Quem diria que um longa sobre ovelhas que falam, gostam de histórias de true crime e investigam um caso no interior da Inglaterra entregasse um bom mistério? Elementar, meu caro leitor, eu não estava esperando nada de As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives, 2026), mas, ora, ora, parece que temos aqui uma grande surpresa com esse filme estrelado por Hugh Jackman e diversos outros nomes conhecidos de Hollywood.
Afinal, a premissa curiosa e diferente que temos aqui é apenas uma das variáveis que fazem o longa funcionar e ser uma das grandes surpresas de 2026, até o momento. Para os fãs de tramas de mistério, As Ovelhas Detetives acaba por reunir diversos personagens, além das titulares ovelhinhas, que parecem ter saído de um romance de Agatha Christie ou até mesmo de um filme da franquia Knives Out.
E isso fica claro, logo de cara, quando o lendário leão do estúdios MGM (hoje Amazon MGM Studios) em vez de rugir, solta um méééé. O roteirista Craig Mazin (que baseou o longa no livro de Leonie Swann) consegue criar personagens que, ao mesmo tempo, soam carismáticos, enigmáticos, como figurinhas clássicas dessas histórias do gênero, mas faz com que todos eles tenham sua função na narrativa e ajudem a história de As Ovelhas Detetives a ser desenvolvida. E claro, o mistério da trama, a ser solucionado.
E não pelo detetive Tim (Nicholas Braun), nem pelo jornalista Eliott (Nicholas Galitzine), e sim pela ovelha Lily (voz de Julia Louis-Dreyfus), que lidera o bando e vê o pastor George (Jackman) morrer em uma noite chuvosa, o que gera uma série de acontecimentos que não só afetam os animais como também os diversos outros moradores da cidadezinha, que também se tornam suspeitos do crime.
É como se As Ovelhas Detetives fosse um grande coming of age, só que as ovelhas, descobrindo que existem mais coisas entre os pastos que elas sempre viveram e foram bem alimentadas por George. E não só fisicamente, mas também coisas do sentido mais filosófico das coisas como diversos questionamentos que elas possuem, como por exemplo, para onde ovelhas vão depois morrem, sobre ovelhas que nascem no mês de inverno e tudo mais. De certa forma, o que As Ovelhas Detetives quer dizer é que não podemos julgar um livro pela capa.
E por livro, um romance policial, um murder mystery. Afinal, “Quem matou George?” se torna a grande pergunta central do longa, e uma que os personagens e animais repetem enquanto tentam investigar as pistas daquela noite. E é curioso notar o certo humor que o roteiro de Mazin coloca no texto do filme e como faz piada com o fato de que aquelas ovelhas viciadas em histórias de mistério, que eram contadas por George, sem ele saber que elas não só entendiam, como também ficavam aguardando o dia seguinte para saberem a resolução delas, acabam por embarcar num mistério na vida real.
Assim vemos elas seguirem as pistas, e a fórmula dessas histórias de murder mystery, para investigar o acontecimento que afeta suas vidas e a forma como vivem, quando decidem não esquecer a figura de George e o que ele representa. E, claro, pelo fato de que, com a morte dele, a fazenda, o local onde elas vivem, pode ser vendida para os vizinhos, já que a filha afastada de George, a jovem Rebecca (Molly Gordon), se torna a principal suspeita.
Assim, As Ovelhas Detetives se torna um filme sobre encontrar o verdadeiro culpado antes que tudo mude ainda mais para esses animais. Principalmente quando a trama começa a apontar para diversos outros moradores da cidade: seja o Reverendo Hillcoate (Kobna Holdbrook-Smith), que tem um passado atribulado com George; Caleb (Tosin Cole), o vizinho da fazenda do lado que não trata muito bem as suas ovelhas; Beth (Hong Chau), a dona da pensão local com quem George teve um envolvimento; ou até mesmo a advogada Lydia (Emma Thompson), que chega para ler o testamento e dizer que George deixou uma grande fortuna.
Após anos na franquia animada de Minions e Meu Malvado Favorito, o diretor Kyle Balda consegue se sair bem com as figuras feitas por efeitos visuais das ovelhas e meio que usa o melhor dos atores, que, como falamos, soam um pouco caricatos, mas abraçam esse ar de “filme da Sessão da Tarde” que As Ovelhas Detetives tem e passa.
No final, o mistério me deixou curioso ao longo do filme, em que eu tentava reunir as pistas para desvendá-lo junto com os personagens, enquanto o longa consegue amarrar as pontas de uma forma ágil, sem muita enrolação e sem subjulgar o espectador. Não sei se é efetivamente um filme para crianças, talvez para os pequenos de 11 ou 12 anos, mas entrega de fato uma diversão sem muito compromisso. E mesmo com cara de filme de streaming, consegue ser muito mais interessante e melhor do que as ofertas atuais no streaming.
As Ovelhas Detetives chega nos cinemas nacionais em 07 de maio.
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