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O Ódio Que Você Semeia | Crítica

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As questões raciais sempre foram um grande assunto a ser debatido e nos últimos anos tem movimentado diálogos, criado movimentos e tendo bastante destaque da mídia, tanto americana quanto de outras partes do mundo.

O Ódio Que Você Semeia (The Hate U Give, 2018), baseado no livro de mesmo nome escrito por Angie Thomas, consegue falar de uma forma bem trabalhada todas essas questões ao contar a história de uma jovem envolvida na dura realidade de seu bairro que luta para sobreviver em duas realidades bem destintas.

Com pano de fundo uma questão da mais séria importância, a produção é muito mais que apenas um drama teen, onde O Ódio Que Você Semeia tenta, de uma maneira leve (na medida do possível sobre o assunto) e quase didática, passar uma mensagem brutalmente real de uma forma completamente angustiante.

O Ódio Que Você Semeia | Foto: 20th Century FOX
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A produção é marcada por fortes discussões que podem ajudar a começar um diálogo com seu público-alvo, os jovens, e que coloca o dedo na ferida entre as relações de Starr (Amandla Stenberg, uma estrela em ascensão) com o restante das pessoas que a cercam. Stenberg se destaca consegue transmitir de uma forma genuina e poderosa a dor e sentimento que a garota passa.

Na trama, Starr frequenta um colégio de elite, numa outra parte da cidade que vive com sua família. Segundo a garota, lá, ela precisa encarrar sua versão B, a Starr 2.0 onde não usa gírias ou mostra um comportamento um pouco mais agressivo. Em casa e no seu próprio bairro, Starr tem outro comportamento, o que acaba a deixando presa entre dois mundos bem diferentes.

O Ódio que Você Semeia, usa em partes de sua trama momentos tipicamente adolescentes, com conflitos que poderiam ser vistos em qualquer outra produção teen, para chegar no seu ponto principal. O roteiro de Audrey Wells tem em seu momento de virada, uma festa onde vemos Starr e seu amigo de infância Khalil (Algee Smith) serem abordados pela polícia, onde, logo em seguida, o rapaz é baleado e morto por um policial branco. Assim, a história ganha uma certa maturidade, começa a abortar conflitos de classe e trabalha em expor questões que assombram a garota e sua comunidade.

O Ódio Que Você Semeia | Foto: 20th Century FOX

O filme tem sim alguns problemas, O Ódio que Você Semeia acaba por ser uma produção longa e com algumas sub-tramas que até se arrastam em diversos momentos, mas que no final, a direção de George Tillman Jr. consegue dar para essa camada extra na história um chance e acerta em criar uma ambientação e contextualização ainda mais pesada e densa para a produção.

Todas as questões, como por exemplo, a história o pai da garota, Maverick (Russel Hornsby) e uma gangue de tráfico de drogas, a trama envolvendo as amigas do colégio que tem em seu racismo velado, e de Chris (K.J. Apa), como o namorado da escola que entra na vida da garota e cria mais um conflito para Starr que luta para não apresentar o rapaz para sua família, ajudam a compôr esse grande e complexo quadro que o filme escancara diante do espectador.

O Ódio que Você Semeia deve provocar indagações sobre nossos próprios privilégios, numa produção que deverá fazer o espectador parar e pensar em questões sociais e as complexas situações que grande parte dos personagens, principalmente Starr, vive, onde a garota procura durante todo o filme sua voz, e não só ser a voz de um movimento e sim, uma voz que se junta ao coro de vozes que lutam todos os dias e que no filme são captados em cena por Tillman Jr de uma maneira bem interessante.

Com boas e intensas atuações, O Ódio que Você Semeia acaba por ser um filme sobre perspectivas e analizar o mundo com outros olhos e fora da realidade que muitos vivem. No final, acaba por ser, também, um dos melhores filmes sobre esses assuntos no ano, onde se junta com As Viúvas e Infiltrado na Klan para mostrar como vivem uma grande parcela da população, acuada, sempre olhando por cima do ombro, mas que não param de lutar nunca.

Filme visto na Mostra de Cinema Negro em São Paulo em Novembro.

Nota:

tem previsão de chegar nos cinemas nacionais em Dezembro de 2018.

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Miguel Morales

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