Isso Ainda Está De Pé? | Crítica: Não! Não, está!

Tudo, pelo menos no papel, parecia que funcionaria em Isso Ainda Está De Pé? (Is This Thing On?, 2025): o longa tinha bons nomes no elenco, deWill Arnettque fazia um tipo de comeback depois de anos um pouco fora dos holofotes, da Laura Dern que sempre é muito boa nesse tipo de filme com papéis com muito diálogos, e até mesmo a direção de Bradley Cooper(que eu particularmente gosto, principalmente depois de Maestro).
Mas fica claro que não, Isso Ainda Está De Pé?não acerta em nenhuma dessas frentes, o que é uma pena.

Particularmente, não achei engraçado e também o drama não me cativou. Então, não sobrou nada. Afinal, são pouco mais de 2 horas com personagens tão detestáveis, tão fracos, e com narrativas tão pífias que tudo acaba por ser um grande desperdício de passar esse tempo com eles.
A crise de meia idade que Alex Novak (Arnett, até que bem ao navegar entre o drama e a comédia) vive parece muito mais um surto chato, desinteressante e que claramente não tem o mesmo brilho que a comparação inevitável que se pode fazer de Isso Ainda Está De Pé? com a série de comédia A Maravilhosa Sra. Maisel.
Já que ambos os personagens encontram refúgios em clubes de comédia onde compartilham as aflições de suas vidas com a plateia, em cima do palco, e com microfone livre. Mas as comparações acabam por aí, afinal, Isso Ainda Está De Pé? está bem longe do bom texto que a série de Amy Sherman-Palladino tinha.
Já que o que Cooper, Arnett e Mark Chappell apresentam aqui está anos luz de entregar alguma coisa no nível que Palladino apresentou. Por mais que seja baseado numa história real, a de um comediante britânico, talvez, ao cruzar pelo Oceano essa história não tenha dado muito certo. Novamente, Isso Ainda Está De Pé? Não, não está. Já que a ideia é que o longa nos introduza para Alex e para os motivos dele não estar satisfeito com sua vida e nos tentar apresentar os porquês para quem sabe ficarmos do lado dele. Mas sinto que se essa era a proposta, Isso Ainda Está De Pé? não acerta, e nunca, nessa missão.
E muito menos quando nos apresenta a figura de Tess (Dern, fazendo o que sabe fazer de melhor) a esposa de Alex que vive seus próprios dilemas quando ela e o marido passam por esse tempo separados. Ela não sabe que Alex participa do clube de comédia, e Isso Ainda Está De Pé? faz todo um drama sobre o assunto e que se arrasta por um bom tempo ao longo do filme.
Claro, nos entrega, talvez, a única passagem que Isso Ainda Está De Pé? tem de legal, e talvez, muito mais pela direção de Cooper que, como falei, eu acho ser um bom diretor. É um dos momentos lá na metade do filme, que ainda não tinha mostrado para que veio, quando vemos Alex estar atrasado para uma apresentação e que Tess está em um “encontro” com um ex colega (Peyton Manning) da sua época que era jogadora de vôlei e os dois partem para continuar a noite em um clube de comédia e a direção corre com a cena e mostra os dois paralelamente indo para o local sem saber da presença um do outro.

É caótico, a câmera acompanha o caos, e correr pelas ruas de Nova York foi muito bacana. Foi ali que Isso Ainda Está De Pé? quase mostrou para que veio e não foi uma total perda de tempo. Naqueles, sei lá, 10 minutos, com a cena acelerada, com a possibilidade do encontro iminente de Alex e Tess e o que isso poderia gerar para a trama e tentar salvar o longa para mim, fizeram eu aproveitar e ser catapultado para o filme e pensar: será que isso ainda está de pé e ainda tem salvação?
Mas logo depois vi que não. Afinal, 1 cena sozinho não basta. Já não é só Alex e Tess que são personagens ruins, os pais dele (Ciarán Hinds e Christine Ebersole), os filhos (Blake Kane e Calvin Knegten), os amigos, os casais Balls (Cooper, tão caricato) e Christine (Audra Day, um desperdício), e também Geoffrey (Scott Icenogle) e Stephen (Sean Hayes) são todos muito mal desenvolvidos e puro fiapos do que esperar de personagens e personagens secundários.
A justificativa para suas presenças, pelo menos dos casais de amigos, está na viagem que todos eles fazem para o interior, onde Alex e Tess começam a namorar em segredo e escondem que voltaram deles ao longo do final de semana e isso gera novas situações tão embaraçosas de assistir que nossa eu só olhava para o relógio torcendo para o tempo passar mais rápido para acabar com tudo.
No final, Isso Ainda Está De Pé? se mostra uma decepção sem tamanha, um filme que poderia ser mais do que entrega e apenas faz uma combinação de bons nomes e uma boa ideia que é executada de uma forma fraca e simplória. Uma pena para todos os envolvidos, mas também nada que vá os impedir de novos projetos. Juntos? Não, isso não vai tá de pé para eles não.
Isso Ainda Está De Pé?chega em 19 de fevereiro nos cinemas.













