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Vice | Crítica

Vice (2018) chegou de supresa na temporada de premiações, não tendo feito a trajetória nos festivais de cinema ao longo do mundo, mas isso não desqualifica, o longa do diretor Adam McKey, e o faz ser pior ou menor perante seus concorrentes na categoria de Melhor Filme para o Oscar desse ano.

Vice – Crítica | Foto: Imagem Filmes
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Assim, Vice, faz um filme envolvente e cativante, é como se as séries Veep (da HBO) e House of Cards (da Netflix) tivessem um filho juntos, onde temos uma produção que fala sobre política americana, com uma veia mais cômica, mas sem menosprezar os eventos acontecidos. Aqui, acompanhamos a mão invisível de Dick Cheney, um ótimo e irreconhecível Christian Bale, como o ex-vice presidente americano que moldou grande parte do cenário político americano como conhecemos hoje.

Assim, com uma edição super rápida e apoiado em transições e cortes bruscos, Vice faz um filme divertido, sarcástico e bem humorado com ótimas atuações de Bale, Amy Adams como Lynne Cheney e Sam Rockwell com o Presidente Republicano, George W. Bush.

Mas, não se engane, por trás de tudo isso, Vice, também grita desespero e é aquele filme que o espectador com um olhar mais aguçado já percebe que ele “foi feito para o Oscar“! Por mais impressionantes que sejam as atuações dessa dupla de Frank e Claire Underwood da vida real, Vice faz uma produção que navega entre ser over e o caricata, mas que acerta em fazer isso na dose certa, de uma maneira que camufla suas intenções para a temporada de premiações.

Vice, se destaca pelas ótimas caraterizações que passam por diversos momentos da política americana (dos anos 60 até os anos 2000), os figurinos de época, e claro, as maquiagens e próteses utilizadas pelos atores que ajudam (e muito!) o longa contar sua história. O foco principal acaba por ficar nos anos que Cheney, foi vice-presidente dos EUA, durante os anos de 2001 até 2009, durante a administração Bush, e serviu como um senhor das marionetes que levou o país a travar as chamadas guerras contra o terror, após o fatídico e devastador atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.

O roteiro, também de McKay, acerta ao criar um retrato acurado, ora dramático, ora engraçado e engenhoso da trajetória de uma das figuras mais controversas da história americana, o que parece ser a especialidade do diretor, que se junta com Bale novamente depois de A Grande Aposta (2015). 

Vice – Crítica | Foto: Imagem Filmes

Ao utilizar o artificio do narrador-personagem, com a voz rouca de Jesse Plemons, Vice, ao longo do filme, conta com pequenas surpresas, como participações de figuras conhecidas de Hollywood, que vão desde Steve Carrell (na busca de um prêmio a qualquer custo!), Alfred Molina até Tyler Perry, até mesmo por recursos narrativos inusitados como a quebra da 4a parede (coisa que colocou a série House Of Cards no mapa!), finais falsos e um filme dentro de um filme, onde Vice trabalha de forma bem humorada essas inserções com uma metalinguagem enorme.

Assim, o roteiro de Vice acaba por entregar uma história ácida, certeira e que não poupa nenhum lado da política americana e das figuras apresentadas (seja ela do Partido Democrata ou Republicano). Vice, narra as tramóias do mundo político com cansativos termos jurídicos e faz um intenso olhar sobre o sistema legislativo e executivo americano, claramente um filme que precisa ter alguma noção sobre como funciona o governo americano.

Mas, as boas atuações e uma edição que carrega o espectador pela intensa jornada de Cheney pelo poder, faz de Vice um filme super interessante, ainda mais em um momento político conturbado, regrado de notícias falsas e apelos sensacionalistas.

Nota:
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Vice chega nos cinemas nacionais em 31 de janeiro.

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Miguel Morales

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