Wicked: Parte 2 | Crítica: Tão bom que você sairá mudado… para sempre!

É inquestionável falar que um dos maiores acertos de Wicked (2024) foi a sensação imersiva que a direção de Jon M. Chu trouxe para a adaptação cinematográfica dessa peça da Broadway. Parecia que estávamos no melhor lugar da casa, na frente do palco, para vermos a Universidade Shiz, ver os números musicais, ver a Cidade das Esmeraldas, ver o voo de Elphaba.
E ver tudo isso na telona, foi um dos grandes pontos altos do cinema em 2024. E a pressão com a parte 2 era altíssima. Não só pela expectativa dos fãs que estava lá em cima ou pelas indicações que o filme teve para o Oscar, e sim por querer vermos como seria a conclusão dessa história.
E ainda bem que os dois filmes foram gravados de uma vez só, já que dá para dizer que sim Wicked: Parte 2(Wicked: For Good, 2025) é novamente uma experiência visualmente avassaladora e que sim, vai fazer o espectador sair mudado de tão boa. Para sempre.

Jon M. Chu não só acerta mais uma ao conseguir capturar a aura do espectáculo como também consegue deixar tudo com um sentimento de urgência e periculosidade muito maior nessa sequência. É tudo muito, muito bem feito. O desafio não só era entregar um novo filme a altura da primeira parte, mas também concluir a história das bruxas Elphaba(Cynthia Erivo) e Glinda(Ariana Grande) coisa que a parte 2 amarra tudo de uma forma muito bacana.
Outro ponto extremamente importante (e preocupante!) seria de como incluir nessa trama a história de O Mágico de Oz (um dos maiores clássicos do cinema de todos os tempos) e conectar as duas narrativas. E pensando aqui Wicked: Parte 2tinha também outros percalços a serem conquistados. E rumo a estrada de tijolos amarelos, a sequência partiu. Afinal, como peça, a história segundo ato de Wicked era muito mais dramática, sombria e menos “musical” e alegre. E transportar isso para os cinemas parecia sim uma tarefa bastante difícil, ainda mais se formos pensar que seria um filme isolado, com começo, meio e fim, e espaçado em 1 ano de diferença do lançamento do primeiro filme.
Diferente dos 15 minutos de intervalo entre os dois atos da peça. E assim, como no musical, é esperado que quem assistiu a primeira parte voltaria para ver a segunda, mas estamos em outra mídia, e a missão aqui, seria fazer com que a conclusão da trama fosse interessante o suficiente para atrair o público causal de volta para um segundo filme.
E depois de assistir Wicked: Parte 2, fica claro que o filme sacode todas essas preocupações, deixa esses questionamentos para trás, e entrega um robusto, magistralmente bem executado filme liderado por duas poderosas atuações.
Elphaba e Glinda se conheceram, mudaram uma a vida da outra, tomaram decisões que as afastaram e agora com Wicked: Parte 2 precisam lidar com as consequências dessas escolhas. Se Wicked era sobre criação de mundo e a amizade improvável entre uma bruxa verde e uma cabeça de vento, Wicked: Parte 2 é sobre como essa amizade prevalece em meio às adversidades impostas não só por forças terceiras, mas também por elas mesmas.
Ao colocar Elphaba como a figura da Bruxa Malvada do Oeste e Glinda como Glinda, a Boa, Wicked: Parte 2 continua a sua narrativa em tirar essas personagens em caixas, ou moldes, pré-estabelecidos que elas tão, e que foram colocadas, agora que elas assumem seus papéis na sociedade de Oz comandadas pelo charlatão do Mágico e sua assistente com poderes de controlar o tempo. Até que as coisas se complicam, e em um dos momentos, Elphaba já mais velha e calejada até diz: Eles querem que eu seja a Bruxa Má e eu vou ser a Bruxa Má.
E isso dá a chance para tanto Erivo, quanto Grande, ampliarem os escopos dramáticos que trabalharam até então e expandirem suas atuações para entregarem novas camadas dessas personagens. Erivo continua a impressionar em navegar pelas complexidades de Elphaba e aqui a personagem precisa lidar com diversas novas coisas e obstáculos. Com sua irmã Nessa (Marissa Bode) em um novo, complexo e mórbido capítulo depois que ela assume o governo de Munchkinland e trabalha junto com Boq (Ethan Slater). E também precisa lidar com fama não desejada e como ela vai conseguir se desvencilhar dos ataques direcionados para sua pessoa, e claro, com as artimanhas que o Mágico (Jeff Goldblum, muito bem) e Madame Morrible (Michelle Yeoh) continuam a bolar para se manterem no poder.
E claro, com os sentimentos que ainda tem para Fiyero (o sempre carismático Jonathan Bailey) que assume a guarda de Oz, onde o personagem segue a continuar a desenvolver um pensamento próprio e começa a questionar o papel que ele e Glinda tem nisso tudo.
Narrativamente, é tudo muito bem construído e Erivo consegue passar tudo que Elphaba vive, durante esse novo capítulo, de uma forma que transborda para a tela. Erivo entrega o seu melhor e está incrível aqui. Principalmente quando uma jovem garotinha do Kansas surge em Oz, toma posse do sapato de sua irmã, ela vira a chavinha e abraça seu lado mais… perversa.
E particularmente, a interseção da história com de O Mágico de Ozme agrada muito da forma como foi feita aqui. Com apenas um aceno e como uma homenagem do que dizer “que estamos recontando a história do original.” Já que fica claro que é foi um coisa que Jon M. Chu e os roteiristas pouco se preocupam mesmo. A presença de Dorothy segue os moldes da peça, sempre nas sombras, ou fora de campo de visão principal. Afinal, essa história, não é a sua história e Wicked: Parte 2sabe muito bem, e apenas coloca os elementos deste mundo para o universo do filme original.

