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O Enfermeiro da Noite | Crítica: Tenso filme baseado em caso real

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A onda de adaptações de crimes reais chegou para ficar. Seja com documentários, séries, ou até mesmo filmes de ficção baseado em casos reais. E aqui com O Enfermeiro da Noite (The Good Nurse, 2022) a situação não é diferente.

O diretor dinamarquês Tobias Lindholm (duas vezes indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 2015 e 2012) coloca dois vencedores do Oscar para contar um filme tenso sobre um caso real que marcou o sistema hospitalar americano de um enfermeiro que matava seus pacientes durante seu turno noturno e foi descoberto pela colega de trabalho depois de passar por mais de 9 hospitais ao longo de sua carreira.

E Jessica Chastain e Eddie Redmayne estão muito bem no filme e eu diria que são as  atuações dos dois que fazem O Enfermeiro da Noite valer o play e suas 2 horas na Netflix.

Eddie Redmayne em cena de O Enfermeiro da Noite
Foto: JoJo Whilden / Netflix
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Os dois artistas entregam as passagens mais intensas, mais dramáticas, que o longa tem, um bastante focado na investigação, na relação entre esses dois personagens e como tudo que aconteceu durante a passagem de Charlie (Redmayne) pelo hospital que Amy (Chastain) trabalha e como o local, e seu time de funcionários do departamento jurídico, fizeram de tudo para acobertar as evidências que levaram aos acontecimentos que rondam o longa.

Lindholm trabalha, e muito, com a câmera parada como se tivéssemos ali, a observar esses personagens em seu dia a dia principalmente nas cenas do hospital. A coloração do longa nos dá esse sentimento de que tudo é mais cinzento e opaco, como se quisesse transmitir que nada daquilo é convidativo e caloroso, por mais que Charlie seja uma pessoa simpática, acolhedora e que exibe um grande sorriso no rosto. Nada disso ajuda a esconder a realidade brutal das coisas que o enfermeiro faz quando tanto Amy, quanto nós, os espectadores, descobrimos a verdadeira face do personagem. 

A dualidade que Redmayne imprime para Charlie é extremamente notável de se assistir, principalmente nas cenas que o personagem é confrontado sobre os acontecimentos, seja por Amy ou pelos policiais que começam a investigar o caso (Noah Emmerich e Nnamdi Asomugha). É bom Redmayne fora da sua persona Newt Scamander e o quão ele pode entregar.

O ator, ao lado da colega também Oscarizada, garante uma profundidade gigante para o filme, que poderia ser mais um dentro de vários do gênero. Chastain faz a contrapartida do colega muito bacana, e mesmo que dividem algumas das características da profissão, fica claro a intenção de Lindholm de mostrar o quão diferentes eles são. 

O filme tem um começo que serve para nos introduzir a figura de Amy, seu trabalho como enfermeira no turno da noite, as dificuldades financeiras que o hospital passa, e claro, seu problema no coração que a faz precisar trabalhar para conseguir o plano de saúde.

E depois temos a chegada de Charlie que vem para ser um apoio para a colega e que parece ser um anjo enviado para a ajudar. Desde do trabalho até na vida pessoal, Amy e Charlie desenvolvem uma conexão, nada romântica (talvez, no mínimo, platônica) onde Chastain e Redmayne entregam uma boa troca até que claro começam a acontecer “códigos” (um sistema de cores que indica a gravidade dos pacientes) e pacientes e pessoas reais começam a morrer.

E Amy começa a ligar os pontos depois de conversar com os policiais quando a enfermeira chefe (Kim Dicken) passa a investigação de apenas uma interna para externa. Como falamos, O Enfermeiro da Noite é bem focado em como Amy descobriu tudo isso, e ajudou os policiais com os arquivos das máquinas do hospital e tudo mais.

Ao mesmo tempo que a investigação continuava, paralelamente, o time de advogados do hospital tentava esconder as provas da polícia e empurrar o problema para debaixo do tapete. O longa foca muito mais na ajuda de Amy com a polícia e na relação dos dois, no antes, e no momento da investigação do que em outras partes e grande parte dos personagens são figuras de apoio para fazer a história de Amy e Charlie ser contada. O sentimento inquietante que como ninguém, além de Amy e dos policiais, precisam fazer mais para investigar é gritante mesmo que o longa prefira debater outras questões ao longo de suas horas.


No final, o que temos é um filme para vermos dois atores vencedores do Oscar em novos bons papéis, onde fazem uma produção conhecida como “character-driven story”, em a narrativa é contada para desenvolver o personagem, aqui no caso, os personagens, desses enfermeiros da noite.

O Enfermeiro da Noite está disponível na Netflix.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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