O Diabo Veste Prada 2 | Crítica: Esperava reunião de saias horrorosas, recebeu botas da Chanel

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Depois do boom dos live-actions, a Disney resolveu apostar em sequências dos principais, e mais populares, títulos do catálogo do estúdio. Tivemos Avatar, Abracadabra 2, Encantada 2, Uma Sexta-Feira Muito Louca 2, mas nenhum filme teve a repercussão, empolgação, viralização e expectativa que a sequência de O Diabo Veste Prada teve.

Do elenco confirmado para o frenesi durante as gravações no ano passado, O Diabo Veste Prada 2 (The Devil Wears Prada 2, 2026) se mostrou muito mais do que apenas uma sequência de um “chick flick”, mas sim uma sequência de verdadeiro filme que marcou não só gerações de espectadores, mas também a carreira de todos os envolvidos nele.

Meryl Streep as Miranda Priestly and Anne Hathaway as Andy Sachs in 20th Century Studios’ THE DEVIL WEARS PRADA 2. Photo by Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.
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De Meryl Streep, que, claro, já tinha ganhado dois Oscars na época do primeiro e vira e mexe sempre era indicada, mas não estava em um projeto verdadeiramente marcante em anos para as até então novatas Anne Hathaway, que vinha de diversos pequenos sucessos comercias e alguns anos depois recebeu sua primeira indicação ao Oscar por O Casamento de Rachel, Emily Blunt, que embarcou em diversos outros projetos (e até voltou a trabalhar com Meryl Streep em Caminhos da Floresta) antes também ser indicada ao a Oscar, e também Stanley Tucci, que sempre foi um dos atores mais queridinhos de Hollywood.

E, 20 anos depois, para esse elenco de peso se reunir para uma sequência, também com o time original do diretor David Frankel e da roteirista Aline Brosh McKenna, parece que tinha realmente alguma coisa ali. Afinal, O Diabo Veste Prada 2 parecia que ia ser uma reunião de saias horrorosas, mas o que temos aqui são botas da Chanel, da coleção atual, prontas para serem usadas.

O Diabo Veste Prada 2 é bem mais do que uma sequência caça-níquel apoiada na nostalgia e no fan service. O filme não só replica muito os momentos mais icônicos, memetizáveis e conhecidos do primeiro filme, como também consegue contar uma nova boa história para esses personagens, 20 anos depois, num cenário econômico, político e tecnológico totalmente diferente do filme original (lançado numa época em que nem iPhone tínhamos), mas com o mesmo afinco de antes e com o mesmo tipo de discussão interessante por trás do glamour do universo da moda.

E até com comentários mais afiados. O Diabo Veste Prada 2 mostra um mundo onde o jornalismo, o jornalismo impresso, se curvou para novas tendências, comportamentos ao digital, aos apps, aos influenciadores, para grandes corporações, para as mega fusões e tudo mais.

. E, ao colocar essas personagens, principalmente uma personagem como Miranda Priestly (Streep, ótima no seu retorno aos cinemas depois de anos no streaming), nesse cenário, é muito curioso e empolgante de se acompanhar. Afinal, a tal “diabo” do título agora precisa competir muito mais com várias outras variáveis e, principalmente, num mundo onde as coisas estão na palma da mão e qualquer um tem voz ativa e, principalmente, uma voz amplificada.

E a sequência continua a ser o show de Streep que mais uma vez entrega uma atuação primorosa. Assim, coube para todo elenco antigo trazer aquelas mesmas personagens atualizadas para 20 anos depois. E, realmente, nota-se a passagem de tempo. Afinal, não é só que, sim, as personagens ficaram mais velhas, mais experientes, mas as dinâmicas de poder entre elas, e entre elas e o restante do mundo, realmente mudaram.

Streep, Hathaway, Blunt e Tucci retornam triunfais para esses papéis e fazem valer a pena a espera de anos para vermos todos em visuais caprichados, looks elaborados e, claro, no jogo de gato e rato corporativo que o longa original sim flertou, mas que pouco desenvolveu.

