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Uma Batalha Após a Outra | Crítica: Sim, é tudo isso!

É curioso notar que Uma Batalha Após a Outra (One Battle After Another, 2025) tenha pulado todos os festivais de cinema tradicionais e a Warner Bros. Pictures (a propósito, num excelente ano) tenha escolhido e programado lançar o novo filme do diretor Paul Thomas Anderson no circuito comercial igual os outros filmes do line-up que o estúdio teve no ano e apenas contou com o boca-a-boca após as primeiras sessões de imprensa americana que colocaram o hype do filme lá em cima.

Mas, sim, Uma Batalha Após a Outra é tudo isso que estão falando por aí. O filme é bom? Uma Batalha Após a Outra é isso tudo de bom. É coisa fina.

Leonardo DiCaprio em cena de Uma Batalha Após a Outra. Photo Courtesy Warner Bros. Pictures – © Warner Bros. Pictures
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E sim, é um verdadeiro filme do PTA e de tudo que faz um longa ter o carimbo “Por Paul Thomas Anderson”. Se você assistiu qualquer um filme do diretor, desde de Boogie Nights – Prazer Sem Limite(1997) até Sangue Negro (2007), passando por Trama Fantasma (2017) e Licorice Pizza (2021) sabe que PTA entrega estudos de personagens fascinantes, inseridos em contextos narrativos bastante convidativos e que contam uma história que desenvolve boa parte desses personagens que o diretor apresenta em suas tramas.

Vagamente baseado no livro Vineland, do autor Thomas Pynchon, PTA cuida também do roteiro, e abusa da duração do longa para ter chance de desenvolver a história, esses personagens e aqui em Uma Batalha Após a Outra não é diferente. E claro, esse combo funciona mais uma vez porque o diretor faz tudo funcionar no seu estilo, onde esse seu novo filme vem marcado também por uma trilha sonora impecável e que combina com o ritmo frenético que o longa tem.

E para 2h45min isso faz total diferença na história. Afinal, Uma Batalha Após a Outra não dá para dizer que temos barrigas narrativas ou momentos que você pensa, “Nossa e essa parte aqui hein? Bem poderia ter sumido na ilha de edição”. Nada. Tudo que é mostrado em Uma Batalha Após a Outra serve para contar essa história da melhor forma possível. Claro, tem muita coisa que é firula narrativa, mas que sim ajuda a nos fazer ficar mais inseridos na narrativa. 

E digo mais, não diria que esses momentos, em que tudo é ampliado para contar essa história, são um capricho do diretor, já que muitas das passagens ajudam a compreender o mundo que PTA apresenta aqui e que bem se parece muito com o que nós vivemos (ou que vamos viver na medida que as coisas vão por desenrolar), só que muito mais inflado e raivoso. As pessoas nesse filme sentem raiva e isso é um tanto alarmista quanto assustador de ver o quão já se parece com a realidade que vimos (basta ver os últimos acontecimentos no Brasil com a PEC da blindagem e nos EUA com tudo que aconteceu com o apresentador Jimmy Kimmel).

Extremamente político, com uma narrativa atual que parece recém saído de uma reportagem em algum jornal que veremos muito em breve, ou algum feed no Twitter, Uma Batalha Após a Outra é a história de um grupo de pessoas que vivem num país onde os nervos estão inflamados e parte da população cansou de “jogar pelas regras”. É como uma das personagens fala, logo no começo do filme, sobre essa luta não ser uma que se faz com hashtags. E Uma Batalha Após a Outra já começa com um grupo tacando fogo numa instalação do governo que administra o controle migratório do México para os EUA. Eles querem salvar os imigrantes e ainda passar uma mensagem para o governo. Eles são os French 75.

Entre a mais vocal, temos a desbocada e pronta para ação Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor,eletrificante, em uma das melhores atuações do ano) e mais calado, calmo, e que lida com explosivos Bob(Leonardo DiCaprio sempre se superando a cada filme) que por mais que tenham personalidades diferentes vem a faísca rolar e tem um relacionamento enquanto a organização que eles trabalham planeja explodir outros prédios do governo por aí.

