Wandinha – 2ª temporada – Parte 1 | Review: Com desgosto, ela voltou!

- Wandinha está naquela idade em que garotas só pensam em uma coisa.
- Garotos?
- Homicídio!

A frase acima é uma das mais célebres de A Família Addams 2 (1993), mas poderia muito bem se aplicar para a parte 1 dessa segunda temporada de Wandinha que retorna como um dos carros chaves da programação da Netflix em 2025. Três anos depois do sucesso estrondoso que o seriado fez, batendo recordes de visualizações e criando mais uma série evento para a plataforma, a personagem e Jenna Ortega estão de volta.

Com muito desgosto, e muita coisa dita na imprensa sobre o projeto nesse meio tempo, fica claro que a primeira leva de episódios do novo ano de Wandinha vem com muitas mudanças. Algumas positivas, outras negativas, mas é inegável que o talento de Ortega e a forma como ela se apropriou da personagem é o que realmente faz a série rodar e continua a ser o grande chamariz desse retorno. Ainda mais agora com a atriz também como produtora da atração junto com Tim Burton. Assim, fica claro que o novo ano de Wandinha é marcado por ajustes.

Emma Myers as Enid Sinclair, Jenna Ortega as Wednesday Addams in episode 201 of Wednesday. Cr. Courtesy of Netflix © 2025
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Uma das grandes reclamações foi a falta de mais Família Addams na trama, afinal, o primeiro ano curiosamente tirava Wandinha do círculo familiar e colocava a personagem numa escola com novos personagens que nunca fizeram parte das histórias e nem foram popularizados nos 2 filmes lançados nos anos 90. E Wandinha, a personagem, nesse segundo ano de Wandinha, a série, até brinca com isso em uma das cenas: “Eu preferia quando você era uma bola de cristal de distância!”, diz ela para mãe Mortícia (Catherine Zeta-Jones), quando as duas tem um dos primeiros de vários arranca rabos dessa primeira leva de capítulos que acaba por ser um dos pilares narrativos desse segundo ano.

Ao aproximar Mortícia (e os Addams) para o núcleo de NuncaMais, Wandinha amplia a narrativa para focar na relação mãe e filha que traz um drama maior do que tivemos no primeiro ano, sem dúvidas. E não só a matriarca está de volta, com mais tempo de tela e mais inserida na narrativa, como também Gomez (Luis Guzmán) que serve como alívio cômico da vez, e também Feioso (Isaac Ordonez que espichou nesses últimos anos) que se matricula na Escola NuncaMais e segue com uma trama paralela da principal que por mais que não seja totalmente empolgante deixa o seriado mais robusto em termos de narrativas a serem acompanhadas.

O segundo ano ainda tem a presença onipresente de duas outras figuras da família Addams: A Vovó (Joanna Lumley) que ganhou uma repaginada em relação aos filmes chega para complicar a relação mãe e filha e para introduzir a relação mãe-filha-neta na série. E também da tia Ophelia, irmã de Mortícia que compartilha os poderes que Wandinha tem e que, pelo andar da carruagem, deve dar as caras também em breve, mesmo que só seja citada nesse primeiro momento.

Mas dá para dizer que funcionou trazer o núcleo dos Addams para a série? Particularmente acho que a mudança tem seus pós e contras. Serviu para mudar o foco um pouco para a trama que dominou o primeiro ano e que foi deixada de lado agora no segundo ano. Por mais que inofensivo que soou no primeiro ano, o triângulo amoroso que Wandinha acabou vivendo com Xavier (Percy Hynes White) e Tyler (Hunter Doohan) parece que não agradou todo mundo e aqui na nova leva some no ar ou por uma das inúmeras passagens que o colégio frequentado por esses seres sobrenaturais tem. Um dos lados do triângulo foi tirado de circulação por problemas nos bastidores que envolveu o ator que o interpretava e o segundo, bem como vimos na série, está preso num hospício depois dos eventos do primeiro ano.

Talvez, não seja o ano do romance para Wandinha. E com isso fora do caminho, era a chance perfeita para inserir mais da família no núcleo da escola. Mas parece que isso acaba por parecer como uma manobra do roteiro, sabe? Já que ao mesmo tempo que os pais tem uma desculpa para estaremos no colégio, Wandinha com seus novos poderes descola novos problemas e mistérios para solucionar e passa boa parte dos episódios iniciais desse segundo ano sozinha, por investigar pistas e por desviar de um perseguidor misterioso. 

Steve Buscemi as Barry Dort, Catherine Zeta-Jones as Morticia Addams, Jenna Ortega as Wednesday Addams, Isaac Ordonez as Pugsley Addams, Joonas Suotamo as Lurch, Luis Guzmán as Gomez Addams in episode 201 of Wednesday. Cr. Jonathan Hession/Netflix © 2025

E como falamos, o novo ano de Wandinha é de ajustes. Os fãs que adoraram a dinâmica Glinda e Elphaba de Wandinha e Enid (Emma Myers) vão ficar meio desapontados aqui, afinal, as duas passam boa parte dos novos episódios separadas, já que a personagem não quer incluir a colega de quarto nessas novas aventuras por conta de uma visão em que a lobisomem vai de arrasta para cima e é isso que motiva a protagonista a investigar o que vai acontecer e como ela pode impedir isso de acontecer. Ou, talvez, seja só mais uma manobra de roteiro por conta de Myers ter passado um tempo gravando Minecraft? Talvez. 

