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X – A Marca da Morte | Crítica: Terror entrega uma eXperiência bem eXperimental

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E um dos filmes que movimentou o mundinho do film twitter no começo de 2022 finalmente desembarca nos cinemas nacionais. Trata-se de X – A Marca da Morte (X, 2022) do diretor Ti West que conseguiu reunir diversos nomes conhecidos em Hollywood para contar essa história de terror, digamos assim, um pouco diferente.

X – A Marca da Morte inventa a roda, e muda a forma como o terror será visto e analisado por gerações lá na frente? Não. Mas também entrega uma experiência bem bacana, num cinema quase experimental para contar essa história e que definitivamente tem seus méritos. É como se West resolvesse prestar homenagem para a história do cinema, do terror, e com X – A Marca da Morte colocar tudo isso no mesmo filme. 

Jenna Ortega em cena de X – A Marca da Morte
Foto: A24/MGM/Play Arte Todos os diretos Reservados
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Autorreferencial, com uma metalinguagem bem trabalhada, e um cenário rural bem fantasmagórico, são pontos que ajudam X – A Marca da Morte a entregar um bom divertimento de terror. O que temos aqui é uma produção com uma ambientação super convidativa na medida que vemos esse grupo de pessoas chegarem nessa fazenda isolada que sabemos que vai dar algum tipo de confusão no minuto que eles passam pelos portões e que nos entrega uma coisa bem gore e violenta, e cheia de cenas que foram feitas para virarem gifs pelo film twitter, o público alvo que esse filme tenta atingir.

Na medida que, o meio malandro, com uma pinta 171, Wayne (Martin Henderson), e os atores Maxine (Mia Goth), Bobby-Lynne (Brittany Snow, ótima) e Jackson (Kid Cudi) chegam com a equipe de produção formada pelo casal RJ (Owen Campbell), um diretor inexperiente com um desejo de mudar a forma como os filmes são feitos e Lorraine (Jenna Ortega, incrível) que ajuda a captar o áudio, desembarcam com a ideia de gravar um filme no local sabemos que boa parte deles, ou nenhum deles, vai sair de lá vivo. Afinal, o dono do lugar, um ex-soldado super idoso (Stephen Ure, numa caracterização impressionante) parece que não tá para nenhuma brincadeira na medida que aluga a casa do lado da sua propriedade para o grupo.

Brittany Snow, Kid Cudi, Owen Campbell, e Jenna Ortega em cena de X – A Marca da Morte
Foto: A24/MGM/Play Arte Todos os diretos Reservados

E ao mesmo tempo que você entra para assistir X – A Marca da Morte meio que com a história já mapeada por West, propositalmente, o diretor muda toda a nossa concepção do que esperar do filme e o que vai apresentar. O x da questão com X – A Marca da Morte é que West trabalha na imprevisibilidade e no choque para contar essa história. Das reviravoltas, para as camadas que são desenvolvidas com os personagens, mesmo que de uma forma forma rápida e curta, e o tipo de mensagem que West (que também assina o roteiro) quer passar com o filme, tudo começa a ser trabalhado e entregue na medida que a noite se aproxima e as pessoas se instalam para dormir.

A entrada da misteriosa mulher Perl (uma irreconhecível Mia Goth embaixo de uma maquiagem incrível, e em dois papéis) muda completamente a dinâmica de X – A Morte da Morte. A esposa do fazendeiro nunca aparece direto, e no começo, achamos que West vai dar uma de Alfred Hitchcock com Psicose, mas o diretor promete alguma outra coisa perturbadora em seu filme.

O tom slasher e tenso assume a frente e X – A Marca da Morte embarca numa aventura de piração super sanguinária, mas quase nunca vai para onde você espera que o filme vá. Seja nas mortes, na forma como eles morrem ou ainda mais nas motivações dessas mortes que realmente são feitas de uma maneira bem estridente em tela.

Parece que West sempre tem uma carta na manga e isso deixa um filme com um tom muito interessante mesmo que bastante imperfeito em sua execução. Afinal, nada é muito o que parece ser, e isso fica claro também pelas atuações caprichadas dos atores, desde de Goth que realmente se encontrou no mundo de terror depois de Suspíria – A Dança do Medo, até mesmo de Ortega que tem se destacado com uma das atrizes mais talentosas da sua geração e que entrega cenas de diálogo e debates bem intensos com os outros personagens na medida que sua personagem quer deixar os bastidores do filme, é um filme adulto, e estar em frente às câmeras.

Os temas de morte, envelhecimento, sexualidade, e imortalidade são debatidos na mesma intensidade que West tenta dar uma chocada na audiência, às vezes, só pelo valor do choque, mas que para os fãs do gênero slasher acabam por ser uma boa pedida.

Mia Goth em cena de X – A Marca da Morte
Foto: A24/MGM/Play Arte Todos os diretos Reservados

Existe um por que de Goth interpretar suas personagens aqui, onde West tenta fazer um paralelo entre as duas personagens muito interessante e ao mesmo tempo muito louco na medida que as duas buscam ser alguém conhecido, vista e reconhecida e se livrar das amarras impostas por outras pessoas e querem trilhar seu próprio caminho. Apenas uma delas consegue, já avisamos.

Como falamos, algumas passagens, alguns momentos soam um cinema bem experimental, mas como o filme se passa boa parte por trás das câmeras de alguém sem experiência no gênero, fica claro a intenção do diretor em contar a história dessa forma. No final, X – A Marca da Morte não muda do gênero, não inaugura nenhum novo sub-gênero dentro do terror, mas promete marcar um x na lista de filmes que vão ser lembrados como os destaques do ano, sem dúvidas.

X – A Marca da Morte chega nos cinemas nacionais em 11 de agosto.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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