Moana (2026) | Crítica: O copia e cola atinge o ápice e problemas escondem aqui mais coisa por trás dessas adaptações

É curioso notar como existem mais coisas envolvendo os remakes da Disney do que apenas os projetos em si serem baseados nas animações de sucesso. E Moana (2026) é o novo deles e o mais recente exemplo de por que esses filmes, mesmo que lucrativos, têm sido alvos de muitas críticas da parte do público e da crítica, onde muito desses projetos já vêm com um prejulgamento antes mesmos das pessoas assistirem o filme completo.

Se é totalmente diferente da animação, como Mulan e Branca de Neve, o filme é criticado; se é um “copia e cola”, como Como Treinar o Seu Dragão (do estúdio rival), O Rei Leão e Lilo & Stitch, também é criticado. Mas com o live-action Moana essa onda de “copia e cola” atinge o ápice e realmente mostra que tem mais coisa por trás disso.

O grande problema, talvez, com o live-action de Moana é estrutural e de conceito. Afinal, ao optar por fazer poucas mudanças na história e seguir a linha da animação de 2016, o projeto em live-action não deveria fazer sucesso? Afinal, a animação fez sucesso. É a mesma história, certo? E é aí que a situação se encaminha para ser mais do que “esse live-action é um lixo” e as discussões rasas das redes sociais que têm rolado sempre que a Disney anuncia, promove e lança um novo filme.

Catherine Laga’aia as Moana in Disney’s live-action MOANA. Photo courtesy of Disney. © 2026 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.
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Mas aqui fica claro uma coisa: Moana, o live-action, por mais narrativamente parecido que seja com a animação, não tem o mesmo brilho (para o pavor do Tamatoa) que o filme original teve. E ao assistir ao filme, a conclusão que fica é que o problema todo gira com um problema fundamental: em uma animação é possível fazer mais coisas do que em uma versão com humanos. Claro, dá para fazer, e o filme faz, mas todo o espetáculo é diluído e metade da graça é deixada de lado. Foi assim com as sequências musicais de A Bela e a Fera, as de A Pequena Sereia e os números musicais de O Rei Leão e é assim com Moana, o live-action.

É como se esses filmes dessem um passo menor do que o possível, em termos grandiosidade, e que tudo é condensado para manter o realismo que uma versão live-action exige, afinal, é uma adaptação daquela história para o mundo real daqueles universos que tem pedras mágicas, semideuses, e vulcões em formato de pessoas.

E se Moana, o live-action, não vai além para se distanciar da versão animada, fica claro também que, como filme, esse longa tem seus problemas. E muitos são problemas de produção mesmo. Como não foi possível recriar as mesmas cenas, pelo menos visualmente, que as da animação, o sentimento de deslumbre e empolgação é afetado ao ver o filme. Principalmente nos momentos musicais. E os mesmos que foram os grandes destaques da animação lá em 2016.

“Saber Quem Sou”, a conhecia I want song da protagonista, por exemplo, não tem a mesma força aqui por conta da coloração amarelada escolhida para as cenas ao ar livre. De Nada não tem o mesmo frescor, graça e empolgação de saber mais sobre esse personagem do semideus Maui e o que temos é um ator conhecido por não ter cabelos surgir com uma peruca da 25 de março em tela. E Brilhe, por mais que seja um dos poucos momentos em que os efeitos especiais estão bons, e tem a presença do Tamatoa, o icônico caranguejo gigante amante de objetos, não tem o mesmo tom debochado e jocoso da contrapartida animada.

As músicas estão ali, são as mesmas, empolgam, e servem para cumprir seu papel, mas não ajudam a esconder os inúmeros problemas que o filme tem. E parece que não são só os problemas técnicos do filme que prejudicam o seu desenrolar. Afinal, Moana, o live-action, sofre com uma má iluminação, onde tudo soa um pouco artificial, efeitos especiais que em boa parte do filme (seja com os animais, como o galo, ou o exército de coquinhos) deixam a desejar, e as perucas são bem ruins e tiram o foco do filme, mas acho que o carisma de Catherine Laga’aia e de Dwayne Johnson ajudam o filme.

Claro, Johnson está um tom a menos que a energia caótica que Maui tem na animação e você precisa lutar muito para não ver o personagem como o The Rock de peruca e uma roupa cheia de tatuagens, mas, ao mesmo tempo, não daria para ser outra pessoa sem ser o ator tão marcante na animação. A praticamente novata Laga’aia tem seus momentos, principalmente nas cenas mais dramáticas e que envolvem a avó (Rena Owen), mas falta também à atriz uma certa malemolência e sagacidade que a Moana na animação tinha e que aqui deixa a desejar.

Dwayne Johnson as Maui in Disney’s live-action MOANA. Photo courtesy of Disney. © 2026 Disney Enterprises, Inc. All Rights Reserved.

Mas tanto o live-action quanto a animação surfam em coisas mais importantes, como a mensagem que a história oferece. Já que Moana, o live-action, também, assim como foi a animação, é sim uma história de empoderamento e um coming-of-age extremamente poderoso e que trouxe muita representatividade para jovens mulheres e garotas. E o filme replica isso, sem dúvidas, então ver a jornada de Moana com personagens em carne e osso é uma experiência muito interessante de assistir.

Mas, ao mesmo tempo, é um filme que já vimos, que não tem nada de mais ou novo, e que em alguns momentos até soa um pouco arrastado. Então, realmente, a grande jornada de Moana, de sair da ilha de Motonui em busca de levar Maui para colocar novamente o Coração de Te Fiti no lugar certo, é mais do que enfrentar esse oceano, e sim todos os problemas que envolvem desde a concepção à execução, o produto final, que por mais que não seja incrível, tem seus momentos (que são poucos, mas existem, sem dúvidas).

A versão acerta com as músicas, que continuam as mesmas e continuam cativantes (Lin-Manuel Miranda, né?), e na mensagem em si do longa é a mesma que vimos na animação. No final, o filme não é de todo ruim, é assistível, claro, mas tem diversos problemas que realmente não dá para passar em branco. Afinal, a Disney já está fazendo há uma década também essas versões, então achar o equilíbrio certo dessas adaptações tem sido o maior vilão dessa divisão do estúdio, muito mais que fadas ressentidas por convites extraviados, conselheiros que estão de olho no trono e viram gênios, e até mesmo madrastas vingativas.

A internet vai sempre ser a internet e, contanto que o live-action de Moana faça ondas iguais o filme de animação fez no streaming, a máquina de live-action do estúdio vai continuar a todo vapor.

Nota:

Moana está em cartaz nos cinemas nacionais.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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