E com Enid meio que de escanteio e mais focada no seu próprio triângulo amoroso agora com Bruno (Noah B. Taylor) e Ajax (Georgie Farmer), Wandinha segue Wandinha com um tom mais detetive paranormal com ajuda de Mãozinha, e também de uma admiradora, a estudante Evie (Agnes DeMille) que é introduzida na nova leva e serve para ajudar a dar um contexto que explica a popularidade que a personagem ganha em NuncaMais e que, claro, ela detesta. 

E mesmo com alguns ajustes, a série continua a cair nas armadilhas do primeiro ano como aquela que coloca grandes nomes em pequenos papéis para depois lá na frente fazer revelações óbvias sobre esses mesmos personagens que parecem que só estão lá para termos um artista conhecido na trama. É o caso dos novos nomes que pipocam no segundo ano como Steve Buscemi que interpreta o Diretor Dort, que leva mudanças para a Escola NuncaMais e que é totalmente a favor da cultura dos Excluídos, para a nova professora de música Isadora Capri (Billie Piper), para o professor Orloff do ator Christopher Lloyd, uma cabeça ambulante dentro de um recipiente, e ainda o time de funcionários do hospital psiquiátrico que se torna local chave para a trama com as conselheiras Judi ​​Spannegel (de Heather Matarazzo) e a Dra. Fairburn (Thandiwe Newton)

E se o novo ano, pelo menos a parte 1, tem essas mudanças, uma coisa que Wandinha soube acertar mais uma vez é a relação da personagem título com o Tio Funério (Fred Armisen, ótimo) que retorna para a nova leva e faz a trama, meio truncada dos episódios iniciais, ficar mais fluida na medida que o mistério começa a se desenrolar lá pelo combo final da parte 1.

Fred Armisen as Uncle Fester and Jenna Ortega as Wednesday Addams in “Wednesday. Cr. Helen Sloan/Netflix © 2025

A série precisou fazer esses reajustes, e que são sentidos, já que parece que a divisão por blocos é proposital já que a parte 1 resolve boa parte dos mistérios apresentados já logo de vez em vez de deixar a revelação para os momentos finais como foi no primeiro ano. Vamos ver o que a Parte 2 nos reserva, já que nesse começo, a atração precisa lidar com muitas coisas, seja a nova leva de personagens, o que fazer com os personagens antigos como os estudantes da sereia Bianca (Joy Sunday) e Eugene (Moosa Mostafa), e ainda o aumento na participação dos Addams.

Assim, tudo acaba por ficar um pouco corrido e sem o mesmo brilho inicial que a série teve já que a graça de A Família Addams, e aqui por tabela de Wandinha, sempre foi colocar esses personagens com um toque sombrio em paralelo com o mundo “normal”.  Mas aqui no novo ano, os personagens normais, são poucos, e a série foca muito mais mundo sobrenatural que eles vivem. Talvez, também seja por conta o período de tempo, 3 anos entre as duas temporadas, talvez, seja todas essas mudanças de uma vez que afetam um pouco a experiência de ver a série.

Mas mesmo com tudo que foi pontuado, o saldo dessa segunda temporada é que Wandinha faz um bom e divertido retorno. É inegável ver que todo o elenco está bem, de Ortega que tem falas incríveis, para Zeta-Jones, Armisen, Sinclair e até mesmo Mãozinha num trabalho primoroso que mistura efeitos práticos e especiais que parecem que aumentaram nesse segundo ano. Por exemplo, a Escola NuncaMais parece maior e a série segue a ter bastante cenas no colégio (mesmo que curiosamente os alunos nunca estão em aula) e também em outras grandes locações como uma grande comemoração com fogueira para marcar o volta as aulas e também uma ida para um acampamento.

O primeiro episódio é um grato retorno, mesmo que trama ganha fôlego no final do episódio 3 e realmente engrena no 4, mas aí a parte 1 acaba. E com a parte 2 do segundo ano de Wandinha somente daqui um mês e com a possibilidade da chegada/participação da cantora Lady Gaga na trama de eclipsar outros personagens e narrativas, vamos ter que esperar para ver se a quebra em 2 partes foi uma boa ideia ou não. 

No final, Wandinha não entrega um retorno espetacular, ainda mais por ter demorado 3 anos para fazer isso, mas como foi bom estar de volta para o Universo da atração, onde finalmente alguém percebeu que o colégio NuncaMais e a Netflix compartilham a mesma inicial, o N gigante que aparece adoidado na atração agora com mais destaque. No espirito da personagem, dá para dizer que esses 4 episódios foram desprazer, sem dúvidas.

A Parte de 2 da segunda temporada de Wandinha chega em 3 de setembro na Netflix.

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Miguel Morales

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