A Netflix liberou a primeira série de sua parceria com o produtor, roteirista e ator Kenya Barris, a série é uma comédia misturada com documentário estrelada pelo produtor como uma versão dele mesmo, e toda sua família, onde sua esposa é interpretada por Rashida Jones. #blackAF é interessante, toca em temas muito bons e desenha bem a evolução dos negros norte-americanos.
Barris é conhecido pelas suas séries exibidas na ABC e Freeform e todos os seus spin-off, como black-ish, grown-ish e mixed-ish em que abordam temas relevantes a comunidade negra e que ensinam aos outros as dificuldades deles em ascender. O documentário se usa muito disso para mostrar como cada símbolo que se usam é para se livrar dos agouros da escravidão.
Lógico que tem momentos bem non-sense e que não agradam muito, mas em um contexto geral é uma série gostosa de assistir, principalmente pelo talento de seu elenco, que além de Barris e Jones, tem Iman Benson, Genneya Walton, Gil Ozeri, Scarlet Spencer, Justin Claiborne, Ravi Cabot-Conyers e Richard Gardenhire Jr., além das participações especiais de amigos de Barris como eles mesmos, tais como Ava DuVernay, Will Packer, Tyler Perry, Issa Rae, Tim Story, Scooter Braun, Lena Waithe e Steven Levitan.
Durante seus 8 episódios acompanhamos os dramas da família Barris diante da fama, mas também de como eles ficaram exagerados e como carros e quadros caros passam a ser constantes em suas vidas. Mas temos momentos em que suas filhas Drea e Chloe buscam mostrar aos irmãos que eles eram pobres, que sua mãe trabalhava loucamente para conseguir manter a casa enquanto Kenya buscava vender seus projetos.
Os momentos em que mostram as conquistas dos negros e como eles se orgulham muito disso são os melhores momentos de #blackAF, como a explicação da adultização das meninas negras desde a época da escravidão, ou como desde cedo por não ter uma figura paterna, os jovens negros são vistos como marginais.
#blackAF neste ponto é muito interessante, mas peca nas escolhas das tramas, como o uso de drogas de Kenya e Joya, ou o reforço a briga entre as irmãs Chloe e Drea. No fim temos diversos momentos que muitas séries de comédia sempre exploram, como o filho mais novo “encapetado”, o mais “santinho”, a adolescente rebelde, as duas jovens que brigam por uma ser mais atirada e a outra mais nerd.
Só que aqui temos Drea, que “criou” este documentário para entrar na NYU em cinema, e ela ao lado de Kenya conversam muito sobre o negro na mídia, a conversa dela com a mãe Joya sobre o papel da mãe e trabalhadora também é interessante, e são nesses momentos que #blackAF se fortalece.
#blackAF é o primeiro projeto de Barris a estrar no serviço de streaming, que ainda tem Um Príncipe em Nova York 2 a caminho. Ah! #blackAF significa “black as fuck“, algo como “preto pra porra” reforçando o orgulho de sua raça.
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