“Essa ideia deixou todo mundo animado!”: Produtora explica por que brinquedos vs tecnologia virou tema central de Toy Story 5

No começo de Maio, o ArrobaNerd foi convidado, não só para assistir 40 minutos de Toy Story 5, como também participar de um bate-papo com a executiva da Pixar, a produtora Lindsey Collins.
No estúdio desde o final da década de 90, Collins já trabalhou em diversos projetos marcantes da Pixar. Entre eles, WALL•E (2008), Procurando Dory (2016) e Red: Crescer é uma Fera (2022) e agora se prepara para lançar o quinto capítulo do longa que colocou o estúdio de animação no mapa há 30 anos.
Em visita ao Brasil para promover o longa, Collins contou algumas curiosidades de bastidores do filme, como o time chegou na história extremamente promissora que o quinto filme da franquia apresenta e alguns outros segredos do que os fãs podem esperar do novo capítulo das aventuras de Jessie, Woody, Buzz e mais.

- O protagonismo de Jessie em Toy Story 5
O novo filme da franquia tem um foco muito maior em Jessie, a boneca cowgirl que fomos apresentados em Toy Story 2. Collins inclusive afirma que o novo longa é “ uma sequência direta/filme espelho ideal de Toy Story 2 e “foca em dar uma resolução emocional para a Jessie.”
“O que nos deixou muito animados para contar essa história, na verdade, era, porque acho, que todos nós sentíamos que a Jessie merecia isso. Então, sim, esperamos que pareça que estamos dando a ela o presente de uma resolução.” completa ela.
Por que a personagem? A motivação veio do final de Toy Story 4, quando Woody passa o distintivo para ela. A equipe estava animada para ver como seria ter a Jessie “comandando o quarto”. Collins afirma: “Jessie é um pouco doidinha, um pouco imprevisível. Ela é uma personagem que nos faz pensar: “Não temos certeza do que a Jessie vai fazer a seguir”. Então, havia essa ideia de como seria para a Jessie comandar o quarto.”

- O impacto da tecnologia no filme e novas regras no quarto da Bonnie
Desde da primeira arte conceitual apresentada no festival de Annecy no ano passado, até mesmo os primeiros trailers, o foco da trama de Toy Story 5 sempre foi muito claro: O tema central do novo filme seria em abordar como os brinquedos lidam com a tecnologia moderna que as crianças usam hoje em dia.
“No momento em que estávamos escrevendo este [filme], sentimos que não havia como evitar [não falar sobre tecnologia]. Enquanto no anterior, acho que ainda não estava tão presente no mundo das crianças entre 2014 e 2015. Não parecia estar totalmente lá. Então, sim, não é que estávamos evitando, mas talvez estivéssemos em uma espécie de querer negar que chegou o momento.” afirma ela.
A tecnologia é introduzida como uma personagem chamada Lily Pad (que representa puro algoritmo/dados, mas acha que está fazendo o melhor por Bonnie). e que vai bater de frente com Jessie (que tem experiência com crianças, mas sem tecnologia) que se recusa a se render a ela.
“Quando pensamos em Toy Story, estamos sempre tentando pensar no que os brinquedos estão lidando e nos colocando no lugar deles. E então, a ideia de: com o que as crianças estão lidando hoje em dia? Obviamente, elas estão lidando com a tecnologia. Isso é algo de que todos estamos cientes. E o fato de que os brinquedos estariam lidando com isso também foi muito empolgante para nós. De certa forma, isso remeteu um pouco ao primeiro Toy Story, àquele momento em que o Buzz Lightyear pousa na cama e como o Woody lidou com aquilo.
E então, essa ideia de: “Meu Deus, o que a Jessie faria com esse novo brinquedo tecnológico moderno ao se deparar com isso?” deixou todo mundo na Pixar animado.” conclui ela.
E o filme quebra uma das regras de Toy Story: Pela primeira vez na franquia, os brinquedos andam e se movem pelo quarto mesmo com os humanos lá, porque as crianças e os pais estão tão absortos olhando para as telas que nem sequer reparam neles. “Meu Deus, eles podem quase andar por aí com as crianças na sala porque as crianças estão tão consumidas pelas telas. […] Isso foi usado para piadas em algumas cenas, mas é verdade. As pessoas não estão nem olhando para cima e os brinquedos estão caminhando pela sala, a ponto de nos perguntarmos lá na Pixar: “Será que estamos indo longe demais?”. E todo mundo dizia: “Acho que não. Acho que isso realmente aconteceria.” conclui ela.

- Novos personagens
Além de Lilypad, os fãs da franquia serão introduzidos para brinquedos tecnológicos antigos da “primeira geração” (objetos com uma única função). “No filme, esses brinquedos tecnológicos antigos que são muito divertidos de assistir!” diz ela.
Em Toy Story 5 temos o Amigo Troninho(um brinquedo de desfralde/privada), e Snappy (uma câmera digital antiga). Também há uma nova garota chamada Blaze (que vai ter uma grande função na trama, segundo a produtora sem dar muitos detalhes) e seu porco Jimmy Dean (o favorito da equipe da Pixar).
“Todos nós ficávamos sentados assistindo às cenas do Jimmy Dean repetidas vezes.” comentou.

- O momento ideal para um novo filme
Para Collins, ter uma nova e boa história é fundamental para tirar um projeto do papel lá no estúdio.
Ela diz que todo o time da Pixar é bastante cético em relação ao que é apresentado, já que o próprio time é muito exigente com eles mesmos. “Acho que se nos faz rir e nos intriga como público… porque, francamente, nossa audiência mais difícil, somos nós mesmos, já que exibimos o filme para nós mesmos na Pixar umas três, quatro, cinco, seis vezes antes de mostrá-lo para qualquer outra pessoa. E somos muito duros com nós mesmos. “ afirma.
“Sério? Mais um Toy Story?” diz ela em tom bem humorado.
“É assim que todo mundo age nas primeiras exibições, com muito ceticismo, mas de um jeito bom. Isso nos obriga a melhorar nosso jogo e justificar por que outra história precisa ser contada neste universo. E acho que para nós isso é saudável. É termos que realmente justificar, tipo: não vamos fazer só por fazer, porque sabemos que na primeira vez que exibirmos, haverá 350 pessoas sentadas na sala questionando por que estamos fazendo isso.
Especialmente com sequências. Quero dizer, as pessoas são tão céticas. Elas e eu me incluo nisso, somos muito céticos em relação a uma sequência porque pensamos, como meu filho diria: “É uma sequência caça-níqueis?” Então é muito saudável pensarmos: não, se vamos fazer, é melhor que seja uma história que valha a pena, porque somos protetores com ela. Nós nos sentimos super protetores em relação a esses personagens e a esses filmes.” conclui.
Toy Story 5 chega com sessões antecipadas no Brasil em 17 de junho.












