Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda (Freakier Friday, 2025) vem dessa onda de sequências nostálgicas que tem tomado conta de Hollywood nos últimos anos, principalmente, mas não exclusivamente, nos estúdios Disney. A área de live-action sempre foi marcada pelos remakes, mas ao longo dos anos viu a tendência em trazer de volta algumas histórias já contadas, agora em forma de sequências misturadas com reboots, ganhar forma e trazer um din-din a mais para os cofres do estúdio.
Claro, não é nada comparado aos projetos em live-action das animações que chegaram algumas a fazer 1 bilhão de dólares em bilheteria mundial, mas era um novo caminho a ser percorrido pela divisão que competia com as próprias animações, Marvel Studios, Star Wars e 20th Century Studios.
Assim, tivemos Abracadabra 2 alguns anos atrás, Sexta-Feira Louca 2 foi aprovado e agora temos até O Diabo Veste Prada 2 também confirmado e que tem movimentando as redes sociais enquanto grava cenas pelas ruas de Nova York nas últimas semanas.
E esse retorno ao conhecido tem dado certo, afinal, se os anos 80 e 90 foram a época de serem revisitados em Hollywood nos últimos anos, agora fica claro que sim chegou a vez dos os anos 2000 chegarem com tudo. Separem suas calças baixas, ou calças largonas que agora é a hora e a vez dos 00s, afinal, já se passaram mais de 20 anos. E nas palavras da Dra. Tess, ou melhor, da filha dela Anna, no seu corpo, lá no filme original: Estou velha!
E Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda é mais um exemplo disso. Só que no que parecia que seria alguma coisa totalmente apoiada apenas na nostalgia e no momento que vivemos em Hollywood, faz alguma coisa realmente divertida de se assistir. Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda consegue se desvencilhar de ser apenas uma sequência fácil e descartável, daquelas que antigamente eram chamadas de direto para DVD e que eram lançadas apenas por serem, sabe?
Claro, o longa surfa na nostalgia e meio que repete a fórmula, mas todo mundo tá muito carismático e com um timing cômico incrível. É a consolidação do retorno da Lindsay Lohan depois de fazer algumas comédias no streaming alguns anos atrás, aqueles projetos mais água com açúcar, e tem Jamie Lee Curtis totalmente fora da coleira e capitalizando os bons anos que teve depois de trazer a franquia Halloween de volta e ainda levar o Oscar para casa por Tudo Em Todo O Lugar Ao Mesmo Tempo.
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda aposta na diversão e com isso, de fazer não só que Anna e Tess troquem mais uma vez de corpos, mas a fazer também com as outras jovens meninas que também entram na família e na história, a dobrar os momentos cômicos que o longa tem. Mais personagens, mais diversão.
É uma revisitação do mundo desses personagens que conhecemos, e vimos trocarem de corpos, anos atrás, mas também de vermos como eles estão depois de tanto tempo. Em Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda vemos que sim Anna (Lohan, em cenas que não parece que o tempo passou) virou realmente a sua mãe com toda preocupação que tem agora com a filha Harper (Julia Butters) que olha só é tão diferente dela, gosta de coisas que ela não gosta e as duas não sabem muito bem se comunicar.
E sim, depois dos eventos do primeiro filme, fica claro que a doutora Tess (Curtis vivendo seu melhor momento) ficou mais tranquila, despreocupada, continua a tomar boas decisões, e agora tem um podcast e está para lançar mais um livro. E agora, ela também é avó e uma avó descolada.
É muito interessante a forma como o roteiro que a criadora da série Dollface, a roteirista Jordan Weiss, nos leva de volta para o mundo dos Coleman, com a apresentação de onde esses personagens estão agora nessa nova dinâmica familiar mãe-filha-e-avô. Claro, Anna é mãe solteira e Tess ainda é casada com o Ryan (Mark Harmon), mas a família como veremos vai expandir e a trama seguir os moldes do primeiro filme com um casamento iminente vindo aí.
E ao fazer isso, Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda dá uma piscadela para o longa original, seja na hora de acordar e bater na porta, seja na hora de deixar os filhos na escola e tudo mais. O roteiro leva o tempo que precisa para fazer com que nos ambientarmos mais uma vez com as dinâmicas, quem é quem, e como estão as personagens principais. E isso é extremamente necessário porque quando era somente mãe e filha que trocavam de corpos era uma coisa, agora temos, mãe-filha-neta-e-enteada. Às vezes as coisas ficam um pouco confusas, e meio malucas demais de acompanhar, mas isso não afeta Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda de ser uma grande comédia que sabe arrancar boas risadas.
