Justiça Artificial | Crítica: Uma IA não saberia dar os comandos para as boas reviravoltas desse filme sobre IA

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É curioso pensar que tudo que já saiu sobre Justiça Artificial (Mercy, 2026) poderia ter sido dado por um comando no Chat GPT/Grok da vida. Absolutamente tudo parecia que teríamos um filme quadradinho e mais do mesmo. Da sinopse genérica, do título que não diz muita coisa, para o nacional que muito menos, para as 2, 3 imagens de divulgação, o trailer mal editado, e até mesmo para a escolha de termos Chris Pratt no papel principal, já que o ator tem sofrido um pouco fora da Marvel Studios em termos de bilheteria.

Mas já aviso, uma IA nunca pensaria nas reviravoltas que esse filme sobre IA tem e entrega.

Photo by Justin Lubin/Justin Lubin – © 2025 Amazon Content Services LLC. All Rights Reserved.
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A premissa até que curiosa (desenvolvo mais abaixo), foi o que, talvez, tenha me motivado e me fez sair numa noite chuvosa para atravessar a cidade para ver esse. Minha intuição me falava que possivelmente teria alguma coisa ali que valesse a pena. E também por que era bem… meu trabalho. Risos. E basicamente é sobre isso que Justiça Artificial fala em sua essência. Sobre o olhar humano, a nossa habilidade de se importar com as coisas, poder escolher, e como tudo isso nos faz diferente de um computador que só recebe, analisa dados, tabula informações e responde a comandos dados por nós.

E ao colocar um detetive de Los Angeles (Pratt) em julgamento comandado por uma juíza artificial (Rebecca Ferguson), Justiça Artificial coloca o pé no acelerador para fazer o réu conseguir provar sua inocência, e com a ajuda da tecnologia, reunir provas e evidências que não foi ele que matou sua esposa (Annabelle Wallis). 

Mesmo que todas as provas, e evidências apontem para isso, e são apresentadas no caso e para nós espectadores. Assim, no melhor estilo dos filmes Buscando (2018) e Desaparecida (2023), Justiça Artificial faz o uso câmeras, dispositivos, celulares, drones e tudo mais para contar essa história.

Afinal, o detetive Chris Raven está preso numa cadeira somente com acesso a comandos de vozes e toque na tela à frente e um telão gigante com a voz e o carão de juíza Maddox a sua frente. E aí que Justiça Artificial ganha um toque especial, já que o filme apresenta o conceito que ele só tem 90 minutos para provar sua inocência antes de morrer e o relógio da contagem regressiva fica lá no canto da tela.

Photo by Courtesy of Amazon MGM Studios – © 2025 Amazon Content Services LLC. All Rights Reserved.

O texto do relativamente novato roteirista Marco van Belle então capricha nos questionamentos e faz Raven e Maddox discutirem o caso enquanto navegam por evidências digitais e montam um verdadeiro quebra-cabeça, no melhor estilo quem matou? que soa interessante para quem gosta desse tipo de mistério.

A forma como a narrativa decide caminhar com o espectador para fazer com que aos poucos nós sejamos apresentados para os outros personagens e sua relação com o réu e a vítima, e o ritmo frenético que o diretor cazaque Timur Bekmambetov ditam o tom aqui.

Afinal, a câmera rodopiando, as mudanças para diversos tipos de tela (desde de câmeras com sensores de movimento, para chamadas de vídeo, ou arquivos do celular), e o foco na cara de Pratt e Ferguson que estão muito bem no longa, ajudam o espectador a embarcar na história e querer desvendar o caso junto com o protagonista. Pratt precisa trabalhar somente nas emoções faciais já que está com a câmera na sua cara o tempo todo. Já Ferguson precisa ser o oposto e manter uma certa imparcialidade e artificialidade em sua atuação.

De uma certa forma, enquanto a juíza de IA de Ferguson tenta se manter neutra, o longa vai por apresentar diversas outras provas que colocam outros personagens como potenciais suspeitos enquanto Raven entrevista por vídeo chamada a filha adolescente (Kylie Rogers), a parceira na polícia (Kali Reis), os colegas de trabalho da esposa (Chris Sullivan e Kenneth Choi) e tudo mais.

E vamos por compôr a tapeçaria de formada pelos como? quem? e porque? onde o filme acaba por nos deixar investidos nessa trama. Me vi ficar tenso lá para 1hora de filme na medida que a taxa de probabilidade de ser sido Raven não caia, mesmo com diversas novas pistas sendo apresentadas, e claro, por criar diversas teorias do que está acontecendo de verdade nessa história. 

Enquanto o mundo futurista e tecnológico que Justiça Artificial se passa era apresentado, com todos os celulares conectados à nuvem do governo, motos da polícia que voam, drones sofisticados e uma vida totalmente digital, o longa vai a fundo nas relações desses personagens que são esmiuçadas enquanto Raven luta contra o relógio para convencer o chat GPT da sua inocência.

E na medida que a história segue por dar novas informações para essa história, Bekmambetov acelera o passo, entrega cenas de perseguições alucinantes, e corre para fazer com que tudo se encaixe dentro do prazo estabelecido. Se o detetive Raven é culpado ou não é uma coisa é que você deve descobrir vendo o filme nos cinemas, afinal, as sequências finais entregam uma tonelada de reviravoltas, mudanças de perspectiva de tudo que foi apresentado até aquele momento que acabam por apenas coroar toda a montanha russa visual e narrativa que é assistir Justiça Artificial. 

No final, Justiça Artificial entrega um bom divertimento, sem dúvidas, e faz muito mais do que parecia que iria entregar num primeiro momento. Uma grata surpresa, que nenhum algoritmo, ou prompt de comando, pareceu prever. A graça de ser surpreendido. 

Nota:

Justiça Artificial chega em 22 de janeiro nos cinemas.

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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