Parceiras No Crime | Review: Criminoso é o quão boas e engraçadas estão Octavia Spencer e Hannah Waddingham aqui.

Logo quando Parceiras No Crime foi anunciado, eu achei tudo que cercava o projeto muito interessante e que até me lembrou do filme clássico dos anos 90, Thelma & Louise. Primeiro, porque, assim como o filme estrelado por Susan Sarandon e Geena Davis, aqui, o elenco dessa nova produção Amazon também era formado por dois bons nomes: a vencedora do Oscar Octavia Spencer e a vencedora do Emmy Hannah Waddingham.

E não só pela dupla, mas também pela premissa curiosa que o projeto tem: duas amigas de longa data veem a amizade ser abalada quando uma delas descobre que a outra é uma assassina profissional e além disso e elas precisam fugir de bandidos pelo mundo.

O projeto sumiu um pouco do meu radar depois disso, não se falou mais dele, e até quando começou a divulgação, eu até tinha esquecido que Parceiras No Crime seria uma série de oito episódios e não um filme. E meu pensamento era: será que temos história para tudo isso?

Octavia Spencer in “Ride or Die”- Courtesy of Dušan Martinček/Prime
Publicidade

Ah, como eu estava enganado. Já que foi logo nos primeiros minutos da atração que qualquer dúvida que eu tinha com Parceiras No Crime foi deixada para trás. Afinal, Spencer e Waddingham estão tão bem juntas, tão hilárias, tão afiadas que realmente dá para dizer que a única coisa criminosa que Parceiras No Crime tem é o quão boas e engraçadas elas estão aqui.

O timing cômico que elas entregam para essas personagens é tão bom, tão bem feito, que, sim, dá para dizer que Parceiras No Crime é uma grata boa surpresa no mundinho das séries. Afinal, o conceito e a premissa do seriado acabam até por ser um pouco alongados, esticados e repetidos durante os primeiros episódios, mas Parceiras No Crime tem toda uma criação de mundo, de personagens que povoam esse universo e que rodeiam as duas protagonistas, que realmente é uma história que se beneficia do formato e de ter tempo para desenvolver essas duas amigas, a amizade delas, e como isso vai ser a chave para ajudar elas a sairem dessa confusão toda.

Parceiras No Crime não só entrega bons momentos cômicos (o texto aqui é muito bom e Spencer e Waddingham se aproveitam dele), como também, de ação (temos perseguições, explosões, lutas), de mistérios (que envolvem uma organização governamental secreta), e de espionagem (uma coisa meio Kingsman). O seriado meio que convida o espectador a embarcar nessa aventura quando a certinha Debbie Claybourne (Spencer, ótima e infinitamente mais confortável aqui do que naquela pataquada que ela e Melissa McCarthy protagonizaram lá em 2021 para a Netflix, chamada Esquadrão Trovão/Thunder Force) descobre que sua amiga de anos, Judith Burton (Waddingham, hilária), não é uma analista de contabilidade e sim uma assassina/espiã profissional, e que elas vão precisar colocar as desavenças de lado para fugir de criminosos.

E tudo isso porque o marido de Debbie, David (Jamie Parker), um político proeminente do governo britânico, e para quem a esposa trabalhava para ajudar a chegar ao cargo de Primeiro-Ministro, se vê no meio de uma confusão que envolve a máfia albanesa e que é um dos grandes mistérios que apresentado e desenvolvido ao longo dos episódios da atração. (Sem Spoilers aqui).

Debbie e Judith partem para fugir dos criminosos enquanto tentam desvendar até onde David se meteu com os mafiosos e enquanto também precisam lidar com o fato de que 20 anos de amizade foram colocados à prova quando a verdade sobre o trabalho de Judith vem à tona. 

Hannah Waddingham in “Ride or Die” – Courtesy of Dušan Martinček/Prime

Como falei, Parceiras No Crime habilmente usa o formato serializado para contar essa história. Afinal, cerca as protagonistas com diversos problemas e obstáculos que envolvem as atividades de trabalho de Judith e uma organização de espiões liderada por uma figura chamada de O Diretor (Bill Nighy muito bem aqui).