Assim, quando a jovem Lily (Sophia Hammons) é introduzida na trama, e descobrimos mais sobre seu ano de intercâmbio em Los Angeles vinda do Reino Unido e seu pai, um chefe promissor, e ainda super jovem chamado Eric Davies (Manny Jacinto), o cenário para a confusão no melhor estilo Sexta-Feira Muito Louca está armado.
Fica claro que o que deu certo no primeiro filme, não foi só o conceito de troca de corpos, ou a jornada que leva as personagens para chegarem no momento de descoberta do que precisam para decifrarem a “maldição” e sim nas dinâmicas e nas relações entre as personagens de Lohan e Curtis. E agora na sequência de Hammons e Butters. E o trabalho não só das atrizes veteranas como das novatas é crucial para a sequência dar certo.
Afinal, é curioso ver que Tess vai para o corpo da futura enteada de Anna, Lily e que a filha de Anna que vai para o corpo da mãe (igual no filme anterior) e isso não dá só oportunidade para o longa espelhar os dramas e conflitos do primeiro filme, como também trazer a trama para uma época mais moderna, dar uma atualizada e conseguir mostrar outros tipos de desafios parentais.
E esses conflitos são explorados muito bem por Nisha Ganatra que trabalhou na série Dollface com Weiss, em The High Note (sobre uma cantora famosa e sua relação com sua assistente) e também no longa Late Night (sobre a relação entre uma toda poderosa apresentadora e uma roteirista). Claro, Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda tem jeitão de filme de streaming sim, mas é bem filmado, tem cenas que realmente fazem a diferença e que aumentam o valor de produção. Seja nas cenas com o carro conversível que Anna e Tess pegam “emprestado” com Jake (sim, Chad Michael Murray está de volta) e saem guiando adoidados pelas ruas de Los Angeles, ou até mesmo pelas cenas em que o Universo pára e os corpos são trocados, principalmente no show que sim temos no final desse filme também.
Ganatra aproveita do timing cômico do elenco principal para fazer as cenas acontecerem. E Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda se beneficia desse humor e de todo o elenco que ajuda a contar a história. É um desfile de bons atores que mesmo que alguns tenham poucas falas ou momentos dão o toque final ideal. Seja Vanessa Bayer como a cartomante Madame Jan, Maitreyi Ramakrishnan como a cantora pop Ella, X Mayo como a diretora Waldman, ou do ator Stephen Tobolowsky que retorna como o professor Bates do primeiro filme.
E o longa até mesmo as participações das hilárias June Diane Raphael (como uma colega de treino de Tess), Sherry Cola (como a narradora de uma partida de tênies) e Chloe Fineman como a instrutora de dança para o casamento de Eric e Anna. E claro, de Elaine Hendrix (que trabalhou com Lohan em Operação Cupido) como a editora de moda de uma revista que a cliente que Anna assessora, Ella, faz um ensaio numa das cenas mais girly do filme.
Na medida que o quarteto de personagens busca olharem para dentro de si e verem como podem se colocar no lugar da outra, Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda navega por essa sequência de doideiras, piadas, e claro, um grande show com a banda Pink Slip e o mega hit Take Me Away, da mesma forma que o longa original fez.
E isso que acaba por fazer a sequência ter um gostinho especial de revisitar o passado na medida que também apresenta a história para uma nova geração. Quando o primeiro primeiro foi lançado, o cenário do entretenimento era outro e fez com que Sexta-Feira Muito Louca além de ter uma boa bilheteria para os padrões da época, teve uma sobrevida no lançamento em VHS e DVD, depois uma redescoberta no streaming onde foi isso que fez com que Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda tenha nascido e esteja pronto para arrombar as portas com um chute e fazer novos fãs. E é assim que o longa chega anos depois para repetir o círculo, para agradar aqueles que passaram horas com as aventuras de Anna e Tess.
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda chega nos cinemas nacionais em 8 de agosto.
Confira nossa entrevista com os dubladores d Cara de Um, Focinho de Outro.
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