44ª Mostra SP | Mamãe, Mamãe, Mamãe – Resenha

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Longa argentino da diretora Sol Berruezo Pichon-Rivière, Mamãe, Mamãe, Mamãe teve Menção Especial do Júri da seção Generation Kplus no Festival de Berlim. O filme também foi exibido no Festival de San Sebastián.

Sinopse:

Numa manhã de verão, uma garota se afoga na piscina de sua casa. O pequeno corpo fica lá até que sua mãe o encontre. Ela deixa a outra filha, Cleo, sozinha em casa por horas. A menina fica à espera da tia, que chegará com suas primas: Leoncia, Manuela e Nerina. Cada uma dessas jovens está imersa em um microcosmo particular. Enquanto Cleo, marcada pela tragédia da irmã, é incapaz de expressar esse sentimento, sua mãe fica trancada no quarto, deprimida. Assim, Cleo, junto com as primas, mergulha no mundo feminino da infância, repleto de questões como o medo de nunca ter beijado, o medo de ficar sozinha para sempre, o medo da menstruação e a mudança irreversível em direção ao amadurecimento.

O que achamos:

Uma visão incrível e bem sutil sobre diversas questões que as diversas protagonistas lidam nessa casa de cheia de mulheres que estão em diversas etapas de suas vidas e do seu entendimento do que é ser mulher. Contada do ponto de vista da jovem Cleo, Mamãe, Mamãe, Mamãe mostra essas meninas em um tipo de bolha, onde elas são blindadas dos perigos lá de fora, seja eles mais reais como a morta, ou até mesmo outras dores de crescimento.

O mais interessante é ver como a diretora Sol Berruezo Pichon-Riviére lida com a visão de o que é mais importante para cada um delas naquele momento: Para a jovem Cleo é estar com sua mãe, já para suas primas mais novas é brincarem até cansarem, já para sua prima mais velha é começar a chamar a atenção dos rapazes. E todas elas passam essas férias ao meio de risadas, imitações de coreografias de cantoras pop, e ainda lidam com seus lutos, tristezas, e alegrias.

Pichon-Riviére cria um mundo tão peculiar ao colocar questões tão importantes sobre a vida e a morte ao serem apresentadas por essas garotinhas que o sentimento de encantamento ao ver e descobrir tudo sobre esse mundinho é muito mais interessante do que efetivamente a realidade que elas vivem.

No final, Mamãe, Mamãe, Mamãe celebra a inocência e como ela deve ser aproveitada antes que a dura realidade do mundo venha bater em nossas portas.

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Filme visto em sessão virtual da 44ª Mostra Internacional de São Paulo em Outubro de 2020.

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Miguel Morales

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