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Tudo Bem no Natal que Vem | Crítica: A uva passa no arroz dos filmes de Natal

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Com Tudo Bem no Natal que Vem (2020), o ator Leandro Hassum teve a grande missão de fazer o primeiro longa nacional da Netflix com a temática natalina.

E é inegável que Hassum tenha um bom timing cômico e um talento pra comédia bem afiado, mas o longa peca por entregar situações tão forçadas, momentos tão ruins, aliados com uma trama que já vimos várias vezes por aí e que não é nova, que nos passa a sensação que o longa é a própria uva passa no arroz dos filmes de Natal.

Tudo Bem no Natal Que Vem | Crítica
Foto: Netflix
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E como tudo, tem gente que gosta, tem gente que não.

Paulo Cursino, que trabalhou com Hassum nos dois filmes da franquia O Candidato Honesto (2014 e 2018) e também em Até que a Sorte nos Separe (2012), aqui está a frente do roteiro do longa que adapta e que dá uma abrasileirada para a temática de Natal, onde ele conta a história do feriado que no Brasil acontece em pleno verão, no meio do calor, e mostre o perrengue do Papai Noel com roupas alugadas e barba falsa, e utilize de forma incansável a infâmia piadinha do pavê ou para comê, Mas em Tudo Bem no Natal que Vem as coisas não dão muito certo não, onde o longa falha em fazer com que tudo isso dê certo junto, funcione bem de uma maneira geral. E principalmente, o longa falha ao não conseguir entregar alguma coisa marcante e que entre no imaginário popular e possa se tornar um clássico lá na frente, sabe?

Diferente do especial de Roberto Carlos na Rede Globo, não vejo o espectador brasileiro sintonizando Tudo Bem no Natal que Vem na Netflix no Natal que vem para assistir o longa novamente. Pelo ao contrário acho que até chegar no Natal desse ano, que é daqui alguns dias, poucas pessoas vão sequer falar sobre o filme.

Falta uma certa esperteza para lidar com esse tipo de filme, em Tudo Bem no Natal que Vem o longa perde a mão tanto no lado engraçado, mesmo que até entregue boas passagens, onde Hassum se garante aqui no improviso, e acerta na construção de diversas cenas com sua habilidade cômica, e nos momentos em que o ator trabalha com um humor mais corporal e que são sua marca registrada desde então, e também nas partes mais dramáticas, onde o filme entrega um arco mais triste que realmente é o que deve pegar o espectador de surpresa, afinal, não casa nada com a proposta, e com o tipo de filme que demos o play. É como se o arco narrativo da personagem tal, aqui sem spoilers, estivesse lá apenas para um determinado propósito, o de soar sentimental apenas por ser e que estivesse ali apenas de forma gratuita, e que acaba por ser socado na goela do espectador como se fosse uva passa no arroz, sabe? 

Todo trabalho de composição do personagem de Hassum na busca por tentar descobrir o que aconteceu ele, e na família, durante os outros 355 dias do ano e que ele não lembra, até que é bacana, é bigode que surge, é operação no coração, é troca de esposa, e promoção na empresa. O que não muda é Jorge ser encurralado pelo cunhado pedindo dinheiro, ou o tio sair correndo com o peru na ceia. E depois, o personagem tentando todo o Natal descobrir o que aconteceu por conta da tal amnésia misteriosa, onde Tudo Bem no Natal que Vem cai no erro que alguns filmes que lidam com essa trama de deixar o personagem preso em um dia específico e revivendo tudo que ele passou cai, às vezes, na nossa cabeça as coisas soam mais legais, sabe? Aqui, no longa não rolou. Parece que não combinou, ficou tudo meio estranho, apressado e nem muita preocupação com os detalhes.

Acho que a figura de Hassum, e até mesmo de outros personagens como Danielle Winits, como a secretária do personagem, onde a dupla repete uma parceira de sucesso de outros filmes aqui novamente, até consegue segurar a barra, mas pra um longa metragem do gênero, é pouco para que se espera de um filme, um com 2 horas.

Tudo Bem no Natal que Vem chega em 3 de Dezembro na Netflix.

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Miguel Morales

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