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GLOW | Crítica da 1ª Temporada

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Quando a Netflix, anunciou que faria GLOW, uma série sobre luta livre feminina o sentimento de “o que vai sair disso?” se tomou conta da internet. Os 10 episódios de meia hora de duração tem produção executiva de Jenji Kohan a mente por trás das séries Weeds e claro Orange is the New black então alguma coisa boa poderia sair. Assim, na época que os primeiros teasers saíram a série nos mostrou muitas luzes, cabelos gigantes e muito maiô cavado e a dúvida foi ficando cada vez maior. Mas no final, depois que os episódios estrearam não é que a história das Gorgeous Ladies of Wrestling (ou G.L.O.W) é uma comédia bem escrita e com uma trama bacana de assistir?

ALERTA DE SPOILER: Este artigo contém informações sobre alguns dos principais acontecimentos da temporada. Continue a ler por sua conta e risco.

Foto: Erica Parise/Netflix
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Logo no episódio piloto somos apresentados a Ruth Wilder, uma atriz que luta para se destacar na indústria e conseguir um papel em alguma produção dentro dos milhares de testes que ela já fez. A medida que acompanhamos a personagem em sua busca, vemos ela cair de paraquedas numa audição para um programa de TV sobre luta livre feminina que será dirigido pelo já conhecido produtor de filmes trash, Sam Sylvia.

Então Ruth e outras mulheres de diversos tipos, tamanhos e origens se juntam num velho ginásio e tem que aprender a lutar para participarem das gravações do episódio piloto do programa. As coisas ainda ficam mais confusas para Ruth quando sua melhor amiga Debbie Eagan a confronta sobre algumas situações e as duas acabam literalmente tendo uma briga dentro do ringue inspirando ainda mais o diretor a produzir o seriado.

Assim, GLOW tem um visual bem característico dos anos 80, com a trilha sonora fazendo um ótimo ponto para ambientar os espectadores. Os episódios tem drama, comédia e tudo que é a marca característica de Kohan em suas produções e principalmente ela novamente consegue lidar com mulheres de forma complexa mostrando personagens com motivações maiores e bem desenvolvidos e claro alguns segredos no meio do caminho.

O grande trunfo do seriado é não dividir seus episódios por personagens, como em Orange Is New Black, assim todas as lutadoras tem seu espaço pra desenvolver suas tramas. A definição que vemos no episódio 1×02 “Slouch. Submit” em que todo mocinho precisa de um vilão é ótima para o seriado da trama mas no seriado que assistimos acaba que os personagens são bem desenvolvidos que nem precisam ser rotulados dessa maneira. A série tem crítica social, fala sobre gêneros e estereótipos femininos e usa seus 10 episódios para cada uma das lutadores terem sua chance de ganhar destaque em tela e contar sua história mesmo que cada uma não tenha um capitulo exclusivamente focado nelas.

Foto: Netflix

Os grandes destaques de GLOW ficam para as personagens de Carmen Wade, a Machu Picchu, Sheila, a Loba e Tammé Dawson, a Rainha do Bem Estar. Elas mostram personagens engraçados e com pitadas de dramas a medida que conhecemos elas mais profundamente. Ao longo da temporada vemos todas terem algum tipo de evolução e a série caminha junto com as personagens. No 1×03 “The Wrath of Kuntar” temos pela primeira vez as lutadores fora do ringue numa festa na casa do produtor Bash (o exagerado Chris Lowell) já no 1×04 “ The Dusty Spur” vemos elas cada vez mais juntas com um sentimento de irmandade cada vez maior a medida que ficam confinadas no acampamento/motel para melhorarem as relações entre elas.

Talvez seus melhores episódios fiquem para a dupla, 1×06 “This is One of Those Moments” escrito por Jenji Kohan e o 1×07 “Live Studio Audience” onde as meninas acabam por lutar num teste para o episódio piloto do seriado que se passa dentro do seriado. É nessa sequência que percebemos que GLOW é uma grande preparação para uma luta que demora para acontecer, a série é como se fosse um grande filme do Rocky – O Lutador (1976) só que com roupas brilhantes, mulheres treinando arduamente com seus dramas pessoais paralelos aliados com uma trilha sonora super característica em uma grande homenagem aos anos 80.

A atriz Alison Brie brilha mais uma vez na série, com seu jeito doce mas atrapalhado e literalmente oscila entre ser uma personagem chata para uma personagem cheia de empolgação que acaba sendo a grande condutora do seriado. Sua vilã russa Zoya a destruidora é ótima, engraçada e bem caricatada só que de um jeito bom de assistir. O ator Marc Maron também muito bem escalado e mostra tudo que esperamos de diretor que luta para também garantir seu lugar ao sol numa época onde muitas produção importantes para o cinema com Star Wars (1977) e De Volta para o Futuro (1985).

GLOW conta com um visual exótico, um humor não muito escrachado mas bem pontual e excêntrico. A trama ao focar nas suas personagens em vez de simplesmente nas lutas acaba por entregar uma trama simpática sobre um conjunto de mulheres que estão lutando para ter seu destaque na TV.

A série entra na lista de produções como Love, Master of Love e Girlboss que tem uma trama única, com personagens que dificilmente estariam numa produção de tv aberta mas que no serviço de streaming fazem entregam uma ótima série tranquila e gostosa de assistir. Um novo acerto para a Netflix que esperamos que não seja cancelada.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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