O Drama | Crítica: Doideira demais esse, tá?

Vai ser um pouco difícil falar sobre O Drama (The Drama, 2026) sem dar muito spoiler de uma coisa que acontece no começo do filme e meio que dita toda a narrativa, o destino dos personagens e ainda as consequências que isso trás para a vida desses dois pombinhos que estão prestes a se casarem.

Mas precisamos avaliar esse filme, né? O que dá para dizer é que sim, O Drama é uma doideira sem tamanho. E não só pelo fator surpresa que tal, já comentado, teorizado, e brevemente arruinado, plot twist entrega, mas também pela repercussão que o fato fato tem narrativa que o filme entrega e pela gama de possibilidades que são apresentadas aqui quando descobrimos sobre (junto com os personagens).

O novo longa do diretor Kristoffer Borgli é nada do que eu estava esperando que fosse. É caótico, imprevisível, engraçado, de certa forma um pouco estranho, mas é brilhantemente liderado por Robert Pattinson e Zendaya, dois dos melhores atores hoje em Hollywood. Ponto final.

Foto: © 2026 – A24
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É o primeiro projeto da dupla no anos, eles estão em mais dois outros filmes juntos, mas aqui, dominam a tela como ninguém. É difícil você querer tirar os olhos deles, quando eles discutem, quando eles tem DR, quando eles tem momentos de casal fofo. Mas, não se engane, O Drama não é um filme de comédia romântica, igual o material de divulgação faz parecer. O Drama é o Amores Materialistas desse ano. Só que melhor.

Ao fazer a história do filme se passar nos dias anteriores ao casamento de Emma (Zendaya, extremamente carismática) e Charlie (Pattinson em mais um papel curioso depois de se tornar o Batman e enfrentar outras 17 versões de si mesmo no excêntrico Mcikey17), Borgli não só apresenta uma representação de ansiedade, mas também dois personagens, ok, vários personagens, detestáveis e irritantes. 

E ao colocar Emma e Charlie numa mesa com os amigos Mike (Mamoudou Athie) e Rachel (Alana Haim), enquanto eles experimentam comidas e testam vinhos, Borgli joga uma bomba no colo dos dois, dos quatro, e no nosso colo como expectadores, que muda toda a nossa percepção sobre esses personagens.

Afinal, a revelação, e o que guia a narrativa de O Drama pelas próximas horas, não só gera debates morais entre os personagens e que passam os próximos minutos defendendo, se justificando, e atacando, como também cria um sentimento incômodo para vermos o que eles vão fazer em seguida. 

E aqui, o roteiro de Borgli apenas escalona as situações, os eventos, e tudo acaba por ser uma grande bola de neve e um espiral de confusões, surtos e tudo mais. E isso é bom? Meio que é até é, é como se fosse um daqueles vídeos de briga onde você não sabe para onde olhar, sabe?

O Drama é um filme tenso, mas não por ser assustador e sim por debater assuntos tensos e que sim são assustadores em suas próprias versões. Claro, temos a grande tensão do “tal segredo”, mas também o longa navega por outros momentos de tensão como de se preparar um casamento, e todos as pequenas coisas que precisam ser feitas e as decisões a serem tomadas, seja as práticas, como precisar conhecer a fotógrafa (Zoë Winters, hilária e que faz valer seus poucos minutos em que aparece) que vai cobrir o evento acaba por ser meio inconveniente, ou ver que a DJ que vai tocar no seu casamento estava consumindo drogas no meio da rua, até mesmo as mais abrangentes como: esse casamento ainda está de pé depois de tudo isso?

E, como falamos, O Drama tem um quê de engraçado, claro, não é o tema da grande revelação que é engraçado, pelo ao contrário, é bastante espinhoso e pesado, mas sim, a forma como esses personagens lidam com essa informação, como eles agem, e como isso afeta as relações não só dos noivos, mas também dos noivos com outros membros do círculo social deles.

Afinal, o que era uma coisa para ser discutida entre Emma e Charlie, tem a entrada de uma terceira pessoa, e isso gera um conflito gigante. É quase como desabafar no Twitter, você nunca sabe quem vai ler, e o que comentar, principalmente hoje na cultura do rage bait.

Narrativamente, O Drama então nos mostra uma situação que leva paa a outra, e outra, e mais outra, e boa parte são comicamente engraçadas, quase pastelonas, mas que dentro do contexto que são apresentadas acabam por funcionar enquanto vemos os personagens lidando com esse elefante na sala que a revelação trás para eles.

E por mais doida, surreal, e extremamente fora da caixinha, que o tal segredo que é revelado seja, O Drama consegue navegar por ele de uma maneira que as coisas acabam por serem condizentes com o que podemos esperar dos personagens dessa história. 

Foto: © 2026 – A24

Afinal, o carisma de Zendaya e Pattinson deixam esses personagens ficarem mais fáceis de serem digeridos, e suas ações pós revelações também. O Drama é como se estivessem acompanhando esses personagens dentro de uma panela de pressão, prestes a explodirem, e bem, a panela chega no dia do casamento, na cerimônia do casamento. E Borgli constrói isso junto com as tomadas um pouco mais frenéticas, a edição, a trilha sonora, e claro, que com a ajuda de Pattinson e Zendaya. Já que as coisas no filme, os acontecimentos, e as repercussões, apenas vão escalonando para Emma e Charlie e que o noivo sair com a cara toda arrebentada da cerimônia é uma das coisas menos chocantes que temos no filme.

E Borgli tem a sorte de ter atores como Zendaya e Pattinson liderando esse roteiro que poderia muito bem ir para as cucuias se não fosse as sutilezas nas atuações que ambos entregam. Afinal, conhecemos Emma e Charlie, suas histórias, seus passados, mas estamos do lado de Emma e Charlie? Estamos do lado de Emma? Do lado de Charlie ? Torcemos para Emma e Charlie ficarem juntos? Isso acaba por ser mais um dos diversos questionamentos que Borgli joga aqui em O Drama. 

No que promete ser um filme divisivo e que deve gerar debates, O Drama mostra que algumas coisas precisam deixar os textões nas redes sociais e serem analizadas individualmente por cada um, assim como a experiência individual de cada um ao sair da sessão de O Drama. E nada de abrir a bocana e estragar a experiência do colega. Você está cordialmente convidado a não fazer isso, mesmo que os noivos sejam meio malas. 

Nota:

O Drama chega com sessões de pré-estreias pagas no dia 2 de abril e depois amplia o circuito no dia 9.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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