“Foi um momento muito importante para mim, pois eu me conectei com minha personagem ali.” diz Mari Yamamoto sobre sua cena preferida em Família de Aluguel

Vocês já devem ter visto esses dois atores nas telinhas de vocês. Eles participaram de  grandes produções no streaming que deram o que falar nos últimos tempos. E agora estrelam um longa nos cinemas juntos.

Estamos falando do ator japonês indicado ao Emmy Takehiro Hira que participou da série vencedora do Emmy em Melhor Drama, Xógum: A Gloriosa Saga do Japão e que esteve também em Monarch: Legado de Monstros para a Apple. E da colega dele, a também atriz e também japonesa Mari Yamamoto que participou da série Pachinko e também esteve no seriado Monarch: Legado de Monstros com o colega.

Takehiro Hira em cena da série Xógum. Foto: © 2024, FX. All Rights Reserved.
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E agora ambos estrelam, junto com o ator americano Brendan Fraser, o longa Família de Aluguel que chegou aos cinemas nacionais pelo selo da Searchlight Pictures (Disney), depois de passar por diversos festivais como o de Toronto e o Festival do Rio no ano passado.

No filme, veja o trailer abaixo, Fraser interpreta Phillip, um ator americano que vive em Tóquio e consegue um emprego em uma agência, interpretando papéis substitutos para estranhos. Ele mergulha no mundo de seus clientes e começa a criar conexões genuínas que borram as fronteiras entre ficção e realidade. Ao confrontar as complexidades morais de seu trabalho, Phillip redescobre um propósito, um senso de pertencimento e a beleza silenciosa da conexão humana.

No longa, Hira e Yamamoto interpretam personagens que trabalham com o personagem de Fraser na agência de aluguel. Hira é Shinji Tada, o dono da curiosa agência que o filme se passa e é quem contrata Phillip para trabalhar lá. Já Yamamoto interpreta Aiko Nakajima uma colega de Phillip que também atua no ramo e serve como uma espécie de guia para o protagonista.

Mari Yamamoto em cena da série Monarch: Legado de Monstros. Foto: AppleTV.

Assim, em bate-papo com o site, a dupla de atores comentou sobre as experiências que eles trouxeram de trabalhar nessas produções para TV, o que ajudou, o que é diferente aqui em Família de Aluguel. 

Hira e Yamamoto também falaram um pouco sobre o processo de preparação para o filme e sobre encontrar com funcionários de empresas que existem no Japão e ainda cenas favoritas e outras curiosidades. 

Confira abaixo.

Takehiro Hira and Brendan Fraser in RENTAL FAMILY. Photo by James Lisle/Searchlight Pictures. © 2025 Searchlight Pictures. All Rights Reserved.

Vocês dois trabalharam em séries de TV épicas e de grande sucesso, como Xógum e Monarch: Legado de Monstros. Quais tipos de lições ou experiências vocês trouxeram ou conseguiram aproveitar para um filme como Família de Aluguel?

Takehiro Hira: De Xógum, eu não trouxe nada comigo. [Risos] Eu era o vilão!! [Risos]

Mas eu acho que de Monarch, o que trouxemos [ele e Yamamoto] foi nossa química. 

Mari Yamamoto: Sim, nós pudemos trabalhar juntos em Monarch. Então filmamos Família de Aluguel por 3 meses e depois filmamos Monarch por uns 8 meses no ano passado [a entrevista foi feita em 2025]. Então passamos quase o ano todo juntos. Então de certa forma, nós acabamos por ser a família de aluguel um do outro. [Risos].

Qual foi a primeira coisa que passou pela cabeça de vocês quando chegou para vocês, ou quando vocês leram juntos, o roteiro de Família de Aluguel?

Takehiro Hira: Hum, quando li o título “Família de Aluguel”, pensei: “O que é isso?” É apenas um daqueles filmes japoneses estranhos ou…. mas, à medida que fui lendo mais sobre essa história… percebi que retratava o tema universal da solidão, da conexão das pessoas com os outros e, hoje em dia, você pode, de certa forma, escolher o que chama de família, então isso me tocou muito, então sim, imediatamente me apaixonei pelo que eu li.

Mari Yamamoto: Eu sempre quis trabalhar com HIKARI, nossa diretora. Então, eu já estava bem animada. E então, o título me lembrou do artigo da revista New Yorker que foi publicado há alguns anos e ficou muito famoso sobre esse negócio. Então, eu tinha uma expectativa do que seria.

Mas ela subverteu isso da maneira mais bonita que eu poderia imaginar, porque eu não achava que seria sobre relacionamentos reais e conexões reais. Você sabe, cuidado humano e conexão.E foi logo depois que eu perdi meu pai, e havia tantos temas sobre paternidade e, você sabe, cenas entre pai e filha que realmente me tocaram profundamente e me deram muita esperança em um momento muito difícil da minha vida. Então, eu esperava que esse filme fizesse o mesmo por outras pessoas e eu realmente queria fazer parte dele.