Enquanto as duas fogem pela Europa, e vão de Londres para a Espanha, e depois para Monte Carlo, com a ajuda de Sam (Calam Lynch), o analista da tal organização, da jovem Quennie (Savannah Steyn) que trabalha com a mãe Sra. Williams (Cathy Tyson), elas precisam também buscar o misterioso e sedutor Billy (Ed Skrein), que é um dos alvos de Judith, enquanto fogem da máfia e também são perseguidos pelos agentes da Interpol, Jacques Boucher (Jacky Ido
), e por uma figura também misteriosa chamada Ana (Sylvia Hoeks).

Spencer e Waddingham estão muito bem sem dúvidas, mas Hoeks trás uma ameaça constante, imprevisível, e extremamente perigosa para a atração. É muito interessante ir acompanhando as peças do quebra cabeça que a narrativa se apresenta com essa personagem. O mesmo vale Nighy que tem mais cenas com Lynch e que mostra um ar de vilão de Bond muito curioso. E o mesmo vale para Skrein que tem a possibilidade de sair do lugar comum e tem cenas bem interessantes Waddingham. Todo o elenco parece ter entendido a missão e estão bem aqui.

Com quase oito horas de duração (por conta dos capítulos de pouco menos de uma hora), Parceiras No Crime realmente conta uma história bem intrigante já apresentada no 1×01 (The Book of Judith) e ganha proporções muito maiores e mais perigosas no 1×02 (The Yellow Wood), depois, lá para o episódio quatro (The Spanish Prisoner) vermos diversas coisas acontecerem com as personagens neste bloco inicial dos primeiros quatro episódios

E a trama se beneficia de ter diversos ganchos ao final dos capítulos e muitas reviravoltas na narrativa. É como se estivéssemos realmente vendo duas mulheres dentro do seu próprio mistério de aeroporto. Afinal, Judith e Debbie precisam colocar o papo em dia enquanto toda uma conspiração e um drama de espionagem se desenvolvem ao redor delas. E isso nos leva para os caóticos episódios 1×06, Moonlight on the Bosphorus, e 1×07, The Geneva Convention, até o explosivo final de temporada, The Song of Deborah.

No final, Parceiras No Crime é uma opção extremamente boa de se assistir ao longo de alguns dias, passar um tempo com essas personagens para entendermos seus relacionamentos, a conexão que essas duas mulheres têm, uma na qual se mostra muito mais forte do que qualquer outra coisa. E isso com a presença de duas atrizes extremamente competentes e que tiram de letra o humor, o drama e as cenas de ação, perseguição e explosão.

Parceiras No Crime chega com todos episódios disponíveis em 15 de julho.



 

Publicidade

Publicidade

Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

Recent Posts

Jon Bernthal explica como a brutalidade de Frank Castle funciona em Homem-Aranha: Um Novo Dia

Durante a coletiva de imprensa de Homem-Aranha: Um Novo Dia, Jon Bernthal explica como a…

23 horas ago

Ryan Coogler filmará Pantera Negra 3 em 70 mm; longa chega em 2028

Ryan Coogler filmará Pantera Negra 3 em 70 mm; longa chega em 2028 e novidade…

1 dia ago

Morgan Spector, de A Idade Dourada, será Robert Langdon  em série baseada em novo livro de Dan Brown

Morgan Spector, de A Idade Dourada, será Robert Langdon  em série baseada em novo livro…

1 dia ago

A diretora Gina Prince Bythewood apresenta os bastidores de Filhos de Sangue e Osso; assista

A diretora Gina Prince Bythewood apresenta os bastidores de Filhos de Sangue e Osso; assista

1 dia ago

Camila Pitanga será Clara Nunes em cinebiografia da cantora

Atriz estrela e produz cinebiografia da cantora Clara Nunes.

1 dia ago

Bilheteria | Enfrentando seres mitológicos e farmando aura: A Odisseia vê aumento de público no Brasil em 2ª semana

Enfrentando seres mitológicos e farmando aura: A Odisseia vê aumento de público no Brasil em…

1 dia ago