O Mandaloriano e Grogu | Crítica: Legal, mas nada de outro mundo (ou galáxia)

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Desde 2019 não temos um longa de Star Wars nos cinemas. E, por mais que tenha sido legal e bacana ver O Mandaloriano e Grogu (The Mandalorian and Grogu, 2026) na telona, fica claro que o que temos aqui é alguma coisa que não é nada de outro mundo (ou de outra galáxia).

Claro, o diretor Jon Favreau está acostumado a entregar filmes com bons visuais, depois de ter trabalhado nos live-actions de Mogli: O Menino Lobo e O Rei Leão, e realmente fica mais que comprovado que ele tem um bom olho para entregar cenas que se destacam e que fazem valer a pena a ida ao cinema. Mas, por mais pomposo que seja, com um adorável Grogu e, claro, o queridinho da internet Pedro Pascal em mais um projeto, fica claro que O Mandaloriano e Grogu é um grande condensado de episódios de uma temporada que nunca existiu e que virou um filme para os cinemas.

Photo by Justin Lubin. © 2026 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.
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Narrativamente e estruturalmente, O Mandaloriano e Grogu é uma história que apenas continua o que já vimos dos personagens, onde o que temos aqui é Mando, o Din Djarin de Pascal, e Grogu cumprindo trabalhos e missões até que recebem uma de Sigourney Weaver (aqui como uma capitã/coronel da Aliança Rebelde) e vão em busca do sobrinho de Jabba, o Hutt (aquele bichão feio que prende a Princesa Leia em Star Wars: O Retorno de Jedi).

Assim, fica claro que O Mandaloriano e Grogu acaba por ser “leve seu pet ao trabalho”, onde, ao longo do filme, a dupla faz amizades, principalmente com uma criatura de abdômen trincado e que tem voz de Jeremy Allen White na versão original. Claro, Dave Filoni, Favreau e Noah Kloor estruturam o longa para contar esse novo capítulo da jornada de Mando e Grogu de uma forma que o espectador casual não precise ter feito a lição de casa com as temporadas anteriores aos eventos desse filme.

E o jeitão meio Blade Runner, as participações especiais (Martin Scorsese como um vendedor de barraquinha que dá informações é hilário) e, sim, as cenas de perseguição e luta ajudam o longa a ter um charme próprio. Mas, ao mesmo tempo, O Mandaloriano e Grogu só funciona, de certa forma, nesse canto da galáxia de Star Wars que nem parece muito que é Star Wars. Afinal, a série ainda tinha uma certa preocupação de tentar se conectar com os eventos principais dos filmes, mas, se por um lado esse sentimento de que estamos nos confins dessa galáxia tão, tão distante dava um toque diferente à atração, esse filme com um selo Star Wars parece fazer com que o sentimento de “filme-evento” que a franquia tinha antes se perca.

O longa se conecta pouco com o que já vimos em Star Wars e nesse próprio canto de Mando e Grogu, e não deixa muito espaço para vermos o que vem por aí com esses personagens. Acaba por ser mais um capítulo, mais uma história de Star Wars, sem muita necessidade e que PRECISA ser contada.

É legal assistir? Sim. Mas, também, sem ela, tudo funcionaria da mesma forma dentro do universo da franquia. E, talvez, seja isso que faça O Mandaloriano e Grogu ter o mesmo tipo de problema que Han Solo: Uma História Star Wars teve. É uma história Star Wars? Sim. É uma história interessante de Star Wars? Nem tanto.

Como filme isolado, até que entrega um divertimento honesto. Mas também cai naquele paradoxo de não ser algo excelente, nem muito ruim, apenas mediano. E pior: O Mandaloriano e Grogu corre o risco de ser esquecível. Afinal, também não é um filme que deve despertar a curiosidade de alguém que for cair de paraquedas em alguma sessão e queira se interessar pelo vasto universo Star Wars que acontece de forma paralela a esse filme.

Photo courtesy of Lucasfilm. © 2026 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.

Afinal, O Mandaloriano e Grogu é sobre esses dois personagens, mas toda a bagagem de quem eles são, o que querem, de onde vieram, o que enfrentaram e o quão importante é essa missão que eles vivem ao longo da duração desse filme não é apresentada ou desenvolvida. É como se realmente O Mandaloriano e Grogu fosse um grande filme para os fãs da série. Mas será que faz um grande filme? Não.

Claro, é bacana ver os planos que Mando e Grogu bolam para tentar resgatar Rotta the Hutt e levá-lo de volta para os tios gêmeos, irmãos criminosos e primos de Jabba, o Hutt, que apareceram em O Livro de Boba Fett (outra série de Star Wars no streaming).

A questão é que o jovem Rotta quer viver sua vida, sabe? Ele quer lutar, ser aclamado pela população e não ser reconhecido por ser filho de uma das criaturas mais asquerosas da galáxia. Mas isso é só uma das partes da trama. Ou, diria, da primeira leva de episódios. Afinal, no meio de batalhas em um coliseu improvisado, chantagens e apostas, Mando, Rotta e Grogu conseguem fugir. E são cenas bastante bonitas de vermos, sem dúvidas, caprichadas nos efeitos especiais e tudo mais.

Mas, meio que depois, partimos para outras ameaças, outros conflitos, quase como se estivéssemos na parte 2 da temporada. Já que vemos Mando ser traído pelos gêmeos asquerosos e quase bate as botas (e tem o capacete arrancado), é salvo por Grogu, e também luta contra um grande monstro marinho.

Fica claro que o humor (todas as cenas de Grogu com a criaturinhas Anzellans são muito boas) e praticante a essência da série está presente principalmente ao mostrar a criaturinha verde fazendo de tudo para manter o colega vivo e um pouco da mitologia mandaloriana retornando para ser apresentada na telona. Esse momento, com Mando ferido e Grogu tentando salvar a vida dele, surge como um respiro para a narrativa, antes de chegarmos nos momentos finais, que claro vão ter ações, explosões e tudo mais. Mas sem sabres de luz.

No final, parece que você deu play no seriado e deixou os episódios rodando ali, sem dar pausa. Claro, O Mandaloriano e Grogu soa bastante cinematográfico, e ter visto o filme em IMAX apenas comprovou o quão bom Favreau é em saber criar esses universos, mas definitivamente é uma continuação para uma história que começou no streaming, fez sucesso lá e tenta pular de volta para as telonas.  E aqui, infelizmente, Star Wars volta aos cinemas no piloto automático e nem é na Millenium Falcon. Talvez ainda vá levar um tempo (especificamente até maio do próximo ano, com Star Wars: Starfighter) para dizer que Star Wars está de volta. Por enquanto, só tivemos os aperitivos e nada da entrada principal. E tem gente com fome.

Nota:

O Mandaloriano e Grogu chega nos cinemas nacionais em 21 de maio.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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