Inegável aqui o talento que a americana Jodie Foster trás para esse longa francês e é o que realmente segura a peteca em Vida Privada. A veterana parece estar super confortável aqui nessa produção e surpreende ao atuar em inglês e francês. Definitivamente é Foster que faz desse filme de suspense com um toque de comédia, onde a narrativa se apoia na atriz para navegar pela premissa interessante que a história nos apresenta.
Em Vida Privada, Foster interpreta uma psiquiatra que vê uma paciente falecer e começa a achar que o que aconteceu com ela não é um caso de suicídio, e sim, uma possível uma conspiração de assassinato. Em dúvida se falhou profissionalmente com ela, afinal, Paula (Virginie Efira) não demostrava nada que a levasse a isso, depois de terem feitas várias sessões juntas. Assim, ela parte em uma jornada, perigosa, oras cômica, para investigar ela mesmo o que aconteceu. Ou o que ela acha que aconteceu.
A diretora Rebecca Zlotowski (de Os Filhos dos Outros) entrega um filme chique, sem dúvidas. Mas Vida Privada acaba ser um filme com visuais incríveis (as cenas na escadaria do prédio? perfeitas!) que estão ali para esconder algumas coisinhas que não funcionam, ou pelo menos, que não funcionaram para mim ao longo das quase 2 horas que o filme tem. O que funciona? O início estiloso, a abertura pomposa, a trilha sonora com Psycho Killer no talo logo no começo, a premissa interessante, que falamos, e claro, a presença de Foster.
Tudo isso ajuda a embarcamos em Vida Privada logo de cara. Mas ao mesmo tempo, e, talvez, acostumados pela forma americana de contar esse tipo de história, se é que podemos chamar Vida Privada de murder mystery, a narrativa vai para caminhos um pouco curiosos (Lilian de Foster tenta hipnose para ajudar a lembrar das consultas) e muito mais lúdico, doido, mesmo que siga visualmente belíssimo. E tem personagens que não ajudam a parte do suspense ser um suspense.
Seja o paciente que persegue a protagonista, o marido suspeito da paciente, ou até mesmo o vizinho chato do prédio, onde ela tem seu consultório e ela discute com ele com o tradutor no celular. O único personagem que soa moderadamente interessante nessa história toda é o ex-marido. E Vida Privada se beneficia da presença do ator Daniel Auteuil como Gabriel, o ex que não é bem um ex, e anima a trama, na medida que excêntrico personagem se junta para ajudar a ex-companheira na investigação.
A dinâmica cômica entre os dois, principalmente quando eles precisam invadir uma casa no interior para seguir uma pista, dá o gás para Vida Privada sair de ser um “filme conceito” para entregar “um bom divertimento”.
Em resumo: vale pela Jodie Foster que está muito boa.
Filme visto no Festival do Rio em Outubro de 2025.
Confira um clipe do filme.
A Private Life tem distribuição da Sony Pictures no Brasil, mas não tem data de estreia confirmada por aqui no momento.
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