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Juntos | Crítica: Abrace a doideira

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É tão bom ver um filme com o hype que Juntos (Together, 2025) tem tido e ainda mais ser um filme com um hype justificável, sabe? Digo isso porque o longa estreou no começo do ano, lá no Festival de Sundance, em janeiro, e passou todos esses meses sendo extremamente bem elogiado, que era o melhor terror do ano, que era muito impactante e etc etc.

E aquela audiência do longa em Sundance, somado com a campanha de marketing do filme lá nos EUA (e que a Diamond acertou em seguir também aqui no Brasil, mesmo que de uma forma um pouco tardia) ajudou para criar e construir não só essa expectativa, como também uma áurea “imperdível”, para o filme.

E bem, particularmente, acho que tudo isso, todo esse trabalho de formiguinha ao longo dos meses, sim deu certo. Eu saí da sessão de imprensa bastante empolgado com o filme e com aquelas horas que passei junto com esses dois personagens.

Alison Brie e Dave Franco em cena de Juntos. Photo by Courtesy of 1.21 – © 1.21
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Juntos faz uma doideira sem tamanho maravilhosa, liderados pelos seus atores protagonistas, casados na vida real, Dave Franco e Alison Brie que aqui estão muito bem. Mas também vou já maneirar a expectativa de vocês leitores com esse. Afinal, estamos juntos nessa já tem quase 10 anos né? A começar pelo “título de melhor terror do ano” que Juntos tem carregado. Eu acho que dizer isso não condiz com a experiência que é assistir Juntos. Mas isso também não quer dizer que o filme não seja um bom filme, por que é um dos destaques do ano até agora. O longa é terror? Sim, é o que chamamos de bodyhorror, terror corporal. Mas é um filme que eu fiquei com medo, me contorci na cadeira, e levei susto? Não.

Juntosé repulsivo, grotesco e meio vergonha alheia nessa trama que acaba por ser divertida em sua própria e doida maneira. Afinal, uma das coisas que o diretor/roteirista Michael Shanksmais acerta aqui não é criar uma ambientação claustrofóbica e assustadora, e sim, uma que não perde a chance de fazer com que o espectador se sinta atraído e abraçado pela história louca que é contada.

E com isso Shanks usa Franco e Brie de uma forma que faz Juntos ser bem mais do que apenas um filme de terror corpora,l ah lá A Substância e Um Homem Diferente, e sim um estudo sobre casais, relacionamentos, e viver e compartilhar momentos juntos. Mas claro com uma pitada sombria, e sim alguns jump scare aqui e ali.

É o uso da câmera focada em partes do corpo dos protagonistas, é o uso do som para causar aflição e estranheza, da edição que consegue criar um sentimento de urgência para o que está e o que vai acontecer com esse casal. Tudo é bem feito e usado em para dar uma experiência da mais satisfatória, ao mesmo tempo que uma das mais incômodas do ano. E isso é ótimo. Juntostambém tem o melhor uso de uma música em paralelo ao que acontece na trama do ano. Fácil, fácil. É bater o olho e esperar a música tocar, por mais que seja simples, combina e muito com a trama.

Alison Brie e Dave Franco em cena de Juntos. Photo by Courtesy of 1.21 – © 1.21

Chegue um pouco mais perto, baby…que definitivamente você vai ficar vidrado em querer saber o que vai acontecer com Tim (Franco muito bem aqui finalmente depois de anos de papéis meia boca e com ainda mais dois filmes no ano com Se Não Fosse Você e o novo Truque de Mestre) e Millie (Alison Brie, finalmente com um reconhecimento em Hollywood depois do cancelamento da série Glow) depois que o casal se muda para uma cidade no interior, vai viver numa casa isolada, começa a notar as rachaduras do relacionamento deles, na medida que saem para fazer uma trilha e caem num buraco que os leva para uma caverna suspeita.

Acho que Shanks, Franco e Brie levam um tempo em construírem as personas de Tim e Millie, as dinâmicas do casal, e quem são eles, e em qual momento de vida que eles tão antes do filme chegar na parte mais sobrenatural e que as coisas começam a dar errado para eles. E Franco realmente se destaque aqui como a figura frágil do relacionamento que vive um momento de transição de carreira (um músico que ainda sonha em fazer sucesso) e ainda precisa lidar com sua saúde mental enquanto sua namorada/noiva/namorida Millie aceita o trabalho de ser professora num colégio do interior e eles saem do agito da cidade grande para a calmaria do subúrbio.

É muito interessante ver que Juntos subverte a dinâmica de poder onde Millie é a figura alpha dominadora e Tim a beta e como isso é trabalhado ao longo do filme até mesmo quando o casal já está sob a influência das forças do mal depois que eles passam a noite na caverna. 

E se o roteiro de Shanks se aprofunda em como o relacionamento do casal continua a ruir depois que eles começam a sentir os sintomas do que seja lá o que eles cruzam naquela noite, a direção de Shanks começa a ganhar uma certa forma ao trabalhar nas cenas mais impactantes que o longa tem. A começar por uma em que Tim está no banheiro e começa a se contorcer. O trabalho de câmera, de escolha de ângulo, e de performance de Franco é muito bom.

E também depois quando em uma noite, os corpos de Tim e Millie começam a se atrair um pelo outro, e não é o no sentido sexual, mesmo que haja uma cena também no filme extremamente satisfatória (mesmo que surreal) que é o que acontece quando os dois sucumbem aos prazeres carnais. O problema é que eles estão no colégio onde Millie trabalha. O que gera uma situação, mais uma vez, incômoda, com o chefe de Millie, o extremamente simpático Jamie(Damon Herriman). O personagem é um dos poucos que o longa tem, afinal, os outros, apenas orbitam os protagonistas, seja a melhor amiga (Mia Morrissey), o médico (Aljin Abella) e etc.

Mas, a figura do colega de Millie, e que acaba por ser o vizinho do casal, algumas casa de distância, é meio o que serve para introduzir mais uma etapa da trama que Juntosapresenta e para a mitologia que é trabalhada aqui. E que é muito boa e que eu acho que serve para dar mais contexto para o filme e não deixar nada largado. Na medida que Tim e Millie começam a investigar o que aconteceu com outro casal que morava na cidade e que desapareceu, a história começa a ficar cada vez mais amalucada e vemos que vai ser uma questão de vida e/ou morte para eles. 

Assim, ver os corpos contorcidos de Tim e Milie, os sons e os efeitos práticos que Juntosentrega, tudo vai por nos deixar na ponta da cadeira por querer saber o que vai, e o que pode acontecer. Os momentos finais, os 20, 15 minutos, de Juntossão pura doideira (até uma serra elétrica está envolvida), onde nada vai te preparar para o que desenrola e como a história termina. No final, o que levamos de Juntos é não beba água, não faça trilhas e liberte seu espírito, é o único jeito de viver!.

Juntos chega em 14 de agosto nos cinemas nacionais.

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