The Good Doctor mais uma vez traz um tema polêmico para ser discutido, mesmo que de forma rasa, pela visão de Shaun, que precisa compreender como funciona a diferença entre o ser biológico e a identidade que a pessoa tem. Além disso, a série traz uma nova personagem para ficar no pé de Browne, dando até mais espaço para a personagem.
Toda a conversa em cima do fato de Shaun chamar Quinnie de “ele” ao invés de “ela” foi bem dosado, Kalu também soube argumentar com o colega de trabalho e aos poucos ele foi aprendendo na convivência com ela que há sempre espaço para a aprendizagem. As conversas deles foram simples, mas é essa inocência de Shaun que nos pega de jeito. Quando ele finalmente compreende a complexidade da paciente e a aceita, ele passa a chamá-la de “ela”.
A questão de Quinnie ficou com a avó, que acha que aquilo é temporário e que Quinn logo voltará ao “normal”, mas os pais dela já a aceitam assim, principalmente depois que ela tentou se matar ao não se ver aceita. O processo ficou em cima do fato de haver a necessidade da retirada de um dos testículos e a decisão em já remover os dois, mas os pais dela, contrariando, resolve manter um e depois eles veem o que faz.
Browne agora tem a nova residente, Morgan, na jogada para a decisão do conselho em quais profissionais manterão após o período e a forma como as duas acabam lidando com as situações são completamente opostas. Browne é mais coração, se entrega aos pacientes, enquanto Morgan faz o necessário para seguir em frente, nem que para isso pegue as ideias de Browne e a deixe até mesmo em segundo plano nas ações que Melendez passa para elas. Gostei do médico no fim dar uns toques para Browne, principalmente quanto a “estudar” sua inimiga.
A série também trouxe mais sobre Andrews e sua esposa Barnes, onde ambos estão buscando uma clínica de fertilidade e chega a ser engraçado quando ele começa a jogar os problemas nas costas da esposa, de como ela preferiu jogar isso para frente, e no fim, depois das brigas, ele descobre que ele é quem tem problemas na contagem de espermatozoides. Ainda mostram como isso afeta o personagem, parecendo bater em sua masculinidade o fato dele ser o “culpado” em não ter filhos.
Um personagem que tem tirado Shaun de seu meio é a entrada de Kenny, que conversa muito com o vizinho, e até chega a ser literalmente um “entrão” nas situações da vida dele. Shaun deve aprender mais com ele, ainda mais que Glassman está distante.
Curtindo ainda o desenvolvimento de The Good Doctor, mas a série precisa não só focar nos casos de discussão interessante, mas desenvolver bem os seus personagens. Os dilemas com a entrada dos novos é interessante para os antigos, mas para mim, em 14 episódios a série ainda precisa mostrar um algo a mais.
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