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Na Zona Cinzenta | Crítica: Guy Ritchie segue fórmula, recicla tramas e atores com quem já trabalhou

Parece que Guy Ritchie encontrou uma fórmula a ser seguida, apostado e ido com tudo nela mesmo. E isso fica claro em Na Zona Cinzenta (In The Grey, 2026), o novo filme de ação do diretor que chega aos cinemas nacionais de forma meio tímida no meio de uma avalanche de estreias e que parece soar como um tapa buraco de luxo entre Mortal Kombat 2 e Mandalorian e Grogu.

De luxo, por que o que parecia ser mais um filme de ação genérico, tem como principal trunfo o trio principal: Jake Gyllenhaal, Henry Cavill e Eiza González Aqui, Ritchie recicla atores com quem já trabalhou antes: Gyllenhaal em O Pacto, Cavill em O Agente da U.N.C.L.E. , e Cavill e Gonzalez em Guerra sem Regras (The Ministry of Ungentlemanly Warfare), além de reciclar uma trama que também já apresentou em outros projetos.

Mas aqui, em Na Zona Cinzenta, são esses atores que sustentam a produção com seus carismas e fazem com que o texto, também de Ritchie, pareça melhor do que é. E mesmo que o diretor-roteirista tenha repetido a parceria com atores que já trabalharam com ele antes, ao mesmo tempo, também não consegue sair do lugar-comum e repete o que já vimos anteriormente.

Foto: Black Bear/Diamond Filmes. Todos os direitos reservados.
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O diferencial realmente fica com o trio Cavill, Gyllenhaal e Gonzalez mesmo. Gonzalez interpreta uma mulher que comanda uma operação de coleta de dívidas milionárias e é o que podemos chamar da dona da porra toda (no filme, o codinome dela é Mãe, vai vendo!). Pense em Olivia Pope (da série Scandal), mas sem a politicagem da Casa Branca e sem o envolvimento com o presidente dos EUA. Inclusive, Na Zona Cinzenta, pouco tempo sobra para vermos a vida pessoal desses personagens e algumas coisas são apenas sugeridas aqui.

Já os personagens de Cavill e Gyllenhaal soam bem menos interessantes, mesmo que tenham boas piadas de duplo sentido e esbanjam carisma em tela, Ritchie apenas meio que apela para o quão bonitos eles são. Ritchie usa isso no filme mais como uma muleta narrativa do que qualquer outra coisa, abusando ao colocar Cavill para desfilar com calças apertadas e Gyllenhaal para fazer carão com óculos de sol (nada menos do que Prada, marca da qual, curiosamente, o ator é embaixador).

A personagem de Gonzalez, Sophia, é muito boa no seu trabalho, e isso faz com que Na Zona Cinzenta seja um filme sem muitos desafios em termos de história. Afinal, o longa segue aquela cartilha de planos mirabolantes que são contados em tela enquanto vemos a situação se desenrolar na medida em que o time de Sophia recebe a missão de tentar recuperar 1 bilhão de dólares de uma empresa financeira, liderada por uma engravatada de Wall Street (Rosamund Pike após Truque de Mestre 3e que aqui aparece em uma participação breve, limitada praticamente a uma única locação), que investiu em um empresário,o todo-poderoso Manny Salazar (Carlos Bardem), e que deu calote neles.

É curioso ver como as coisas funcionam no mundo desses personagens e a forma como Sophia, a cabeça da operação e seus colaboradores Bronco e Syd, respectivamente, Gyllenhaal e Cavill, os músculos (mas de blusas de seda, como lembra um deles) planejam cercar o empresário de todas as formas quando as tentativas de falar com o advogado dele, um ótimo Fisher Stevens, não dão muito certo.

Dividido por capítulos, e cada um com seu título divertido e inspirado (como Planejamento e Preparação), Na Zona Cinzentaacaba por entreter enquanto vemos Sophia colocar seu plano em execução para conseguir falar com o bilionário cara a cara.

Foto: Black Bear/Diamond Filmes. Todos os direitos reservados.

Das cenas no tribunal, onde os bens do empresário são congelados (e vão desde empresas de telecomunicações até jatinhos, iates e usinas de petróleo), passando por um jogo de gamão que leva um dos personagens a ganhar uma estátua valiosa que contém uma câmera e um microfone escondidos, permitindo que eles descubram a localização das contas espalhadas pelo mundo onde o empresário guarda seu dinheiro, até os momentos de perseguição quando o trio principal chega a uma ilha dominada por Salazar e é perseguido pela milícia que comanda o lugar.

O que rende uma boa cena de perseguição e tiroteiro, talvez a melhor do longa, na medida em que um bando de mercenários invade um bar local minúsculo. Fica claro que Na Zona Cinzenta tem a cara, o focinho e o jeito de um filme de Ritchie. Da forma como o diretor enquadra as cenas, quando temos closes fechados nos atores, ou quando a lente se afasta e mostra tudo em plano aberto, ao texto, já que o humor está fortemente presente no filme e os atores elevam o material de uma forma bem interessante de se acompanhar.

Principalmente Cavill, que em um dos momentos utiliza a carta do turista bêbado que é preso só para se infiltrar em uma delegacia, até as complexas e pirotécnicas cenas de ação e explosão que os personagens vivem enquanto vemos o plano de fuga deles ser executado na medida em que precisam sair da ilha vivos. E claro, nas reviravoltas que marcam a narrativa e que aqui apenas estendem a história um pouco mais. Afinal, Sophia e seu time são tão bons que conseguem resolver tudo e ainda temos mais 20, 30 minutos de filme. Na Zona Cinzenta então trabalha para completar esse tempo com perseguições de moto, criminosos em bando correndo pela cidade, tiros de bazuca e, claro, os personagens tendo que colocar os planos B e C em prática. Enquanto tenta mostrar o quão badass esses personagens são e as situações praticamente impossíveis que eles vivem, Ritchie faz aqui o que faz de melhor.

Nota:

Na Zona Cinzenta chega aos cinemas nacionais em 14 de maio.

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