Enquanto o clima de romance se mescla com o Viva a Revolução! que esse grupo vive, Uma Batalha Após a Outra mostra que sim, esses personagens vão viver uma batalha após a outra enquanto o governo, aqui liderados pelo Coronel Steven J. Lockjaw(Sean Penn também muito bom), fica na cola do grupo e principalmente de Perfidia. A dinâmica entre esses dois personagens não só tem repercussões para a trama, mas Taylor e Penn, conseguem usar esses momentos para definirem seus personagens em passagens para lá de ousadas.

É uma batalha após a outra sim, onde PTA faz os acontecimentos voarem na medida que a história desse casal principal se desenvolve paralelamente com os planos da organização que acabam por serem interceptados pelo governo que encontra e captura um a um. É tudo muito ágil, frenético e exige que o espectador tenha total concentração aqui para não perder nada, por que não existe tempo para parar para colocar as peças no lugar já que a cada nova cena, novas peças chegam, a trama avança, e novas informações chegam.

Regina HallChase Infiniti em cena de Uma Batalha Após a Outra. Photo Courtesy Warner Bros. Pictures – © Warner Bros. Pictures

Principalmente quando temos um avanço no tempo, e a trama muda de cenário e vamos para mais de 16 anos depois dos eventos do começo do filme. A filha de Bob e Perfidia chamada Charlene/Willa (Chase Infiniti) vive com o pai, agora recluso e paranoico e vê sua vida mudar quando recebe a visita de uma mulher misteriosa chamada Deandra(Regina Hall) que sabe os códigos de segurança que lhe foram ensinados e precisa fugir com ela para a garota ter uma chance de sobreviver.

É quase como Uma Batalha Após a Outra fosse um desses contos de fada, só que um da vida real, onde a protagonista descobre que viveu escondida durante anos por que era da realeza/fazia parte de um grupo especial (A Bela Adormecida, Anastasia, Harry Potter e diversos outros), só que aqui vemos que ela é filha de dois revolucionários. Uma Batalha Após a Outra segue então esses personagens ainda a fugirem do governo e do Coronel interpretado por Penn que ainda está na cola deles e tem muita coisa a perder já que ele tenta entrar para um grupo especial de políticos, membros do exército, e tudo mais, formado apenas por pessoas brancas e liderados por um Tony Goldwyn que apenas se parece visualmente demais com o personagem do ator na série Scandal.

No meio das incríveis cenas de perseguições, explosões e tiroteios, Uma Batalha Após a Outra guia o espectador no meio da narrativa, onde pai e filha precisam fugir do governo, ela com a ajuda da personagem de Hall, e ele com a ajuda de um mestre de artes marciais interpretado por um carismático Benicio Del Toro. Separar pai e filha cria mais um sentimento de urgência que o longa tem, onde DiCaprio tem cenas realmente muito boas sozinho como esse personagem chapado e bêbado, enquanto, por exemplo, tenta lembrar os códigos de acesso, recarregar o celular e fugir da polícia com um roupão e um óculos de sol.

E assim, Uma Batalha Após a Outra tem cenas espectaculares de perseguições, seja a pé, ou de carro (temos uma no deserto, na montanha, que tem uns 10 minutos de duração e é uma das melhores coisas que já foram feitas no ano) que garantem deixar o espectador grudado na cadeira. É quase como se fosse entrar numa montanha russa e estar no banco da frente. 

O mix de tudo que faz um bom filme do diretor é elevado a diversas potências na medida que mesmo depois de mais de 2 horas, você quer, desesperadamente, saber o que vai, e como vão acontecer, as coisas com esses personagens, principalmente os protagonistas, já que a trama é tão imprevisível que nunca sabemos o que vai, o que pode, e o que vai acontecer com todos eles.

No final, nós apenas queremos saber, e torcemos o filme todo, para que o personagem de Penn se f*da de verde e amarelo. No meio do caos, Uma Batalha Após a Outrafaz uma experiência cinematográfica maravilhosa de se assistir, num que já é, sem dúvidas, um dos melhores do ano. Até diria um dos melhores dos últimos anos. E definitivamente um que vai se tornar um clássico nos próximos anos e um marco na filmografia de PTA.

Avaliação: 4 de 5.

Uma Batalha Após a Outra chega em 25 de setembro nos cinemas nacionais.

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