The Beauty: Primeiras Impressões | Review: Série do Ryan Murphy, série camp

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“A beleza dói, meu querido!” Diz uma das personagens logo nos primeiros diálogos de The Beauty: Lindos de Morrer, a nova série Ryan Murphy que chega no streaming meses depois do produtor ter lançado a viciante por todos os motivos errados All Is Fair no final do ano passado.

E fica claro que Murphy, em parceria com Matthew Hodgson, faz o que sabe de melhor: abusar do exagero e entregar mais uma produção extremamente camp. Mas aqui, uso de forma como um elogio, já que mérito é que em The Beauty: Lindos de Morrer eles sabem construir essa narrativa afloreada de uma maneira que deve fisgar a audiência logo no seu começo. Pelo menos, ME fisgou.

Foto: FX Networks. All Rights Reserved.
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Afinal, somos introduzidos num mundo onde a beleza é extremamente valorizada, e isso fica claro logo no começo, onde vemos um desfile de moda se transformar numa cena do crime quando uma modelo (cameo de Bella Hadid) começa a atacar os convidados, sair pelas ruas de Paris alucinada, atacar também os frequentadores de um café, e depois, explodir. Sim, puf, boom, explode pedacinhos por pedacinhos. 

É um início impactante, sem dúvidas. E que é apenas o começo para o mosaico que Murphy e Hodgson criam. Baseada na HQ de Jeremy Haun e Jason A, o seriado automaticamente ganhou comparações com o filme A Substância, mas ao longo dos primeiros episódios fica claro que a narrativa é muito mais complexa e mais do que vimos o filme estrelado por Demi Moore e Margaret Qualley apresentar.

Claro, ambos tem personagens que ganham novos corpos (mais jovens, mais bonitos, mas com um preço), mas The Beauty: Lindos de Morrer parece ir mais a fundo na crítica que quer fazer e em como contar essa história. Afinal, o caso da modelo explosiva de Paris é o ponto de partida quando somos apresentados para uma dupla de agentes do FBI que coloca esse caso na lista de outros casos que pipocaram nos últimos meses e foram tratados de forma isolada.

E isso é bom porque a série gasta esse tempo inicial por nos apresentar para esses dois personagens que podemos chamar de time dos mocinhos. E, claro, que além de mocinhos, e detetives, Cooper Madsen (Evan Peters) e Jordan Bennett (Rebecca Hall) são bonitos, charmosos, e exalam química entre si. E enquanto eles investigam esse caso inicial que se torna uma nova peça desse quebra-cabeça interessante, tanto para eles, quanto para nós, espectadores, a edição da atração trabalha para os apresentar diversas pistas e pedaços dessa história que estão espalhados por diversas cidades do mundo.

É como se tivéssemos acessos as pistas que eles tem, e também algumas informações que eles não sabem. E isso faz a série se sobressair de ser apenas engraçadinha, com pessoas bonitas e charmosas no papel de pessoas bonitas e charmosas. Seja na glamourosa Paris, ou na convidativa Veneza, a frenética Nova York, ou até mesmo uma cidade do interior dos EUA, vemos em primeira mão como funciona o processo de transformação desses personagens.

Assim, logo no começo, descobrimos mais sobre a mecânica, de como o vírus funciona quando somos apresentados para um incel que acaba por cruzar caminho com um médico de uma clinica de estética fuleira. A narrativa vai por preencher nossas dúvidas e perguntas que surgem ao longo do caminho na medida que os detetives, entre flertes e amassos, começam a conectar os pontos dos casos.

O trabalho de Peters (que volta a trabalhar com Murphy depois de American Horror Story) e de Hall (uma atriz de calibre e que eleva aqui esse material mais excêntrico) é fundamental para o começo funcionar e dois dois estão extremamente carismáticos nesse começo.

É quase viciante ver os dois interagirem em cena e os primeiros 10 minutos deles são cercados de um clima de sedução gigante. Os diálogos, os olhares, e o que eles constroem nesses primeiros episódios meio que servem como o alicerce para a temporada de modo geral por conta do bom trabalho dos dois.

Foto: FX Networks. All Rights Reserved.

Afinal, na medida que a investigação corre, nós, espectadores descobrimos mais quando a figura do Assassino (um extremamente canastrão Anthony Ramos) dá as caras com seu olhar maníaco, no melhor estilo vilão de James Bond (essa piada rola inclusive quando ele chega para uma próxima vítima), de um olho só, e que está por caçar também pessoas que foram infectadas pelo vírus a mando de um bilionário excêntrico, interpretado por Ashton Kutcher, que representa A Corporação e que promete ser a conspiração da vez. 

No meio do caos, das provocações, e das cenas exageradas,The Beauty: Lindos de Morrer entrega um começo sólido e cativante. As passagens das transformações abusam dos efeitos práticos, e continuam o bom momento que o body horror tem tido na mídia com o próprio A Substância, o A Meia-Irmã Feia e tudo mais.

E também é divertido ver como os personagens se comportam e como são antes e depois da transformação, claro. Afinal, se é uma série de Ryan Murphy podemos esperar participações de rostos conhecidos aqui e ali e The Beauty: Lindos de Morrer tem a rodo (Ben Platt, Meghan Trainor, Isabella Rossellini).

Pelo menos nesse começo, The Beauty: Lindos de Morrer entrega alguma coisa que vale a pena acompanhar a série no modelo semanal, afinal, os questionamentos e a imprevisibilidade da trama trabalham para fisgar nossa atenção, no meio de tantas novas séries, filmes, e tudo mais. Camp é a palavra que define The Beauty: Lindos de Morrer e eu vivi por todos os minutos desse começo de temporada.

The Beauty: Lindos de Morrer chega com 3 episódios iniciais em 21 de janeiro. Depois, os próximos 8 episódios estreiam no Disney+ toda quarta-feira. Nas duas semanais finais de exibição, o seriado exibe episódios duplos.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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