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Família de Aluguel | Crítica: Quando as peças não se encaixam

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É curioso pensar que Família de Aluguel (Rental Family, 2025) tenha sido um dos primeiros projetos que o ator Brendan Fraser tenha escolhido após levar o Oscar de Melhor Ator alguns anos atrás por A Baleia.  Afinal, vendo a premissa do longa, dá para entender o motivo que o ator tenha se interessado pelo projeto da diretora japonesa HIKARI, já que o que Família de Aluguel apresenta, pelo menos no papel, é uma história para lá de interessante, sem dúvidas.

Shannon Gorman and Brendan Fraser in RENTAL FAMILY. Photo by James Lisle/Searchlight Pictures. © 2025 Searchlight Pictures. All Rights Reserved.
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Mas fica claro, ao assistir, o filme que por mais perfeito que tudo soe, a execução aqui acaba por ser uma que faz todas as peças não se encaixarem muito bem. O que é uma pena, afinal, nessa onda de contar histórias pelo olhar local, mas com apelo global, Família de Aluguel seria um perfeito filme para vermos isso acontecer mais uma vez, como temos vistos com diversos outros filmes, mas sinto que por mais que seja uma produção americana com boa parte do elenco japonês, não dá para dizer que o longa vai entrar nessa lista.

E, talvez, seja por conta da barreira cultural, e a diferença de como as coisas funcionam por lá, que fazem Família de Aluguel não ser um filme fácil de se conectar. Afinal, o tom mais cômico que o filme tem num primeiro momento, dá espaço também para um drama e uma história de certa forma triste e melancólica de se acompanhar e que para mim soou um pouco forçada para te fazer sair emocionado da sessão.

Mas isso também não impede da diretora HIKARI entregar um filme visualmente bastante bonito e que se apoia na Tóquio moderna para ajudar a contar essa história sobre relacionamentos, conexões e tudo mais. Como falei, Família de Aluguel tem esse tom um pouco mais Sessão da Tarde dos anos 90, quando seguimos o protagonista interpretado por Fraser, Philip, um ator que pula de bico em bico até conseguir um trabalho curioso: interpretar entes queridos de pessoas num tipo de “agência de aluguel” de atores que entram nas vidas das pessoas para os ajudarem com diferentes tarefas ou problemas.

Assim, a diretora HIKARI usa essa premissa curiosa para dar start na trama (ela é responsável pelo roteiro também junto com Stephen Blahut) e colocar Philip em diversas situações divertidas e inesperadas na medida que recebe suas tarefas e clientes pelas mãos do dono do lugar, Shinji Tada (Takehiro Hira vindo do sucesso da série Xógum) que quer um “americano triste/um homem branco chaveirinho” para chamar de seu no portfólio da empresa. 

Só que o tom mais jocoso que Família de Aluguel poderia ter, e que o faria ser uma comediazinha dessas água com açúcar, acaba por ficar de lado na medida que a história começa a se desenrolar e ir para outros caminhos na medida que Philip começa a ser envolver com a vida dos clientes e não fazer o que foi combinado com eles.

Principalmente em um dos casos que envolve uma mãe (Shino Shinozaki) solteira que “aluga” os serviços da agência para fazer com que Philip interprete o pai de sua filha Mia (a novata Shannon Mahina Gorman, muito boa) para eles todos tentarem uma vaga para a garota em uma requisitada escola preparatória particular.

O problema? É que a garota começa acreditar mesmo que Philip é seu pai de verdade. Até que ela descobre Philip em um comercial na TV e começa a fazer perguntas. Sinto que Família de Aluguel, se fosse uma minissérie, onde cada cliente fosse um “caso do dia/episódio da semana” talvez a história fosse melhor contada e aproveitada. 

Enquanto Família de Aluguel mescla os clientes de Philip com a da colega, também atriz, e também funcionária do lugar, Aiko (Mari Yamamoto, muito bem também e vinda das séries Pachinko e Monarch: Legado de Monstros), a trama começa a ganhar tons mais dramáticos e que realmente prejudicam o andar das coisas. Não é que não seja bom, ou interessante assistir, mas a cada novo cliente que surge, as situações apresentadas soam cada vez mais doidas e é quase como se estivéssemos vendo uma fábula, ou uma coisa ficcional, mas sempre somos puxados para a lembrança que isso acontece realmente no Japão na vida real, e o sentimento de estranheza, e de não querer julgar os personagens, a situações, e tudo mais é muito grande.

Takehiro Hira, Mari Yamamoto, and Bun Kimura in RENTAL FAMILY. Photo by James Lisle/Searchlight Pictures. © 2025 Searchlight Pictures. All Rights Reserved.

Família de Aluguel é um filme com uma temática bastante específica que tenta fazer uma aproximação com uma cultura totalmente diferente da nossa, mas por uma abordagem que particularmente achei que não colou e, ao meu ver, não funcionou.

E mesmo que o filme trate de questões universais, e entregue algumas mensagens muito bonitas, sinto que deixou muito a desejar. Claro, é muito bonito ver atores japoneses veteranos como Akira Emoto contracenaram em tela, e o papel de Emoto no filme, um ator mais velho que a filha contrata Philip para ser um jornalista que vai fazer uma matéria sobre ele para o pai não se sentir esquecido pelo público.

Emoto tem boas cenas com Fraser, e os momentos mais dramáticos do filme, mas acho que era preciso mais do isso para o filme funcionar comigo. E mesmo que todo o elenco realmente esteja muito bem, de Fraser que entrega uma boa atuação para Yamamoto, por exemplo, que tem uma cena lindíssima e que envolve um karaokê, sinto que Família de Aluguel é um filme que não clicou comigo. Talvez, eu alugue alguém para ver esse filme de novo para mim com outros olhos. 

Nota:

Família de Aluguel está em cartaz nos cinemas nacionais.

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Miguel Morales

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