Hokum: O Pesadelo da Bruxa | Crítica: Adam Scott num folk horror na pegada “vai dar ruim” o tempo todo.

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Realmente, estrelar a série Ruptura foi um grande divisor de águas na carreira de Adam Scott. Outrora mais conhecido por papéis em comédia, de um tempo para cá o ator conseguiu mostrar uma versatilidade em outros gêneros. E aqui, estrela o terror Hokum: O Pesadelo da Bruxa (Hokum, 2026), que não deixa de ser uma boa aposta no gênero.

Scott é o principal destaque do longa, que chega num momento em que os filmes do gênero continuam a se destacar por não só contar boas histórias, como também fazerem boa bilheteira, ou pelo menos uma bilheteria OK. E tudo isso com um orçamento, em partes, modesto. Dá para ver que apostar no gênero continua a ser uma vitória para todos os envolvidos.

Photo by Courtesy of NEON.
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E em Hokum: O Pesadelo da Bruxa, o que temos é aquele mistério de “por que cargas d’água alguém vai entrar nesse lugar escuro e assustador no meio da noite?”. É tipo uma coisa meio Noites Brutais, só que aqui o que temos é Scott como Ohm Bauman, um escritor em luto, meio grosseirão, que se hospeda em um hotel isolado, meio assombrado, e que tem um quarto em que ninguém pode entrar, mas que pode (ou não pode) estar habitado por uma bruxa. E tudo isso se passa perto de uma festa de Halloween, quando uma funcionária do local some de uma hora para outra.

O mais interessante aqui é que o diretor (e também roteirista) Damian McCarthy sabe muito bem criar uma ambientação bem fantasmagórica e um climinha de suspense e terror, na medida em que vemos Ohm chegar ao lugar e descobrir mais sobre as lendas e os rituais dessa região da Irlanda. É o que chamamos de folk horror, e McCarthy acerta também no desenvolvimento dessa mitologia e no que apresentar para o espectador sobre a lenda da tal bruxa e o hotel onde Ohm vai passar os dias. E como isso se conecta com a própria jornada de luto do autor, que não só está lá para homenagear os pais, como também refletir sobre sua vida e tentar escrever alguma coisa para finalizar a série de livros que o deixou famoso.

O texto de McCarthy sabiamente consegue alterar a narrativa entre alguma coisa mais metafórica e alguma coisa real, uma ameaça real e humana. Sem muitos spoilers, é interessante notar, na medida em que a trama do desaparecimento da jovem garçonete Fiona (Florence Ordesh) ganha mais destaque na história, a forma como tudo isso se conecta com o tal quarto isolado do hotel e o mito da bruxa, que é bastante disseminado pelos funcionários, seja o mensageiro (Will O’Connell), que tem aspirações de ser também um escritor, o gerente do local (Peter Coonan), ou um andarilho (David Wilmot) que perambula pela região e que é quem conta para o protagonista boa parte das coisas.

Photo by Courtesy of NEON.

E, no melhor estilo Scooby-Doo, Ohm parte em busca de respostas e começa a vasculhar o local atrás da jovem funcionária. Hokum: O Pesadelo da Bruxa então começa a ficar mais perturbador, enquanto vemos o autor desbravar os cômodos do lugar e perceber que o hotel abriga algumas paradas bem bizarras, malucas e que envolvem fantasias de coelho com grandes olhos. O longa sabe nos deixar na pontinha da cadeira enquanto oscila entre o que é sobrenatural e o que é a mão humana nessa história toda e olha que os funcionários e o hotel em si escondem umas coisas bem doidas.

No meio de portinhas escondidas em paredes, elevadores de serviço antigos que guardam surpresas bem macabras e um corredor que leva para uma outra porta bem abaixo da estrutura do local, Hokum: O Pesadelo da Bruxa capricha nos jump scares, no sentimento de angústiana claustrofobia que estar naquele lugar, e principalmente preso lá, passa.

Enquanto Ohm lida com seus próprios demônios, ele precisa também fugir de diversos outros que são, como falei, tanto reais quanto figurados. E quando a trama avança e sai do quarto escuro do hotel, a situação fica ainda mais perigosa e intensa na medida em que as peças desse quebra-cabeça são montadas e você, o espectador, percebe o que é preciso para Ohm sair de lá com vida.

No final, Hokum: O Pesadelo da Bruxa surpreendentemente tem bastante coisa para contar e faz isso de uma forma que realmente te deixa aflito com o que está acontecendo. É um filme simples, sem dúvidas, que até daria para dizer que falta um certo nível de rebuscamento, seja na narrativa, seja em locações, figurinos e nomes mais conhecidos no elenco, mas que, na medida do possível, entrega alguma coisa bem crua e visceral. Mal posso esperar para ver o que vai sair da mente de Damian McCarthy em seguida.

Nota:

Hokum: O Pesadelo da Bruxa chega em 21 de maio nos cinemas.

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Miguel Morales

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