Principalmente quando temos as figuras do Homem de Lata, Espantalho, e Leão Covarde e suas relações com os personagens apresentados em Wicked. Coisas que acabam por serem acenos legais e bons easter-eggs. E falando em acenos, se Grande roubou a cena como a afetada e escandalOZsa Glinda no primeiro filme, em Wicked: Parte 2isso cresce exponencialmente e a atriz vem para o Oscar com dois pés no peito e uma varinha na mão.
Já que Grande constrói Glinda de uma forma em que vemos a personagem começar a rachar, onde ela começa a notar o peso das suas decisões e que a culpa que ela sente somente cresce como a bolha mágica que ela usa. Grande sai da atuação chamativa (mesmo que muito boa do primeiro filme) para uma mais contida. Tem uma cena, lá para a metade, que Glinda arma uma situação baseada em pura raiva que a expressão de Grande muda rapidamente que é definitivamente o ápice dela como a personagem.
E quanto mais para o final do filme, quando vemos tudo que acontece com os outros personagens, e baldes de água são jogados, e o último dueto das duas amigas é cantado, vemos que a personagem carrega essa dor e que Grande demonstra isso com grande estilo.
E falando em duetos, sim, a parte 2 falta um grande número musical, alguma coisa mais tchan, já que Wicked tinha várias, mas sinto que as músicas servem muito mais aqui para serem demonstrações de sentimentos do que apenas servirem para serem musicais grandiosos para entreter. Os destaques ficam com No Good Deede For Good, onde fica claro que cada parte, seja a primeira, ou a segunda, de Wicked usa o gênero musical para o melhor. E sim, as músicas novas, No Place Like Home (cantada por Erivo) e The Girl in the Bubble (cantada por Grande) realmente ajudam a contar essa nova etapa de vidas das duas.
No final, Wicked: Parte 2taca uma casa na cabeça de quem duvidava do potencial do segundo filme, onde todas as preocupações que surgiam desde que o projeto foi anunciado e que poderíamos ter somem feito um furação, já que o longa encerra essa jornada por Oz de uma maneira tão bonita, tão impactante.
E de uma forma que fecha a narrativa de um jeito tão interessante que assim que a trama volta para o momento que Glinda conta para os habitantes de Munchkinland que a Bruxa Má se foi, você torce para que se bater os calcanhares algumas vezes na sua cadeira você poderá estar novamente no começo de Wicked vendo a história se desenrolar mais uma vez. E pela primeira vez.
Wicked: Parte 2 chega nos cinemas em 20 de novembro.











