Mestres do Universo | Crítica: Força de He-Man vem do timing cômico de Nicholas Galitzine

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Reviver uma franquia como He-Man, que fez sucesso nos anos 80, era uma tarefa hercúlea, sem dúvidas. Mas não impossível. Houve um ensaio com as séries animadas na Netflix, mas sinto que o retorno real e oficial do personagem e do universo de He-Man vem agora com esse filme feito pela Mattel e lançado em parceria com a Amazon MGM Studios (que tem tido bons resultados em construir grandes produções de fantasia).

Depois de inúmeras versões, passar por três estúdios diferentes, três atores principais e ser adiado inúmeras vezes, o longa de Mestres do Universo (Masters of the Universe, 2026) sai finalmente, e dá para dizer que dá certo por conta de uma série de fatores, que, isolados, talvez não pudessem dar certo, mas que juntos mostram que esse longa tem a força!

Photo by Photo Credit: Amazon MGM Studios – © 2026 Amazon MGM Studios Content Services LLC
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O primeiro deles, claro, é a visão do diretor Travis Knight para o filme e para esses personagens. Knight já tinha trabalhado em outras produções em live-action antes (como Bumblebee), mas é mais conhecido pelo trabalho à frente da empresa de animação Laika (que lança um novo filme, inclusive, esse ano).

E aqui, esse pedaço de informação é o que faz total diferença. Já que, em Mestres do Universo, Knight abraça o que fez He-Man ser um sucesso lá nos anos 80, com as cores chamativas, o humor mais galhofa e uma excelente construção de mundo, e aplica isso num longa que não tem a preocupação de não soar cafona e exagerado quando precisa ser.

Usando o paralelo dos filmes da Marvel Studios, é como se tivéssemos um filme do Thor só que com o humor de Guardiões da Galáxia. O olhar afiado de Knight, vindo da animação, faz com que esse novo Mestres do Universo se comporte como um filme que parece mesmo que saiu das animações daquela época. E esse sentimento fica ainda mais nítido com a escolha para o Príncipe Adam, com o ator em ascensão Nicholas Galitzine. Ouso dizer que 50% do que dá certo em Mestres do Universo é por conta dele, de seu timing cômico e da forma como o ator britânico resolveu apresentar esse personagem em sua versão moderna.

Afinal, o roteiro de Mestres do Universo não entrega uma coisa muito rebuscada, em termos de história, e sofre por precisar apresentar muitas coisas, muitos conceitos, personagens e narrativas num curto espaço de tempo. Mas, quando a trama de Mestres do Universo deixa a Terra, parte para Eternia e foca mais em deixar Galitzine mostrar a que veio como o personagem, é que o filme decola.

Ao vermos que essa história não é só uma de origem, mas também de certa forma um coming of age, Mestres do Universo usa de quão engraçado Galitzine é e está aqui. O ator já tinha feito alguma coisa assim em Bottoms (lançado lá em 2023 que ele interpretava um jogador de futebol), mas aqui é outro nível. Assim como foi com Ryan Gosling em Barbie e Chace Crawford em The Boys, fica muito claro o quão é difícil fazer o papel do loiro fortão, sarado (nas palavras do Esqueleto) e meio burrinho.

O Príncipe Adam de Galitzine é uma mistura de um nerd desengonçado com alguém que luta para encontrar seu lugar no mundo e, principalmente, a si mesmo, e faz isso de um jeito engraçado e, ao mesmo tempo, legal e emotivo de assistir. Afinal, o Adam de Galitzine é mais um peixe fora d’água do que qualquer outra coisa.

E isso fica claro, principalmente, com a decisão de Adam estar na Terra sabendo quem ele é, e acompanharmos o personagem num trabalho corporativo maçante e com uma chefe mala (uma ótima Sasheer Zamata) enquanto tenta encontrar, depois de anos, sua espada que o faria se conectar com o passado e voltar para Eternia.

Uma Eternia de que ele pouco lembra, mas que ainda está presente na memória. A forma como os roteiristas (aqui Chris Butler, Aaron Nee, Adam Nee e Dave Callaham) contam a história de Adam no filme e que fazem o paralelo de quanto tempo se passou desde que o público viu esse personagem no auge é muito interessante de ser acompanhado. Afinal, de certa forma, Mestres do Universo também acaba por ser o retorno do príncipe Adam aos olhos do grande público.

