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Joias Brutas | Crítica

Um dos filmes mais comentados desta temporada de premiação finalmente desembarca no Brasil, sem passar nos cinemas, e sim pela Netflix, onde garantimos que vale todo o hype que foi criado em cima da produção dos irmãos Safdie.

Joias Brutas (Uncut Gems, 2019) faz um típico filme da produtora A24 que conta uma história quase única, e bastante viceral em sua proposta, com uma qualidade técnica e visual impressionante. E para isso temos um Adam Sandler completamente fora dos papeis convencionais que já o vimos trabalhar. Sandler é alma dessa joia escondida no catálogo da Netflix que leva e conduz o espectador no meio de um furacão numa história sobre o sub-mundo de apostas de Nova York. 

Joias Brutas | Crítica | Foto: Netflix/A24
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Brutal e frenético, Joias Brutas faz um daqueles filmes com uma trama contada de uma forma bastante imprevisível, e que abraça o caos, em que o longa deverá deixar o espectador tenso e preso na ponta do sofá. Assim, o filme consegue mostrar rapidamente como age a figura malandra e carismática do joalheiro Howard Ratner (Sandler) onde Joias Brutas consegue apresentar como a história do personagem começa, como ela irá terminar, é o grande x da questão, afinal, parece que tudo que tinha que dar errado dá errado para Howard que nunca vê sua maré de sorte chegar.

E para isso, a dupla de diretores Benny e Josh Safdie conseguem mais uma vez criar uma ambientação visual caprichada e completamente sedutora. Joias Brutas faz um daqueles filmes de tirar do fôlego de qualquer um que luta para acompanhar as peripécias que Howard precisa fazer para pagar o dinheiro que ele pegou emprestado com um grupo de agiotas, conciliar a família, o seu trabalho verdadeiro, e ainda uma amante bastante vocal.

Assim, vemos o personagem, que Sandler consegue entregar de uma forma muito bem trabalhada, ao longo do filme todo, negociar um acordo para tentar cumprir suas obrigações com seus outros acordos passados. Temos apostas em jogos de basquete, anéis de jogadores, e um leilão envolvendo uma gema de opala colorida que seduz todo mundo que a vê.

E é isso que Joias Brutas faz, seduz o espectador com sua trama alucinante, e marcada por boas e explosivas atuações, seja de Sandler, totalmente fora do seu lugar comum e que está incrivelmente bem no filme, até mesmo os atores coadjuvantes como esperta Julia (a novata Julia Fox, ótima) que mantém o caso com seu chefe Howard, e a dupla de atores LaKeith Stanfield (como Demany um dos funcionários de Howard), e Idina Menzel como Dinah, a esposa do protagonista.

Joias Brutas | Crítica | Foto: Netflix/A24

Joias Brutas mete o pé no acelerador e o deixa por lá quase o tempo todo, são poucas partes que conseguimos respirar e tentar processar o que acontece na história, afinal os agiotas não tem tempo para perder, e querem seu dinheiro logo, muito menos Howard que sempre precisa descolar um novo negócio para tentar ganhar seu dinheiro, e acaba por fugir deles quase o filme todo. E o ritmo alucinado e a trilha sonora que acompanha, as gritarias, e as diversas pessoas procurando Howard por dinheiro pode cansar em algum momento, afinal, Joias Brutas não desacelera de maneira nenhum para entregar momentos finais corajosos e intensos.

Os irmãos Safdie aqui repetem o feito visto em Bom Comportamento (2017) e nos entregam uma experiência completamente marcante. Joias Brutas navega entre joias verdadeiras, relógios caros, e apostas milionárias para entregar uma história bastante surreal e completamente imprevisível. No final, temos um daqueles filmes que sabem colocar sua marca, e que definitivamente irá conversar com o espectador por dias. 

Nota:

Joias Brutas disponível na Netflix.

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Miguel Morales

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