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Águas Profundas | Crítica: Longa com Ben Affleck e Ana de Armas é mais carão dos dois do que suspense

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O que é mais importante num relacionamento: palavras ditas ou ações? É basicamente com essa pergunta que o longa Águas Profundas (Deep Water, 2022) trabalha em boa parte de sua história sobre um casal e seu relacionamento nada convencional.

Parte Garota Exemplar (2014) por conta das semelhanças superficiais como ser uma adaptação de livros, ter Ben Affleck em papel chave, e um mistério com reviravoltas, parte suspense picante com dois atores conhecidos em Hollywood e que fofocas a parte começaram a se envolver pessoalmente durante a produção do longa, Águas Profundas apenas fica no apelo mais ousado de seus protagonistas do que efetivamente entregar um bom suspense. 

Chama a atenção? Sim. Você se sente tapeado quando o filme termina? Também sim. Mas isso não quer dizer que Ben Affleck e Ana de Armas não tenham química e não funcionem juntos no longa. Dentre todos os problemas, de tudo que não dá certo no longa, as interações, e algumas passagens que Affleck e Armas entregam são quase a única coisa que salvam o projeto. A participação dos dois, e as cenas que dividem juntos em Águas Profundas fazem do filme ficar 100% melhor, e definitivamente se fossem outros atores aqui nesses papeis esse filme da finada 20th Century FOX talvez nunca veria a luz do dia.

As trocas de olhares, as dinâmicas que esse casal criam, e efetivamente a sutil formação desse jogo de gato e rato mais intenso e forma como a dupla nos apresenta sua relação assim por dizer diferente do tradicional é o grande trunfo do longa. Chega a valer o play? Acho que sim. Tem coisa muito pior rolando por aí.

Ben Affleck em cena de Águas Profundas
Foto: 20th Century Studios/Hulu/Prime Video
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Desde do olhar sedutor e enigmático de Melinda (Armas), até o olhar frio e que parece sempre calcular alguma coisa de Vic (Affleck), Águas Profundas gasta majoritariamente boa parte do seu tempo tentando fazer o espectador gostar (ou ficar do lado) de cada um de seus protagonistas na medida que o relacionamento desse casal é exposto para nós, os espectadores, e vemos Vic e Melinda irem para festas, cuidarem da filha (Grace Jenkins), irem para mais encontros sociais com amigos, e então descobrimos, e sabermos mais, como a dinâmica entre eles funciona. É quase um casamento aberto? Mas será que é isso mesmo?

O que acontece, como um bom filme do gênero novelão, é que em cima de tudo isso, temos mortes misteriosas que começam a rondar esses eventos, e claro o texto de Zach Helm e Sam Levinson (baseado no livro de Patricia Highsmith) começa a fazer um zig-zag na história ao tentar fazer o espectador se indagar sobre a real responsabilidade de Vic em tudo isso. Afinal ele é o suspeito número 1 e o filme te faz indagar: seria o marido o responsável pelo desaparecimento de todos os recentes novos “amigos” de Melinda? Seria tudo uma grande coincidência? Estaria Melinda envolvida de alguma forma nisso tudo? Talvez o mais interessante aqui seja com o fato que Águas Profundas não faz essas perguntas de uma forma sutil e sim abertamente na trama, com elas saindo da boca de alguns personagens ao longo do filme, e chocantemente, a resposta não é aquilo que esperamos em boa parte delas na medida que algumas reviravoltas surgem lá nos momentos finais.

Águas Profundas trabalha com momentos que você fica totalmente do lado de Vic, outros totalmente de Melinda, e outros que todos eles são culpados por tudo que acontece com seus relacionamento, e quase nunca temos a certeza de que cada vez era a vez certa. Assim, em boa parte do filme, a sinceridade dos personagens do longa é posta em cheque, onde precisamos juntar as peças para tentar descobrir o que realmente acontece por aqui.

É como se Águas Profundas nos colocasse no lugar do personagem do vizinho desconfiado do Sr. Lionel (Tracy Letts) para investigar tudo, principalmente depois que uma reuniãozinha de vizinhos acaba com um corpo na piscina para o choque de todo mundo envolvido naquela noite. 

Assim, a passagem de cada um dos “amigos” de Melinda pela trama, causam efeitos catastróficos para o relacionamento do casal, seja o modelo Joel (Brendan Miller), o pianista Charlie (Jacob Elordi) ou a figura do passado de Melinda, o charmoso Tony (Finn Wittrock). Todos eles servem para nos deixarmos com as nossas percepções sobre a dinâmica do casal alteradas na medida que as coisas acontecem.

A deterioração da relação de Vic e Melinda, e a forma como novos “amigos” são introduzidos na trama, e na vida deles, faz com que a dupla de atores entregue alguns bons diálogos ao longo do filme, onde faíscas rolam entre eles, e a linha tênue entre o amor e ódio que o casal sente é traçada constantentemente. A energia magnética entre Affleck e Armas pulsa em tela e quando juntos é impossível desviar o olhar de seus personagens, é um misto de vouyerismo com uma curiosidade de querer saber o que vai acontecer, e quem, efetivamente vai acabar se dando melhor nessa história toda, afinal, fica claro que existe alguma coisa quase como um jogo de sedução entre eles rolando, mas nada nunca é 100% explicado.

Ana de Armas em cena de Águas Profundas
Foto: 20th Century Studios/Hulu/Prime Video

Assim, cabe ao espectador ler nas entrelinhas, nas frases ditas por eles, onde normalmente envolvem a personagem de Armas com uma taça de vinho nas mãos e um Affleck sem paciência, e claro nas atitudes que esses personagens tomam ao longo do filme. E assim efetivamente fica claro que Águas Profundas não está ali para entregar uma alucinante história cheia de suspense e reviravoltas e sim, uma trama simples, e quase rasa assim por dizer, que se camufla atrás das cenas mais ousadas entre Affleck e Armas, uns flashbacks extremamente desnecessários para construir esse mistério, e respostas que estão ali à nossa vista, prontas apenas para alguém as dizer em voz alta em tela, e para nós, espectadores, seguirmos nossas vidas, assim como Vic e Melinda fazem a cada novo capítulo da relação dos dois, ou pessoa nova que entra no profundo e complexo relacionamento que eles dividem. 

Águas Profundas chega em 18 de março no Prime Video.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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