Demolidor: Renascido – 2ª temporada | Review: Começa com soquinho depois vira porradaria

Mais Demolidor, menos Matt Murdock! Passando para avisar caro leitor que se você começar a segunda temporada de Demolidor: Renascido e achar que ela tá fraquinha, ou não tá bacana, pode ficar tranquilo que sim, ela fica boa com o tempo.

É o famoso “essa série fica boa quando você chegar no episódio tal” que ficou popular ultimamente com a proliferação de produções no streaming e a disponibilidade de todos os episódios serem disponibilizados de uma vez que não só afetaram a forma como assistimos seriados, mas também na forma como eles são feitos, editados e tudo mais.

Photo courtesy of Marvel Television. © 2026 MARVEL.
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Mas Demolidor: Renascido terá episódios semanais e dar esse aviso é bom. Afinal, quando eu vi os primeiros episódios da atração (eu vi, de uma vez, os 3 primeiros seguidos) meu sentimento foi: “Nossa mais do mesmo” e “Parece uma rebarba de episódios do primeiro ano.” Mas isso não quer dizer que o novo ano seja ruim, por que não é, pelo ao contrário, é mais brutal, pesado, e que realmente coloca muita coisa em perspectiva e mostra ainda mais como as consequências de certas decisões de personagens vão realmente os afetam nessa nova etapa das jornadas que eles tem percorrido.

Mas nesse começo, tirando, talvez, o que movimenta a trama seja a introdução do personagem do ator Matthew Lillard, o misterioso (que permanece misterioso por boa parte da temporada) Sr. Charlie, afinal, Demolidor: Renascido meio que segue a narrativa, mesmo que sem muita delonga, do que vimos nos eventos do final de temporada da atração.

Com o prefeito Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio, muito bem e com o personagem muito mais imprevisível aqui na nova leva) e sua esposa Vanessa (Ayelet Zurer) comemorando a dominação de um dos portos de Nova York para suas atividades criminosas e com a Força Tarefa Anti Vigilante tomando as ruas de Nova York, indo atrás das figuras mascaradas, burlando as regras e tudo mais. 

Não deixa de ser sim um repeteco do que vimos na primeira temporada de Demolidor: Renascido, mas também serve como um aquecimento para voltarmos para o estado de ebulição que a cidade e os personagens estavam depois da eleição de Fisk. Afinal, com o Prefeito Fisk convencido que a sua iniciativa de “limpeza da cidade” ainda é bem aceita por boa parte da população (pelo menos a mais rica) e com Matt Murdock (Charlie Cox muito bem) e Karen Page (Deborah Ann Woll) escondidos, Demolidor: Renascido parecia que ia cozinhar o público e a narrativa um pouco mais. E até faz isso.

Mas vendo a temporada como um todo, fica claro que os primeiros 3 episódios servem para a série dar uns soquinhos de aquecimento para a porradaria que a outra parte da atração, são 8 episódios para o segundo ano, entregue um sentimento alucinante de tudo ou nada para a cidade, para esses personagens, e pela rivalidade entre Demolidor e o Rei do Crime e também suas figuras civis Matt Murdock e Fisk.

Se o primeiro ano foi marcado pela discussão das máscaras, dos vigilantes e a ascensão de Fisk no poder, o segundo ano é sobre como essas figuras públicas vão se posicionar nessa nova etapa do jogo de xadrez e aqui é o momento dos vigilantes e da “força rebelde” atacar e ganhar mais força.

Demolidor: Renascido não perde a chance de já estabelecer as bases da fundação da narrativa nesse começo para depois lá pelo quarto episódio mudar toda a narrativa e “renascer” a trama com mais um evento histórico e marcante para alguns personagens. 

Photo by Jojo Whilden. © 2025 MARVEL.

O sentimento que fica é que Demolidor: Renascido não teve medo de nada nesse segundo ano e arriscou e muito o que poderíamos esperar da narrativa. Não se engane com o início lento, Demolidor: Renascido avança a história, a narrativa, e o destino dos personagens sem medo nenhum de mudar o jogo.

Afinal, se o primeiro ano de Demolidor: Renascido deu golpes em Matt Murdock, o segundo dá em Wilson Fisk. E isso só deixa o personagem muito mais reativo, de uma forma mais visceral, do que o grandalhão mais contido que D’Onofrio tinha entregado. O mesmo vale para Cox que realmente vai a fundo na medida que vemos Matt/Demolidor precisar fazer escolhas moralmente muito mais difíceis do que as do passado. 

E com o retorno de Jessica Jones (Krysten Ritter que traz um sentimento de ampliação de mundo para o novo ano, mas que demora um pouco para aparecer) e do Mercenário (Wilson Bethel, muito bem principalmente no episódio 2), para o lado dos “aliados”, assim como da jovem Angela Del Toro (Camila Rodriguez) que segue para querer vingança da morte do Tio, a jornada de Karen Page e Matt Murdock por mais difícil que se torne ao longo da temporada é um que eles podem trabalhar em grupo. 

A parte de ação, onde pelo menos temos uma cena de luta muito boa em cada episódio, fica reservada quando o Demolidor aparece (com um novo uniforme) e precisa salvar a população da força tarefa que segue em cima por ordens de Fisk. Já o prefeito precisa lidar com o já citado Sr. Charlie, com sua equipe (Michael Gandolfini, Zabryna Guevera e Arty Froushan) e ainda a chegada da governada (Lili Taylor) que quer colocar o político na linha. Já os membros do gabinete seguem com as suas narrativas paralelas, seja do jovem e ambicioso jovem Daniel Blake (Gandolfini, muito bem) com a jovem BB Urich (Genneya Walton), ou até mesmo da dra Heather Glenn (Margarita Levieva) que retorna e agora ajuda o prefeito a analisar o comportamento para gerar provas para os julgamentos dos vigilantes. 

O segmento do BB Report continua, e ganha uma atualização, afinal, além de termos um que serve para mostrar para a população de Nova York como está tudo bem, temos outro, muito mais assertivo que conta as coisas como realmente elas são e é apresentado por uma figura misterioso que usa uma máscara de Fisk de látex para de forma debochada apresentar as coisas. 

E parte do caso dia/julgamento tem seu espaço no segundo ano de Demolidor: Renascido, mas ganha mais força lá pelos episódios finais, principalmente quando a advogada Kristen (Nikki M. James) retorna a ter destaque na narrativa. E isso não impede que a atração continue a entregar aquilo que entregou em termos de violência e comentários sociais, mas aqui Demolidor: Renascido não perde o tempo (quando para de perder tempo na verdade) para fazer as coisas acontecer, garantir surpresas com retornos de personagens, e deixar a trama total em aberto para uma nova temporada que já foi confirmada e que promete ser diferente do que vimos até então nesses dois anos. 

No vai ou racha, o segundo ano de Demolidor: Renascido decidiu ir para a segunda opção, onde realmente elevou tudo que vimos e sabemos desses personagens e as dinâmicas que eles estavam vivendo. No final, Demolidor: Renascido entrega uma temporada bastante impressionante, não só pela ousadia narrativa, mas também por continuar a reinventar esses personagens e a forma como eles lutam entre si.  

Demolidor: Renascido chega em 24 de março com 1 episódio disponível, 2 episódios na próxima semana e depois 1 novo episódio toda terça-feira, toda semana, até o final de temporada em 5 Maio.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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