Vozes e Vultos | Crítica: Nem terror, nem suspense, apenas um filme fraco que não sabe o que quer ser

Pelo trailer, e pelos nomes envolvidos, Vozes e Vultos(Things Heard & Seen, 2021) tinha muito potencial. Apenas tinha. Com uma trama que se desenvolve de uma maneira extremamente confusa e que atira para diversos lados, o novo longa da Netflix é um daqueles que deixa a desejar.
Vozes e Vultos realmente é isso, um filme que parece que é como se tivéssemos várias vozes ao mesmo tempo a ditar os rumos da história e que entrega trama em zig-zig que fracamente se desenrola ao longo dessas duas horas. A dupla Shari Springer Berman e Robert Pulcini parece que nunca sabe bem qual será o foco do filme, e tentam desesperadamente fazer com que Vozes e Vultos seja um suspense daqueles dos bons, mas que no final, faz uma grande salada mista de diversos gêneros e que acaba por não entregar nada de interessante ou bacana.

Foto: Anna Kooris/NETFLIX © 2020
Assim, logo de cara dizemos que Vozes e Vultosdeve deixar o espectador com o sentimento de “Agora vai”, na esperança que trama vá para um determinado caminho, onde passa a sensação que “Ah, vou aproveitar e curtir esse filme aqui”, até que a história muda sua trajetória de uma forma tão confusa que você fica: “por quê?“.
Vozes e Vultos não sabe se é terror (temos entidades rondando uma casa em uma cidadezinha), um terror psicológico (quando vemos nossa protagonista lidar com suas próprias inseguranças e outras coisas que deixam a dúvida se estão apenas em sua cabeça ou não), ou um suspense com uma trama de assassinatos e outras matanças reais. A dupla Bernan e Pulcini, que além de escreverem o roteiro adaptado da obra de Elizabeth Brundage chamada All Things Cease to Appear(2016), comandam o projeto, e eles acabam por colocar tudo isso dentro desse pacote e chacoalham bastante, onde o espectador deverá sair atordoado como se tivesse ido em um daqueles brinquedos de parque de diversão que rodopiam e fazem você passar mal.
E ao mesmo tempo Vozes e Vultos, parece também que nunca quer se comprometer com nada, tudo é contado de maneira sutil e sugestiva, as cenas mais importantes nunca são realmente mostradas, desde do começo impactante com o personagem e o sangue no carro, até o desenrolar da história antes disso. Algumas partes e acontecimentos ficam apenas na sugestão, no diálogo entre dois personagens, e não servem para realmente dar o norte firme que a produção precisava.
Em Vozes e Vultos, estamos nos anos 80 e conhecemos o casal Catherine (Amanda Seyfried, logo após ter sido indicada ao Oscar) e George (James Norton, o novo ator do momento em Hollywood para interpretar homens brancos com comportamentos tóxicos) que se mudam de Nova York para o interior dos EUA para recomeçarem com um casal, depois que George assume o cargo de professor de artes em uma faculdade de prestígio. Ela deixa o trabalho com restauradora para acompanhar o marido nessa nova empreitada e ele tem como missão promover o sustendo da família agora sem a ajuda dos pais, e o que parecia uma nova etapa para a dupla e para a filha pequena deles, a jovem Franny (Ana Sophia Heger), ao longo do filme acaba não ser a melhor decisão do casal.

Foto: Netflix
Como falamos Vozes e Vultos fica no sugestivo para mostrar as decisões que esses personagens tomam ao longo do caminho, e coloca uma trama de casa amaldiçoada no meio que não ajuda em nada o desenrolar da história que é contada aqui. Na medida que o casamento de Catherine e George começa a mostrar sinais de desgastes, a relação deles com os outros moradores do lugar começa a mostrar suas verdadeiras caras. Seja na aproximação de George com o chefe, o professor Floyd (F. Murray Abraham) que acredita nas filosofias de um livro sobre se comunicar com o reino espiritual, a colega de faculdade Justine (Rhea Seehorn) que acaba por desenvolver um laço com Catherine, ou até mesmo os jovens Wills (Nathalia Dyer)e Eddie (Alex Neustaedter) que despertam uma certa curiosidade “proibida” nos novos moradores daquela comunidade.
Ao não saber lidar com o que quer ser e o tipo de filme que se apresenta Vozes e Vultos acaba por deixar algumas reviravoltas em sua história e alguns mistérios apresentados ao longo do filme para os últimos minutos, seja o motivo na qual a casa cheirava a gás, o que significava o anel encontrado na cozinha ou até mesmo o livro dos primeiros proprietários do imóvel, ou a verdadeira história por trás dos quadros sobre o mar e etc, e que no final, nem são tão bons assim para fazerem o longa valer a pena.
Com um tom de empoderamento feminino até que interessante quando Catherine finalmente sai da teia de mentiras do marido e seu comportamento abusivo, o longa acaba que perde em aparições fantasmagóricas sem sentido, e faz com que Vozes e Vultosentregue o que chamamos do filme do quase, quase entrega uma boa história, quase empolga e quase sua trama entrega um filme que faça valer nosso tempo. No final, Vozes e Vultos faz apenas um chiado muito baixo e incômodo, num filme que parece que nunca encontra propriamente sua voz para contar essa história de uma forma apropriada. Uma pena.
Vozes e Vultosdisponível na Netflix.











