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Mortal Kombat 2 | Crítica: O que os fãs queriam: a competição!

O primeiro Mortal Kombat foi lançado em 2021, lá no meio da pandemia, quando ainda o boom de filmes de videogame estava no começo, com Sonic: O Filme (2020) como norte, e teve reações mistas. Particularmente, eu achei um filme divertido e que iniciava um novo universo nos cinemas para a franquia de jogos. Mas muitos dos fãs reclamaram que mesmo que tínhamos os personagens clássicos, não tínhamos eles, na competição brutal que os jogos apresentavam.

Photo by Courtesy of Warner Bros. – © Warner Bros.
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E aqui, Mortal Kombat 2 (2026) entrega, enfim, o que os fãs tanto queriam: as cenas de luta desses personagens que foram traduzidos para as telonas na tal competição. E a sequência realmente faz valer as palavras do título “mortal” e “combate”, já que Mortal Kombat 2não poupa ninguém. Os personagens realmente estão ali para vencerem ou morrerem, à medida em que a batalha pela Terra chega a um momento crítico, e o filme capricha nelas e entrega cenas de luta sangrentas, bastante gráficas e violentas, sem dúvidas.

Mortal Kombat 2 se livra das amarras de ter que apresentar o universo, as regras e tudo mais (que ficou lá no primeiro) e vai direto ao que importa: colocar e recriar as cenas de combate a doidado na telona, à medida que os personagens do bem precisam lutar contra as ameaças de Shao Kahn (Martyn Ford), a figura que quer dominar todos os reinos possíveis, e mira um novo reino para se unir ao seu reinado das sombras. 

É como se Mortal Kombat 2 fosse um grande filme de equipe que já apresentou seus membros e só surfa naquilo que já foi introduzido. Claro, temos novos rostos que dão as caras aqui e que realmente fazem a diferença. É o caso de Adeline Rudolph como uma das favoritas dos fãs, Kitana, que chega como uma das protagonistas no longa e para todos os públicos que Mortal Kombat 2quer mirar. Dos fãs mais hardcore para os fãs casuais. Afinal, ela entrega carão, faz um bom uso do leque como arma de combate e também faz valer o título de queridinha dos fãs, principalmente da parcela LGBT da franquia, os “gaymers”. “Mother is mothering” aqui, e Rudolph realmente se destaca no meio de tantos personagens icônicos dos jogos.

E, do outro lado, o ator Karl Urban, que vem surfando em popularidade com a última temporada de The Boys, chega em Mortal Kombat 2 como o humano da vez, que entra no universo de Mortal Kombat como o “escolhido da Terra”: Johnny Cage.

O carisma, o timing cômico e o ar de “171” que Urban entrega como Cage fazem valer a pena outros fatores que deixam a desejar em Mortal Kombat 2. O roteiro de Jeremy Slater (que trabalhou em produções como The Umbrella Academy e o seriado do Cavaleiro da Lua) trabalha muito bem o personagem de Cage, um antigo astro de filmes de ação dos anos 90 que ficou para trás e surfa na nostalgia e no passado. Mas é muito engraçado ver Cage ser jogado nesse universo de luta e combate, quando ele mesmo sempre foi mais da atuação do que da luta.

São curiosas também as referências que o personagem faz a nomes e figuras conhecidas da cultura pop quando cruza com os lutadores, especialmente quando a competição começa. Ou como ele mesmo diz, o Squid Game da realidade paralela em que eles precisam lutar contra Dumbledores e Gandalfs.

Assim, toda a gama de personagens que nos foi apresentada no filme anterior retorna para a sequência, e Mortal Kombat 2 mal se preocupa em reapresentá-los. É o caso de Sonya Blade (Jessica McNamee), Liu Kang (Ludi Lin), Cole Young (Lewis Tan) e Jax(Mehcad Brooks). Todos eles estão ali para lutar, apanhar e bater, e o filme não se preocupa muito em trabalhar eles mais do que o necessário e eles só ganham o destaque quando ficam brilhantes e sabemos que chegou a vez deles na luta.

Photo by Courtesy of Warner Bros. – © Warner Bros.

Mortal Kombat 2 apresenta toda a história de origem de Kitana, as dificuldades que a jovem teve quando Shao Kahn a sequestrou, e ela foi viver com o vilão, sendo vigiada de perto pela guerreira Jade (Tati Gabrielle). Algo semelhante ao que Thanos, Gamora e Nebulosa fizeram nos filmes dos Vingadores. Assim, a sequência já parte para mostrar o que poderá acontecer com a Terra (ou, como é chamado, o Plano Terreno) se o grupo perder mais uma batalha contra o grupo liderado pelo vilão.

E, como falamos, Mortal Kombat 2 não poupa ninguém (ok, quase ninguém, mas não vamos entrar em spoilers). E também traz de volta muitos dos personagens que foram “de arrasta para cima” no filme anterior. É o caso de Kano (Josh Lawson), que retorna também como um alívio cômico, e de Kung Lao (Max Huang), que não só retorna como também entrega a melhor cena de luta do filme junto com Liu Kang.

Mortal Kombat 2 foca no fanservice, nas frases de efeito, nas lutas bem coreografadas e deixa o roteiro em segundo plano. Narrativamente, tudo é muito simples, e o longa coloca as cenas de luta de tempos em tempos para dar uma animada. O diretor Simon McQuoid retorna para a sequência, e faz do que deu certo (principalmente as cenas de ação), um novo acerto aqui, e realmente faz como se estivéssemos numamontanha-russa em que o carrinho não para de jeito nenhum.

No final, Mortal Kombat 2 entrega uma diversão sem muito compromisso, ou alguma coisa que precise de uma trama muito rebuscada para dar certo e entreter. Cumpre seu papel em ser um retorno para esse universo muito mais interessante do que o que o primeiro filme apresentou e sabe trabalhar esses personagens sem culpa de os fazer soar caricatos ou fora do tom. Afinal, Mortal Kombat é isso: um bando de personagens com roupas engraçadas, poderes curiosos e personalidades excêntricas. Talvez seja por isso que as piadas que Johnny Cage faz ao longo do filme soem tão engraçadas. Afinal, não deixam de ser, de certa forma, certeiras sobre o que se pode, e o que se entrega, aqui. 

Nota:

Mortal Kombat 2 chega nos cinemas nacionais em 7 de maio.

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