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O Sorveteiro | Crítica: …. pavoroso (e não por ser assustador, mas sim por ser muito ruim)

O Sorveteiro(Ice Cream Man, 2026) nada mais é que pegar um sorvete no verão e ver derreter enquanto você tenta, em vão, comer. E quanto mais derrete, mais meleca e lambança faz. É pavoroso e faz um filme de terror pavoroso, mas não por ser assustador e sim, ruim, muito ruim.

E pior, o novo filme do diretor Eli Roth (depois do bacana e divertido Feriado Sangrento), se apoia unicamente e solenemente em matanças super violentas, sangue jorrando em tela e no gore gratuito para fazer o espectador esquecer a falta que faz um bom roteiro e principalmente bons atores e boas atuações.

Foto: VALERIE FLORES/THE HORROR SECTION/ALL RIGHTS RESERVED.
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Longe de mim falar mal de atuações de crianças, mas o elenco mirim aqui, como um todo, de O Sorveteiroentrega uma das piores coisas do filme, fácil, fácil. E por mais que a intenção aqui seja em apresentar a figura desse Sorveteiro (Ari Millen, visto em Orphan Black e que pelo menos tem uma expressão assustadora) e toda a mitologia por trás dessa figura demoníaca que vai atrás das crianças de uma cidade pequena, no melhor estilo da história dos irmãos Grimm, O Flautista de Hamelin, seja boa e o conceito interessante, O Sorveteiro é marcado por decisões ruins atrás de decisões ruins.

E sejam elas visuais, narrativas, de edição ou até mesmo de figurino e trilha sonora. E nem dá para dizer que os efeitos especiais das cabeças rolando e dos intestinos aparecendo salvam o longa, porque o filme foi amplamente criticado pelo uso de IA em diversos momentos. O Sorveteiro é uma afronta para os outros filmes do ano. E nada, quase nada funciona.

Até existe uma certa curiosidade mórbida para sabermos mais quais são os planos dessa figura assustadora, desse homem que, ao alimentar as crianças com sorvetes numa tarde de verão, acaba por criar um grande exército de pequenos demônios. E O Sorveteiro até entrega uma mitologia interessante, mas, no meio disso tudo, temos diálogos pavorosos, atuações constrangedoras e mortes que estão lá apenas para chocar, e não efetivamente para servir de propulsor da narrativa e da história que é revelada nos momentos finais.

Afinal, quando o grupo de crianças que tem problemas que vão de intolerância à lactose a bulimia consegue se unir no meio do caos e bolar uma forma de contra-atacar o sorveteiro e as crianças endiabradas, o longa precisa inflar a narrativa com cérebros voando por aí, crianças enfiando objetos afiados na orelha dos pais, e instrumentos de laboratório, como microscópios, sendo usados como armas letais.

E se Roth consegue até fazer um bom uso dessas cenas mais gore enquanto o sangue jorra de forma alucinada em tela, o diretor não consegue nem usar sua presença como um dos personagens do filme para alavancar a história que ele mesmo escreveu e aqui também roteiriza. Roth aparece em poucas cenas do longa, mas participa daquela que se pode dizer ser uma das piores: a cena do jantar em família.

Aqui ele interpreta Marty, o pai do protagonista Jared (Charlie Zeltzer) que, junto com a esposa Alison (Karen Cliche) e a filha Lizzie (Sarah Abbott),está no meio de um jantar numa noite de verão enquanto conversam amenidades. E mesmo que a cena sirva para dar pistas para algumas das revelações que acontecem mais para frente na trama, é tudo muito ruim de se ver. Ruim de ficar estatelado, duro, na cadeira do cinema, sem acreditar.

Enquanto tenta sem sucesso seguir os passos de Stranger ThingsO Sorveteiro coloca as crianças que sobreviveram à maldição na busca de tentarem vencer o vendedor de sorvetes, onde cruzam caminho com diversos outros adultos que são o alvo das crianças com as bocas sujas, com olhos de maníacos, e que são lideradas por uma em especial (Charlie Storey). Das cenas onde o diretor da escola (Darrin Baker) é perseguido, passando pelas crianças cercando um policial (Ryan Allen) e até mesmo pelo encontro dos “heróis” com um padre (Benjamin Byron Davis) dentro de um frigorífico que serve como a pessoa que conta mais sobre o passado da cidade e do vilão, O Sorveteiro acaba por ser um grande desperdício de tempo e de energia.

Afinal, segundo informações Roth desenvolve o projeto há mais de 20 anos e a ideia do filme foi recusada por diversos estúdios, até o diretor lançar o longa com a sua própria produtora. E mesmo que o longa siga cartilha de um bom filme de terror, em que a ação em O Sorveteiro acaba por concentrar suas cenas finais em um cemitério, onde temos as crianças do bem vs. as do mal, nem isso ajuda. No final, nem as extremamente brutais, e uma certa dose de humor que às vezes cola e às vezes não, ajudam e O Sorveteiro acaba por ser uma das maiores bombas de 2026, e talvez, a maior. Ainda estamos em setembro, veja bem.

Nota:

O Sorveteiro chega nos cinemas nacionais em 03 de setembro.

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