Share

The Moment | Crítica: Espera, esse filme é sobre nós, cantoras pop?

Particularmente não estou muito familiarizado com a música de Charli XCX. O que eu sabia era o envolvimento dela no famoso brat summer (que eu passei ileso), a participação na série Muito Esforçado (com a piada “Vou trabalhar no show da Charlie! Puth?) e que a cantora lançaria um filme chamado The Moment (2026) no Festival de Sundance no começo do ano.

E o longa parecia ser um daqueles filmes que passam no festival americano e depois demoram meses para chegar aqui no Brasil, sabe? E que aí, com sorte, teríamos 2 ou 3 sessões em algum festival tipo Mostra de SP ou do Rio, e meio que, com mais sorte ainda, talvez, fosse lançado no circuito de qualquer forma, depois que o hype tivesse passado e não pegaria nem os super fãs da cantora e nem os curiosos de plantão como esse que os escreve.

Mas a surpresa é que The Momentchegou aos cinemas nacionais relativamente cedo e lá fui eu ver assistir na primeira sessão cheio de jovens descolados, com óculos de sol mesmo estando a noite e num lugar fechado, com cropped, e tudo mais. Claramente era um desfile de verde escalafobético que combinavam com o filme que íamos ver.

Foto: © 2025 – A24/Universal Content Group.
Publicidade

E ao começar da sessão, com as luzes vibrantes, a música no talo, eu já estava pronto para detestar, falar mal no twitter, e dar 2 estrelas (sou bonzinho) no Letterboxd. Afinal, The Moment tem um quê de mockumentary (no estilo The Office) e com um humor ame ou odeie no estilo de The White Lotusque bem não é para todo mundo.

Tudo é muito exagerado, gritante, e que tenta desesperadamente ser cool. Mas fica claro que Charli XCXnão é todo mundo e que um filme dela não é também. E volto repetir, não conhecia muito da cantorae sua persona “foda-se essa vadia, eu vou ser eu mesma, a garota baladeira e a última a ir embora para casa.”.

Para mim, logo quando o filme começou eu estava vendo um episódio ruim de I Love LA e a presença de Rachel Sennott não ajudava muito. Mas, de certa forma, ao tirar sarro da indústria que queria colocar Charli em uma caixinha pré moldada, The Momenté brilhante em sua própria maneira.

Afinal, vemos Charli a interpretar a si mesma nos meses seguintes do brat summer e onde ela iria com sua carreira após o sucesso estrondoso que pintou o mundo de verde, o verde brat. E o filme só crescia comigo. Com inúmeras referências a cultura pop atual, programas de TV, noticiários, talk show, podcast, The Moment tem essa cara de documentário, mas um satírico, extremamente exagerado que demora para mostrar para que veio.

Mas tudo faz sentido quando vemos onde o texto (escrito por Aidan Zamiri, Bertie Brandes e a própria Charli XCX), e as atuações querem chegar, e claro, a mensagem que querer tocar. Afinal, quando as peças se juntam, e o barulho das músicas frenéticas que Zamiri imprime na direção, dão espaço para o clique que The Moment faz quando percebemos o que o filme quer dizer (e de certa forma o que a Charlie quer) e faz tudo ser uma experiência não só engraçada, mas bastante ousada da parte da cantora.

Foto: © 2025 – A24/Universal Content Group.

The Moment é a definição do meme de Euphoria: “Espera, essa peça é sobre nós?” Já que o longa, como falei, brinca com diversas situações do dia-a-dia da cantora após fama e o que vem seguir. E não só o que, mas o que as pessoas quererem, e principalmente, o que ela quer.

Seguida de perto pelo empresário Tim (Jamie Demetriou, hilário), o mais Michael Scott possível, e toda uma equipe que quer fazer o brat summer continuar que vai desde de assistentes a produtores de conteúdo (Riso Shah), diretores criativos (Hailey Benton Gates), e empresários de gravadoras (Rosanna Arquette)  e tudo mais, o longa mostra todos eles tentando colocar uma turnê de pé e fazer o trem do hype da Charli continuar. Pintado de verde se possível.

E o longa faz questão de mostrar que todos eles, assim como essa versão de Charli, não sabem muito bem o que fazer e como fazer. Tipo, nem os adultos sabem. Até mesmo a contratação de um diretor super badalado (e meio pirado) e aqui interpretado genialmente por Alexander Skarsgårdpara gravar um filme sobre os bastidores do show da turnê da cantora é de fazer rir ao mesmo tempo que querer afundar na cadeira do cinema.

Mas como falei, The Momentacaba por ser uma paródia, quase como um quadro do SNL, da realidade e isso apenas deixa o filme ainda mais engraçado. E na medida que Charli começa a surtar sobre como manter sua identidade como artista, dar aos fãs aquilo que ela acha que eles quererem e o que é esperado que sua persona faça, o longa embarca em um caos narrativo que envolve publicidades suspeitas, cartões de crédito com as cores brat, posts nas redes sociais que geram cancelamentos, uma Kardashian perdida em um resort de luxo, e ainda milhares de fãs que disputam ingressos para o próxim o show da cantora que parece que nunca vai sair do papel.

No final, The Moment acaba numa nota tão alta, num comentário social tão afiado, tão “não acredito que eles fizeram isso”, tão engraçado pelos motivos errados, que apenas me deixou com a impressão que Charli XCX não é apenas mais uma cantora pop, e sim, uma supernova, uma rajada de ar fresco que há anos não tínhamos na indústria. Talvez, desde que Lady Gaga tenha surgido usando um vestido de carne em um VMA, mas aí é entregar a idade para o público alvo da cantora.

A conclusão que tiro é que Charli XCX é o momento dessa nova geração, e isso fica claro do momento que The Momentacaba e você sai maravilhado e impactado com tudo que viu. Pelo menos eu sai.

Nota:

The Moment está em sessões de pré-estreias pagas na rede Cinemark e entre no circuito em 26 de fevereiro.

Publicidade

Publicidade
Publicidade

Publicidade
error:Vamos com calma no copiar e colar!
Publicidade
Publicidade