Desde de A Bruxa de Blair (1999) e de Atividade Paranormal (2007), esse tipo de terror, o chamado found footage, tem sido uma vertente bem popular do cinema de gênero. Esse tipo de filme de terror em que temos a trama se desenrolar pelo ponto de vista dos personagens e o uso de câmeras de filmagem para contar uma história tem dado muito certo em Hollywood, quando bem feito.
Afinal, se exige pouco do orçamento e isso, de certa forma, só ajuda o filme a ter uma ambientação mais rudimentar e mais caseira que acaba por dar um charme para esse tipo de produção. E aqui com POV: Presença Oculta (Bodycam, 2026) não é diferente.
É quase como se o novo filme da dupla Brandon Christensen (conhecido por Amizade Maldita) e Ryan Christensen se beneficiasse disso para contar essa história. A ideia de termos um filme de terror em que dois policiais são perseguidos por uma entidade sobrenatural depois que eles são chamados para atenderem uma ocorrência policial não é nova, vimos isso em Operação Obscura (2020) com a Mary J. Blige, mas aqui, os Christensen caem de cabeça nisso, mesmo que tentem dar uma floreada em certas motivações e alegorias apresentadas aqui.
Mas também entregam um filme enxuto, de 1 hora e 16 min, e que por mais intrigante e cheio de questionamentos que tenha, é eficaz em entregar essa história de uma maneira que bem, dá sim, alguns sustos assim, mesmo que não chegue efetivamente a empolgar. Afinal, POV: Presença oculta pode não ser um grande filme, ou entregar grandes reviravoltas, ou mudar para a sempre o gênero, mas não ofende, é competente na sua proposta e no tipo de filme que quer apresentar.
Claro, a forma como faz isso, seja na mensagem, no valor de produção, e principalmente nas atuações do elenco, é a mais simples possível. Mas também não dava para esperar muito de POV: Presença oculta. Como terror entrega suas passagens, alguns poucos jumpscare, e tem uma boa revelação do monstro que causa tudo isso, na medida que vemos os policiais Jackson (Jaime M. Callica) e Bryce (Sean Rogerson) serem perseguidos pela tal entidade que se alimenta dos seus maiores pesadelos, de questões pessoais e de seus passados.
POV: Presença oculta não perde tempo em colocar os dois dentro da residência, à noite, no meio de um bairro não muito bacana, quando recebem um chamado para averiguar uma denúncia de violência doméstica. E vendo os acontecimentos pelas câmeras de segurança de seus uniformes, deixa o sentimento de angústia, do que está acontecendo muito grande.
Afinal, POV: Presença Oculta já é um filme escuro, tem o recurso da câmera tremida, e ainda depende da tecnologia para vermos o que acontece. Assim, ver esse filme depende muito mais dos outros sentidos para fazer essa experiência ser uma agradável. E que até é de certa forma.
Um dos personagens diz, repetidamente, em uma das cenas, “Que porra tá acontecendo? E é esse o sentimento que POV: Presença oculta passa, afinal, mesmo com uma duração curta, a trama só escalona e fica cada vez mais estranha. E principalmente quando vemos a entidade perseguir o policial Bryce e as figuras moribundas que vivem no local ficarem repetindo “Você tirou alguma coisa dele, agora ele quer alguma de volta.”
POV: Presença oculta então coloca esses dois policiais em ritmo de colisão com essa ameaça, e que primeiro soa invisível e não corporal, para depois ganhar outras formas, até mesmo ganhar um rosto no melhor estilo Pennywise com Vecna de Stanger Things. Quando a figura é, enfim, apresentada, realmente aumenta o sentimento desses personagens estarem realmente enfrentando alguma coisa e não só ser apenas uma representação sobre o uso de drogas (metanfetamina, crack e etc) e todos os malefícios que trazem para as pessoas e como devastam comunidades.
E ao mesmo tempo que POV: Presença oculta tem ser mais que isso, também parece não saber desenvolver mais ou trabalhar mais esse tipo de narrativa. Principalmente quando o filme introduz a figura da mãe de um policial (Catherine Lough Haggquist) que parece ser alguém que já lutou contra essa ameaça.
Dentro do esperado para um filme do gênero, sem nomes conhecidos no elenco, ou até mesmo com a carinha de produção de baixo orçamento que tem POV: Presença oculta sabe trabalhar bem suas cenas para entregar alguma coisa minimamente assistível. Não é nada assombrosamente ruim ou assombrosamente bom. Faz o que se propõe.
POV: Presença Oculta chega em 12 de março nos cinemas.
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