O texto do grupo serve, então, para ressignificar o personagem para a audiência moderna. É como se eles pegassem aquela cena de Barbie onde a personagem está no banco com a senhora e a ampliassem para a história de um outro loiro que volta para seu planeta natal para salvar o local das garras de um vilão roxo de sexualidade ambígua.

Photo by Photo Credit: Amazon MGM Studios – © 2026 Amazon MGM Studios Content Services LLC

Mestres do Universo tem um toque sensível para lidar com esse arco de Adam na medida que ele retorna para Eternia, precisa se conectar com o Adam que ele deixou anos atrás, se tornar o líder que ele foi destinado a ser e salvar o local. É um olhar sobre masculinidade muito interessante, sem dúvidas, mas que também acaba por ser muito desenvolvimento de personagem de uma tacada só, num curto período de tempo, mas, de alguma forma, tudo funciona.

E se Galitzine está excelente no papel, Mestres do Universo também acerta em cercar o ator com ótimos colegas que também tiram de letra a forma mais cômica e exagerada com que esses personagens, nesse universo, se comportam.

De Camila Mendes, muito bem, que bebe da fonte de Teela da série animada da Netflix e faz uma personagem completamente oposta, mais séria, mais musculosa, mais disciplinada do que Adam; de Alison Brie, que está deliciosamente perversa como a bruxa Maligna, que quer servir seu mestre, mas também tem personalidade própria e vive de caras e bocas; a Idris Elba, que abraça um ar mais canastrão como o Mentor, e até mesmo Jared Leto, que está escondido em efeitos especiais e uma cor azul/arroxeada, mas que entrega boas tiradas e falas.

Do momento que o longa chega num dos ápices do filme, o momento que Adam grita “Pelos poderes de Grayskull!” e se transforma no todo poderoso He-Man, a trama de Mestres do Universo corre para nos entregar outros momentos desse ao precisar levar os rebeldes que resistiram aos ataques do Esqueleto para os portões do castelo onde o vilão se esconde na tentativa de vencerem as forças do mal e recuperarem Eternia.

É meio pah-pum, temos um monte de personagens de Eternia sendo introduzidos (destaque para Jóhannes Haukur Jóhannesson como Fisto), mais uma vez, do lado dos mocinhos, e o trem não para. Mestres do Universo se comporta realmente como um filme de videogame, onde temos pequenos miniarcos a serem desenvolvidos, cheios de pequenos vilões clássicos dos desenhos, capangas do Esqueleto, surgindo antes do embate final dele com He-Man.

Leto, mesmo fora da divulgação, rouba todas as cenas que aparece, desde das piadas para a risada estridente. Ele é um vilão raiz, um vilão é que vilão por ser. Fazia tempo que não tínhamos um assim num filme de fantasia. E enquanto Galitzine e Mendes também têm boas cenas e uma baita química que eles também levaram para fora do filme nas interações na press tour, os dois personagens trocam confidências e precisam achar uma forma de convencer todos os outros membros da liga rebelde de que vale a pena lutar para salvar Eternia.

Assim, mesmo na correria, o longa entrega boas cenas de ação e perseguição, sempre com um toque de bom humor, e claro, sem deixar de objetificar (no sentido menos ofensivo possível) a figura do protagonista que anda por aí com braços gigantes e pernas torneadas (como diz o Esqueleto) e que remete ao desenho clássico.

Travis abusa das cores e dos efeitos visuais para dar um ritmo para Mestres do Universo que precisa fazer sua apresentação a toque de caixa, desenvolver esses personagens, e fazer tudo isso para caber num filme de 2 horas e 30 minutos. Enquanto Esqueleto e He-Man se enfrentam e o destino de Eternia é decidido no braço, Mestres do Universo termina com a sensação de que passamos por um grande episódio, ou pelo menos o primeiro de muitos, e que aqui esse capítulo acaba. Já que quando o filme termina, o que temos é a sensação de que ainda existe muito mais desse universo ainda a ser contado. E eu, particularmente, estou bem empolgado para o que vem pela frente.

Nota:

Mestres do Universo chega com sessões antecipadas em 3 de junho. Estreia no circuito em 04 de junho.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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