Afinal, lá em 2006, a história sempre foi de Andy e sua jornada de amadurecimento. Aqui, na sequência, as personagens precisam viver a iminência de perderem seus empregos, não por não conseguirem voar a chefe no meio da tempestade de Miami para Nova York, ou não conseguirem um manuscrito de um livro cobiçado ainda não lançado, ou de ficarem doentes e não conseguirem ir para a semana de moda em Paris, mas sim, pela própria existência do local, a revista Runway, que serve como seu empregador  também uma extensão de suas vidas particulares. 

O roteiro de McKenna segue a linha das sequências legado à risca. É como se o filme apresentasse a trama, os temas e os personagens para uma nova geração e apenas replicasse as situações, conflitos e dinâmicas que vimos no primeiro filme. Só que anos depois. 

São muito bons esses acenos que O Diabo Veste Prada 2 faz, e que Frankel copia e cola diversos momentos (da abertura, para as montagens, o final). E também para essas personagens, principalmente para as situações malucas em que Andy (Hathaway, carismática demais num ano movimentado com 5 filmes a serem lançados) é colocada novamente quando retorna para a Runway, agora como editora e não mais assistente de Miranda, e novamente precisa da ajuda de Nigel (Tucci, muito bem) para voltar para o closet da revista e atualizar seu figurino. 

E, ao colocar Emily (Blunt extremamente afiada no humor) como a principal anunciante da revista (agora no comando da marca de luxo Dior), cria-se um cenário de retorno muito convidativo e convincente de que realmente se passaram anos desde do final do primeiro filme. O Diabo Veste Prada 2 coloca, então, todos esses personagens para orbitarem nas vidas uns dos outros mais uma vez, só que agora de uma forma mais “todos no mesmo barco”

Emily Blunt as Emily Charlton in 20th Century Studios’ THE DEVIL WEARS PRADA 2. Photo by Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Os momentos clipe/montagem que tanto marcaram o primeiro filme retornam (temos uma nova e contagiante sequência de Vogue, por exemplo) feitos para viralizarem nas redes (o TikTok vai engolir esse filme), as frases marcantes também retornam e a sequência é marcada por novos personagens que combinam muito bem com esse mundo que foi apresentado.

Os destaques ficam com a nova assistente de Miranda, Amari (Simone Ashley), uma mistura de ambas as Emilys, só que numa geração mais jovem e B. J. Novak como um executivo das publicações Elias-Clark viciado em números, resultados e métricas que promete ser uma pedra no sapato de grife de Miranda, que é recebida por ele como um dos caras, quer dizer, uma das pessoas, com soquinhos.

Cheio de participações do mundo da moda que agora aceitaram estar no longa que vão desde de Donatella Versace para Lady Gaga, O Diabo Veste Prada 2 troca Paris por Milão como o local da temporada de desfile e mostra também  um pouco mais da vida pessoal dessas pessoas: Miranda com um novo marido (Kenneth Branagh), Emily com um ricaço no estilo Elon Musk (um irreconhecível Justin Theroux) e Andy com um novo casinho interpretado por Patrick Brammall, um muito mais maduro que o namorado do primeiro filme, e que mantém a amizade com Lily (Tracie Thoms) lá do primeiro filme. 

Assim, a trama não deixa de usar o cenário da moda, mais uma vez, como pano de fundo para discutir as questões de trabalho tão presentes anteriormente e que ficam um pouco diluídas nos momentos cômicos, nas frases de efeito e nos deslumbrantes figurinos que também retornam e não se apoiam no quiet lux de forma alguma. 

No final, o que temos é uma sequência que, inesperadamente, é muito boa, tem um motivo para existir e que nos entrega quatro atores de alto calibre em Hollywood em papéis marcantes mais uma vez. O que mais dizer? Alright, everyone, gird your loins, O Diabo Veste Prada 2 vem aí para ser uma das grandes sensações do ano, um dos mais aguardados até agora e que definitivamente vai ser um dos primeiros grandes sucessos do ano.

Nota:

O Diabo Veste Prada 2 chega com sessões de pré-estreia pagas em 29 de abril no Brasil.





 






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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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