Todo Mundo Em Pânico | Crítica: Metralhadora de referências!

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É muito estranho analisar um filme como Todo Mundo Em Pânico (Scary Movie 6, 2026) por um olhar crítico, porque, afinal, é um besteirol feito para arrancar risadas. Sempre foi e, pelo visto, sempre será. Vide a Brenda de Regina Hall, que já foi morta diversas vezes em diversos outros filmes anteriores e segue viva no sexto filme da franquia.

O que tem de especial nesse novo filme da franquia é o retorno dos irmãos Wayans para um novo filme, após passarem os dois últimos filmes longe por brigas de bastidores com a antiga produtora. E, claro, o retorno de Hall (que ao longo dos anos tentou cravar papéis mais sérios) e de Anna Faris (depois de anos longe dos holofotes) nesses papéis tão nostálgicos.

E aqui, Todo Mundo Em Pânico se apoia não só em fazer com que o foco do novo filme seja o retorno desse quarteto original, mas também em fazer um grande compiladão de referências para os filmes de terror que passaram nos cinemas e pela cultura pop nesse período em que os atores e seus personagens ficaram fora da telona.

Esse novo capítulo de Todo Mundo Em Pânico realmente atira para todos os lados e não poupa nada e ninguém: tem referências para diversos filmes de terror (desde de Ma para A Substância, Pecadores, A Hora do Mal e diversos outros), acontecimentos na cultura pop (filmes de terror esnobados no Oscar, o fenômeno das Guerreiras do K-Pop e até do meme online Six seven) e atualidades (de COVID a os Arquivos Epstein).

É tipo uma metralhadora de cenas de outros filmes que se costuram na narrativa enquanto o Ghostface ataca novamente. Algumas funcionam, outras não, outras são muito boas (como todo o número de abertura e a participação especial dele), outras realmente você fica: eles não falaram isso né?, e outras são bem vergonha alheia. Mas acho que tudo faz o que Todo Mundo Em Pânico já fez. Não é nada de novo.

Meio que a narrativa desse novo filme é se apoiar nessas referências para trazer os personagens de volta, já que Cindy (Faris) agora é uma mulher (branca e republicana) reclusa (e que mira Laurie Strode de Halloween) e Brenda é uma mãe coruja que vive na cola dos filhos, o que lembra a personagem de Octavia Spencer em Ma.

Anos se passaram e elas têm filhos que guiam a narrativa quando a filha de Cindy, Waldinha (em referência a Wandinha, risos), é atacada pelo Ghostface e a irmã Sarah (Olivia Rose Keegan) retorna depois de anos afastada. É a trama reciclada de Pânico 6. E não, Melissa Barrera não participa do longa.

Claro, Todo Mundo em Pânico recria um novo grupo de estudantes: como a militante Dei (Sydney Park), Jack (Cameron Scott Roberts), o namorado suspeito de Sarah, e diversos outros personagens que replicam os mesmos jovens de Pânico 6e que servem para povoar a lista de suspeitos e de vítimas.

Mas a graça fica realmente quando temos Cindy, Brenda, o chapadão Shorty (Marlon Wayans) e Ray (Shawn Wayans) que ainda não se aceitou como um homem gay 100%. Até mesmo quando o temos o retorno da jornalista Gail (Cheri Oteri), do detetive Doofy (Dave Sheridan) e do policial Greg (Lochlyn Munro), onde longa precisa gastar um tempo para relembrar o público quem são eles.

Fica claro ao longo do filme que o novo elenco jamais sustentaria essa franquia para o futuro, e Todo Mundo em Pânico sabe disso. Claro, algumas piadas soam repetidas com Shorty falando: “Aí sim, irmão” a cada 5 minutos, mas, no final, a revelação final do Ghostface foi uma coisa bem planejada e divertida de acompanhar. 

“Bem-vindos ao Ato 3”. Assim, o longa termina na melhor tradição de Todo Mundo Em Pânico em ser uma grande sátira, homenagem, e em que as coisas se misturam entre a ficção e a realidade, e mostra que, às vezes, rir de si mesmo é a melhor piada.

Não exijam muito de Todo Mundo Em Pânico, porque o filme sabe e brinca com seus defeitos e falhas. Tanto que algumas cenas, que são até boas e que referenciam longas como Nosferatu e Longlegs, ficam para os pós-créditos para não prejudicarem o andamento do filme que por mais que tenha apenas 1h35min parece muito mais por conta da velocidade frenética que as coisas acontecem.

Nota:
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Todo Mundo Em Pânico chega nos cinemas em 4 de junho.

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Miguel Morales

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