Em 2019, com Knives Out (que veio com o título nacional de Entre Facas e Segredos), o diretor Rian Johnson conseguiu um feito bastante interessante: colocar um bando de nomes famosos de Hollywood em um filme de murder mystery, no melhor estilo Agatha Christie,que não só ajudou a revitalizar o gênero no cinema, mas como criou uma nova franquia de filmes num momento onde a busca por eles estava em alta.
Claro, no ano seguinte ao lançamento do filme tivemos a pandemia, tudo mudou na forma como assistimos filmes e séries e o streaming ganhou muito mais força. Então, a franquia Knives Out foi parar na Netflix e Johnson recebeu uma bolada para desenvolver filmes. E o roteirista/diretor não perdeu a mão e o filme se tornou um marco na cultura pop, no mundinho cinéfilo e parecia que todo artista de Hollywood queria estar envolvido com o próximo capítulo dessa história.
E se o primeiro filme tinha um ar de frescor para colocar personagens carismáticos num casarão no meio do nada e apresentar uma trama de mistério extremamente política num momento que o debate americano estava bastante inflamado (ainda continua, claro), o segundo bem que tirou um pouco o tom de seriedade apresentado, foi para uma ensolarada locação, e abraçou um lado mais floreado e galhofa.
O que continuou o mesmo claro foi a presença de Daniel Craig como o inteligente, sagaz, e competente detetive Benoit Blanc e que na época do primeiro filme vinha, e surfava, do sucesso de ter finalizado a franquia Bond.
E claro que um terceiro filme era bastante aguardado pelos fãs que querendo ou não impulsionam os filmes Knives Out ao longo dos anos no streaming, onde o gênero segue extremamente popular. E com Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out (Wake Up Dead Man: A Knives Out Mystery, 2025) Johnson está de volta e entrega novamente um bom mistério em um filme cheio de diálogos extensos e reflexivos recheados com comentários políticos e sociais ainda mais pertinentes do que os feitos lá em 2019.
Definitivamente Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out faz um retorno que lembra muito o primeiro filme. A pergunta que paira no ar: é o melhor dos três? Não! Está ali no meio termo, atrás do primeiro. Muito mais pelo fato do primeiro ter tido um fator uau, de novidade.
E por mais que Johnson tenha vendido o filme como o mistério mais difícil da carreira Blanc, de certa forma o mistério que o filme apresenta aqui é mais um que apenas parece que não será possível o detetive encontrar uma solução. Até mesmo por que o texto de Johnson envolve uma complexidade interessante dentro do gênero Whodunit (o chamado locked-room mystery, onde o como também é importante junto com o quem) com uma pitada de sobrenatural banhado com toque de religiosidade bem grande.
E por mais que interessante, empolgante, às vezes engraçado, e rebuscado (talvez o mais rebuscado dos três filmes), Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out é ofuscado não só pela presença carismática de Craig mais uma vez no papel como também de Josh O’Connor que aqui interpreta um padre com um passado atribulado e que se vê no meio de uma conspiração na medida que é transferido para uma nova, pequena, e fiel, congregação religiosa no interior.
No terceiro papel de destaque no ano, ao lado de The Mastermind e A História do Som, O’Connor entrega o melhor dos três aqui em Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out e realmente é o grande destaque do filme e a atuação que chama atenção ao longo das mais de 2h20min que o filme tem.
Como o atormentado Padre Jud, o ator serve como condutor para a trama que Johnson desenvolve para o filme e chega até a ofuscar o mistério que Blanc vem resolver aqui no longa. Afinal, a congregação e o próprio Monsenhor Jefferson (Josh Brolin, numa atuação agressiva baseada no grito e bem diferente do que vimos o ator em A Hora do Mal) não gostam nada de quando o jovem Jud chega em novas ideias e formas de como atrair novos fiéis para os cultos de domingo que são realizados com cada vez menos pessoas presentes.
Mas entre os que estão presentes religiosamente na Nossa Senhora da Perpétua Fortaleza temos a betada Martha Delacroix (Glenn Close, sem medo de soar caricata principalmente depois da passagem na série Tudo é Justo), o caseiroSamson Holt (Thomas Haden Church), uma advogada Vera Draven (Kerry Washington num papel difícil aqui e que não acho que a atriz tenha encontrado o tom, infelizmente), Cy Draven (Daryl McCormack) um jovem político que usa o poder das redes sociais para suas aspirações, o médico Nat Sharp (Jeremy Renner) que vive um momento conturbado depois que sua esposa e a filha o deixaram, um autor de livros de sucesso chamado Lee Ross (Andrew Scott, sempre tão carismático) que está em busca do seu próximo hit, e uma violoncelista de renome chamada Simone Vivane (Cailee Spaeny meio que desperdiçada aqui depois de 2 papéis anteriores marcantes) que viu uma doença a afastar da profissão.
Todos eles têm personalidades distintas, e motivos diferentes de estarem sermão após sermão presentes no grupo seleto que compõe os mais chegados da paróquia. Coisa que é um trabalho para o texto de Johnson que precisa lidar com diversas passagens que inflam a trama do filme que é construída aos poucos, a passos bem devagar, e nos levam para pistas para a identidade do assassino. Algumas nos levam para a resolução, outras são apenas firulas para dar um contexto para alguns dos personagens.
E também que é preciso entrar no passado deles, onde o roteiro de Johnson precisa ter tempo de apresentar também todos os outros participantes desse mistério que é apresentado aqui quando Monsenhor Jefferson é atacado e cai morto no chão, em cima do altar da igreja que ele trabalha e bem enquanto um culto se realiza.
Assim, a culpa divina é colocada em xeque na medida que os fiéis começam, junto com Blanic, a pensar de uma forma lógica o que poderia ter acontecido. E claro, ao mesmo tempo, dar tempo para que o verdadeiro assassino se mantenha escondido. Ou como o filme brinca, será que o culpado não foi alguma coisa sobrenatural?
Na medida que o caso, e uma detetive implacável interpretada por Mila Kunis e um chapéu de polícia gigante, coloca Blanc contra a parede e Johnson o coloca em uma sinuca de bico sem ter por onde fazer a investigação andar, Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out nos brinda com mais um belo roteiro e diversos questionamentos que só o texto de Johnson poderia nos entregar. E um muito engraçado e afiado para um filme que lida com questões tão interessantes como esse.
Claro, a trama tem algumas reviravoltas em excesso, e leva um tempo maior para conseguirmos formar o quebra-cabeça que Johnson quer nos apresentar, mas quando a chavinha clica e tudo começa fazer sentido, o sentimento de alívio em que notar o que o diretor e roteirista quis contar com Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out acaba por dar certo é muito grande.
Liderado pelo excelente Craig no papel, Vivo Ou Morto: Um Mistério Knives Out encerra a trilogia milionária de Blanc que começou nos cinemas e terminou na Netflix com um gostinho de quero mais. Mas, assim como o crime em si que pareceu humanamente impossível de se resolver seja pela logística do espaço em questão, da busca pela arma do crime, e pela identidade do assassino, a tarefa de continuar as histórias de Blainc está nas mãos de um hábil contador de história que com certeza vai conseguir resolver também esse mistério.
3,5/5 estrelas
Filme visto à convite da Netflix em Novembro.
Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out chega em 12 de dezembro.
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