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Os Órfãos | Crítica

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O conto de Henry James de 1898 intitulado A Volta do Parafuso acaba por ser uns dos clássicos da literatura de terror já tendo diversas adaptações para o cinema, como Os Inocentes (1961), e até mesmo a nacional Através da Sombra (2016), e aqui a Universal Pictures adapta mais uma vez a história da jovem babá que chega numa casa isolada para cuidar de duas crianças órfãs. 

Os Órfãos – Crítica | Foto: Universal Pictures
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E em Os Órfãos (The Turning, 2020), parece que a produção se preocupou muito mais na ambientação e na estética visual criada para dar vida para a tal mansão fantasmagórica, e o ar bucólico que o filme quer passar, e pouco com o desenvolvimento da trama, e sua conclusão. Claro, o conto em si, tem um final divisivo, mas Os Órfãos parece que constrói sua trama, e dá várias pistas para espectador do que acontece ao longo do filme, com alguns sustos no meio do caminho, até que puf, tela preta, um final apressado, com maior gancho e aberto para várias possibilidades.

Como falamos, a estética visual do filme é incrível, sedutora e envolvente, onde a diretora Floria Sigismondi sabe conduzir as cenas com uma delicadeza que foca nos detalhes e dá para o espectador uma imersão total naquele mundo escuro que a tutora Kate (Mackenzie Davis, muito bem) se encontra ao adentrar rumo aos portões da mansão Fairchild.

Os Órfãos acerta apenas em conseguir um criar um clima de mistério sobre o passado da casa, e dos jovens moradores Flora (Brooklynn Prince, talentosa) e Miles (Finn Wolfhard). Pelos olhos de Kate, e junto com a personagem, Os Órfãos convida o espectador a desbravar cada cômodo, cada área escura e fria que a mansão reserva, onde o filme mira ser o novo Hereditário, mas falha de uma maneira colossal. Onde o segundo constrói a história para depois acelerar de uma maneira espectacular, o primeiro parece ver a marcha de seu carro engasgar no meio do caminho. Assistir Os Órfãos é como estar no banco de trás do carro junto com Flora, e com Kate na direção, no momento que elass irão cruzar os portões da mansão, a viagem é interrompida pelos medos e pavores dos personagens. 

Os Órfãos – Crítica | Foto: Universal Pictures

Os Órfãos parece não ter a firmeza em se decidir qual tipo de filme quer ser, um terror sobre possessão demoníaca, onde claramente vemos os demônios circulando pela casa na figura do instrutor de hipismo, e da babá anterior, ambos já falecidos, e com uma história pesada de pano de fundo, ou se um suspense psicológico, onde Kate tem a possibilidade de estar sofrendo do mesmo mal de sua mãe (Joely Richardson) e sucumbindo a loucura.

O longa toma a pior decisão e une tudo isso, nos fazendo soltar da mão de Kate nos minutos finais na medida que a jovem parece perder seu último parafuso e se sucumbir para os pesadelos que a casa, e a pressão do trabalho lhe passou. No final, Os Órfãos parece apostar numa decisão preguiçosa de deixar para o espectador escolher seu próprio final. Uma pena, pois a história, e o elenco envolvido para essa nova adaptação, era extremamente promissora, e tinha tudo para dar certo.

Nota:

Os Órfãos chega em 30 de janeiro nos cinemas.

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Miguel Morales

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