Mari Yamamoto and Brendan Fraser in RENTAL FAMILY. Photo by James Lisle/Searchlight Pictures. © 2025 Searchlight Pictures. All Rights Reserved.

Sei que vocês dois conheceram alguns funcionários de uma empresa real de aluguel de famílias. Podem nos contar um pouco sobre esses encontros? Quais foram os momentos mais memoráveis?

Takehiro Hira: Tem uma senhora que administra a verdadeira agência de famílias de aluguel que nos contou uma história na época sobre uma outra senhora que contratou os serviços de uma pessoa, uma moça mais jovem, para dormir no quarto ao lado do dela para que ela, como cliente, não se sentisse sozinha a noite e que ela se sentisse mais segura na hora de dormir. E sabe? Não existe um serviço como esse, mas isso é uma verdadeira necessidade né?

Mari Yamamoto: E isso que faz ser uma coisa tão japonesa, sabe? Uma coisa que é difícil de pedir ajuda. Porque há muito medo de ser um fardo até mesmo para os próprios familiares, então as pessoas preferem não incomodar, tipo a própria filha, para dormir no quarto ao lado porque elas têm suas vidas, seus empregos, seus filhos, então não podem pedir isso. 

Na nossa busca, vimos que existe sim uma necessidade real por esse tipo de serviço, pois existe um mercado real para isso, uma necessidade por isso e, pessoalmente, sinto que, em vez de as pessoas caírem nas brechas da solidão, acho ótimo que elas tenham um lugar para onde recorrer.

Takehiro Hira: E então alguém me perguntou ontem no tapete vermelho do filme se eu achava que isso seria possível no mundo ocidental. Isso me fez pensar, mas algo assim, como uma família de aluguel, requer uma enorme confiança de ambos os lados, e as pessoas que prestam o serviço e as pessoas que recebem o serviço, sabe, estão agindo por boa vontade, entende? você sabe, prestam o serviço e, você sabe, as pessoas que recebem o serviço, você sabe, apenas agem por boa vontade, você sabe?

Vocês tem alguma cena que vocês mais gostam no filme? Ou uma cena que vocês se surpreenderam mais durante as gravações?

Takehiro Hira: Olha uma das minhas cenas favoritas do filme, é uma cena em que ela [Mari Yamamoto] está dançando num karaokê!

Mari Yamamoto: Nossa, esse dia foi muito engraçado. Era Pink Ladies.

Takehiro Hira: Sim, Pink Ladies! Vocês faziam algum tipo de dupla, tipo alguma dupla bem famosa dos anos 70 ou 80. E meio que o cenário parecia um tipo de cabaret. 

Mari Yamamoto: Sim, foi isso. No filme temos uma cena, onde uma senhora mais velha me contrata para fingir ser a outra parte de uma dupla pop feminina, porque ela sempre quis ser isso e nunca teve a oportunidade. E nós praticamos isso por quase 1 mês. E ficava pulando e dançando de alto salto para ver se no dia da gravação eu conseguiria fazer igual. Então foi muito legal.

Mas para mim, minha cena mais memorável, talvez, tenha sido uma completamente diferente. Foi uma em que o personagem de Branden e a minha estão no escritório da família de aluguel, e a cliente, que é uma noiva e eles estão tendo uma reunião final sobre o personagem dele participar do casamento. 

No dia da filmagem, eu estava indo para o set e lia as notícias japonesas quando vi que um casal de lésbicas japonesas havia recebido o status de refugiadas no Canadá porque eram muito discriminadas em seu país natal, o Japão.

Fiquei muito chocada por isso ainda acontecer em um país que todos consideram tão seguro, onde todos querem morar e visitar. Então, fiquei muito indignada por isso ainda acontecer com tantas pessoas e por elas estarem tomando medidas como solicitar o status de refugiado. Isso era simplesmente inconcebível para mim.

Então, fui ao set, mostrei o artigo para Hikari e Brendan e disse: “Isso está acontecendo na vida real agora”. E, claro, foi por isso que Hikari escreveu sobre isso. Mas, na cena, estava previsto que o personagem de Brendan fingisse ser da Escócia e que eles se mudariam para lá após o casamento. Mas dissemos: “Vamos fazer no Canadá, porque isso é real”.

Então, Brendan ia fazer esse sotaque escocês incrível que eu adorava, mas infelizmente tivemos que abandonar isso e mudar o local para o Canadá. Mas esse foi um momento realmente memorável para mim, porque realmente fez sentido para mim como atriz interpretando minha personagem. 

Então, tudo fez sentido para mim naquele momento e, a partir daí, ficou mais fácil jogar, porque isso me ajudou a elevar o nível de exigência em tudo.

Família de Aluguel está em cartaz nos cinemas nacionais.

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Miguel Morales

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