Logo nos momentos iniciais de A Noiva! (The Bride!, 2026) Jessie Buckley surge, em preto e branco, com a câmera colada em sua cara, com roupas de época, cabelos pretos e uma pele branca. Ela diz ser a autora Mary Shelley e diz, para nós, espectadores, que essa história que vamos ver pode ser uma história de terror ou uma história de amor.
E acho que a diretora Maggie Gyllenhaal se dá melhor na direção do que na parte do roteiro, já que o problema em A Noiva! fique em definir o tipo de história que ela quer contar. E principalmente como contar. Afinal, por mais que Gyllenhaal acerte e muito no campo da direção e faça de A Noiva! um grande ode para os desajustados num visualmente maravilhoso, chamativo e elétrico filme, fica claro também que muitas dessas partes montadas por ela não se encaixam.
E digo isso pelo fato da própria concepção estrutural e narrativa do filme ser falha logo no seu primeiro momento. Afinal, Mary Shelley “possuir” o corpo de uma jovem para dar início para a aventura dela juntamente com o monstro de Frankenstein (um sempre ótimo camaleão Christian Bale) já é errado. Claro, bate de frente com a própria concepção do conto de Frankenstein, e nem vamos entrar nos méritos que o que ele faz (que é mentir para ela sobre suas origens) é errado, mas vemos essa jovem (Ida, mas vamos chamar de Noiva aqui) ser obrigada a participar do plano Mary Shelley por mais que leve a ela a criar sua própria revolução também é. E isso atrapalhou e muito minha experiência com o filme.
Com ares de Bonnie e Clyde, e até mesmo Coringa e Arlequina (se o filme com Joaquin Phoenix e Lady Gaga tivesse dado certo), A Noiva! navega por debates de gênero numa caótica história de obsessão, amor e busca por pertencimento. Mas faz isso como quisesse agradar gente que bate-boca nas redes sociais.
Será que alguém poderia me ajudar? Por favor? Gyllenhaal usa a câmera a favor do casal de protagonistas e aposta no grito de Buckley (que está ótimo num bom ano junto com Hamnet, que possivelmente, quase uma certeza, pode dar o Oscar de Melhor Atriz), na ferocidade e no animalesco para contar essa história. Para Buckley é mais um veículo que mostra seu talento, mesmo que não seja o melhor papel dela.
A Noiva! tem momentos punk rock e musicais (mas não é um musical), é extremamente teatral e bastante violento em diversos momentos. E ao juntar uma Chicago controlada pela máfia, uma Nova York suja, vibrante, e em polvorosa, uma cientista em busca de glória interpretada por Annette Bening e ainda dois detetives (Peter Sarsgaard e Penélope Cruz) em busca de solucionar o caso de mulheres que desaparecem e que têm em comum terem tido suas línguas cortadas, Gyllenhaal coloca os dois personagens principais em ritmo de colisão de suas personalidades com também todo um mundo que não os querem vivos. Mesmo eles estando mortos.
O texto de Gyllenhaal cria todo um arco para o monstro de Frankenstein de Bale ter uma certa obsessão por um ator famoso interpretado por Jake Gyllenhaal e que apenas serve para guiar a trama de pontos A para B e C enquanto vemos o caos e confusão se instalarem na medida que eles visitam cinemas em cidades dos EUA que passam os filmes da filmografia de Ronnie Reed (Gyllenhaal esbanjando carisma).
Ter um monstro Frankenstein cinéfilo é uma opção interessante e particularmente eu iria amar esse tipo de narrativa, mas tudo soou muito conveniente para esse tipo de história e que não deixa de ser um tipo de muleta narrativa para vermos a noiva e o monstro num grande road trip enquanto se conhecem e se apaixonam. Encontre alguém que iguale sua loucura né?
Afinal, ela foi criada para o monstro ter uma companhia. Ela queria ter sido trazida de volta? Mas foi. E para ela, é a chance de encontrar sua voz, sua identidade, e não deixar nem Mary Shelley, nem o monstro, nem sua vida anterior ditar quem é ela.
No meio do visual estiloso, cheio de maquiagens marcantes, e um cabelo esvoaçante, Buckley dá conta para o recado, mesmo que seus gritos e repetições de palavras soem um pouco cansativos num primeiro momento. Mas é contagiante ver Buckley em tela e principalmente quando a noiva ganha mais consciência e a personagem ganha mais confiança. O mesmo para Bale que mostra uma certa complexidade para o monstro, principalmente quando ele encontra o ator que ele é muito fã numa certa crítica social de Gyllenhaal para a cultura de idolatração de celebridades e de relação parassocial na era digital.
Já Cruz domina e ilumina a tela toda vez que aparece. A “detetive Myrna” ganha espaço na trama quando as pistas da investigação levam os detetives para a cola da noiva e o do monstro que deixam um rastro de mortes por aí. Mas, ao mesmo tempo, tudo que envolve a personagem soa muito didático para os problemas que a personagem passa nesse universo extremamente masculino que está inserida.
A pergunta que fica é o quão VIVA está a noiva em A Noiva!? Não muito, quase sem pulso. Afinal, os altos e baixos que a produção sofre não deve ajudar o longa a ter muito apelo com o grande público. Gyllenhaal coloca uma nota de rodapé nas adaptações da história de Frankenstein e mesmo que entregue alguma coisa nova, não acerta no tom do que quer contar.
No final, A Noiva! apenas entrega alguma coisa que definitivamente será bastante divisiva, e uma coisa que não é para todo mundo e bastante polarizada. Se vocês acharam que “O Morro dos Ventos Uivantes” tinha problemas esperem até ver “A Noiva!”.
A Noiva! chega em 05 de março nos cinemas.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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