica). E também no relacionamento entre esses dois funcionários, nas piadas que surgem, ou até mesmo na vasta lista de personagens coadjuvantes que ajudam o filme a ter um gostinho de ser mais comédia do que romance.

De Betty Gilpin, que interpreta uma executiva linha dura, também workaholic e que passa boa parte do filme passando a mão na barriga com um olhar assustador e é chamada de vilão de Bond com um gato pelos funcionários; para o sempre Tony Hale como o chefe de RH que surta toda vez que Daniel, que é britânico, usa um palavrão como expressão qualquer, tipo quando o carioca usa “Porra, viado tá tirando?” e diz na melhor da intenção, e não de uma forma ofensiva; para Bradley Whitford como o surtado advogado-chefe da companhia que quase morre por conta de um café da manhã que desceu errado (Eu sei… cafona!); Roger Bart como um CEO de uma empresa rival e que faz tudo para derrubar a concorrência; e Jodie Whittaker como Lizzy, a irmã de Daniel, que está presa e que realmente rouba todas as cenas quando aparece (principalmente uma que divide tela com J.Lo, que é hilária) por ser completamente maluca das ideias.

Office Romance. Betty Gilpin as Sydney Bloom in Office Romance. Cr. Ana Carballosa/Netflix © 2026.

A direção de Ol Parker também segue o barco, ou diríamos rota já que é um filme sobre aviões, para o que é esperado e não é nada de outro mundo. Afinal, Paixão de Escritório, claro, segue a fórmula de sempre, a narrativa clássica de uma rom-com tradicional, e não nega isso. Do relacionamento que começa, tem um obstaculo no meio do caminho e termina com uma grande cena final. Aqui, o longa faz todos os arcos e o que é esperado para um filme do gênero, mas, como falei, o trabalho de Lopez e Goldstein é tão bom, eles estão tão bem, e seguem à risca também a cartilha Netflix para 2026 de parear dois grandes nomes em um filme com uma temática feita para fazer os números de visualizações na plataforma decolarem.

A mensagem que fica e o que dá para tirar com Paixão de Escritório é que se fazer conteúdo baseado em algoritmo é nos entregar um Paixão de Escritório por semestre, por favor, conte comigo para continuar a alimentar esse monstro. Afinal, se for para contar histórias desse tipo, com esse elenco e com essa sensação de conforto e de entretenimento, é para isso que temos o streaming e produções para serem vistas na plataforma.

Nota:

Paixão de Escritório disponível na Netflix.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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