Superman | Crítica: Um filme super, cara!

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Superman! Superman! Superman! Em uma cena chave do novo filme do herói da DC, o arqui-inimigo Lex Luthor (interpretado aqui por Nicholas Hoult) comenta sobre essa figura ao dizer que de alguma forma, ele se tornou o ponto focal na conversação mundial. Esse, super, homem! E ele não está errado!

Já que realmente, Superman foi um dos primeiros do selo dos quadrinhos da DC a ganhar um filme e foi imortalizado pelo ator Christopher Reeves lá em 1978. Um dos pilares da empresa, o personagem foi muito utilizado nos anos posteriores, seja na telona, ou na telinha. E de lá para cá, outros atores usaram o manto, alguns mais os óculos de Clark Kent, e o personagem lutou para se manter na conversa na medida que outros heróis da DC ganharam mais popularidade, vide o colega da sombria cidade do lado, Gotham.

E depois de anos com uma versão do Superman que se assemelhava ao sombrio e torturado Batman, Superman (2025) retorna às origens e dá início para a nova safra de um filmes de heróis agora comandada por James Gunn e Peter Safran na Warner Bros. 

Photo by Courtesy of Warner Bros – © Warner Bros.
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E Gunn e companhia acertam em resgatar esse herói, o que o Superman representava, e também trazer o personagem, não só para o século 21, mas, enfim, também de volta aos holofotes das telonas. E respondendo o Luthor de Hoult, Superman volta a ser o centro das atenções por conta de uma mistura de diversos fatores. O primeiro é por conta do roteiro de Gunn que mesmo inflado, cheio de personagens para um primeiro momento, e com uma narrativa que tem ramificações demais para serem trabalhadas em pouco espaço de tempo, fica claro que o diretor/produtor/roteirista e agora chefe da DC entende o personagem, sua essência, e seu legado.

E assim como fez na outra editoria, Gunn sabe bem trazer personagens dos quadrinhos não tão conhecidos do público e os introduzir para live-action de uma forma extremamente empolgante de se assistir e a forma como naturalmente eles se adequam a narrativa e não estão ali por apenas estarem lá. Em Superman, muitos deles, seja o time do Planeta Diário com a presença, finalmente de boas versões de personagens clássicos, como Jimmy Olsen (Skyler Gisondo) e Cat Grant (Mikaela Hoover), onde os dois que parecem ter saído dos quadrinhos e estão muito bem, e até mesmo dos heróis da “Gangue da Justiça” como o Senhor Incrível (Edi Gathegi, um dos destaques), a Mulher-Gavião (Isabela Merced), e também o Lanterna Verde, Guy Gardner (Nathan Fillion, num humor bem James Gunn), ou até mesmo os outros vilões da LexCorp, de uma certa forma que estão ali por serem realmente cruciais para a narrativa um pouco mais complexa e robusta que Gunn apresenta.

Para aqueles que estavam com medo, dá para dizer que Superman é sim um filme sobre o Superman, só que é um filme mais super sabe? Super populado e super cheio de personagens que circulam nesse universo que o herói vive e luta, afinal, o azulão já está voando pelos ares tem 3 anos, e até mesmo Lois Lane (uma excelente Rachel Brosnahan), com quem ele já tem um relacionamento, já sabe a identidade secreta do colega jornalista.

Aliás, a forma como Brosnahan cria essa personagem é muito bacana e realmente lembra a sagacidade da jornalista tão bem retratada nas séries animadas, e na série Lois & Clark (com a excelente Teri Hatcher), mas que particularmente acho que nunca chegou a efetivamente decolar nos cinemas. A Lane de Brosnahan não é só uma parceira amorosa, e sim, figura crucial para o desenrolar da narrativa. E, talvez, seja a melhor representação da Lois, jornalista, que tivemos.  

Assim, estabelecer esse cenário para Superman, dá para Gunn a chance de construir esse novo Universo de uma forma muito interessante de se acompanhar. Claro, o filme também é cercado de acenos, easter-eggs e participações especiais (placas que direcionam para Gotham City, personagens do Universo que já foram apresentados em outros produções, personagens que dão as caras em mensagens fundamentais para o desenrolar da história, e outros que vão ter suas chances de destaque no futuro e muito mais) mas Gunn dá conta do recado com todos eles, mesmo que os coloque numa trama super embolada igual os fios que A Engenheira usa.

Não é ruim, só que tem muitas voltas nessa história e eu ficava esperando quantas mais o roteiro poderia dar? Mas, por outro lado, Gunn acerta na criação desse novo mundo, onde o Superman já está na ativa há uns 3 anos, os conflitos que o herói enfrenta são bem mais complexos e cheio de etapas a serem enfrentadas do que eu esperava para um filme do gênero.

O Superman de David Corenswet é a culminação perfeita do fator primordial desse combo que é tão bem apresentado aqui. Depois de The Politician, Hollywood e Pearl, Corenswet entrega um Superman na faixa dos 30 anos cheio de carisma e que conversa com o tipo de público que Gunn cativou e formou ao longo dos anos na sua Era Marvel. E Corenswet consegue navegar bem no arco do personagem que é apresentado e desenvolvido no filme sobre o Superman ser uma figura mais humana e menos heróica intocável, e principalmente, um ser que não é deste mundo, mas que ao mesmo tempo é sim. Gunn e Corenswet acertam nessa dualidade que o personagem tem aqui e curiosamente 40% dessa narrativa se dá pelo uso em cena da figura de Krypto, o supercão que dá as caras (e o focinho pela primeira vez nas telonas) e é utilizado de uma forma muito engraçada pela narrativa.

É curioso também ver o quão “atual” é a narrativa e que Gunn, de uma forma bastante ousada e que poderia dar muito muito errado, estabelece um paralelo curiosos com que acontece no mundo real em termos de história que envolve países em guerra, as consequências políticas, econômicas, e sociais disso e, claro, a presença do Superman (como figura e entidade) no meio disso tudo. 

E fora todo o comentário sobre fake news e percepção do público sobre como as narrativas são construídas, que são apresentadas no longa de uma forma interessante de ver o desenrolar e que é controlada por baixo dos panos por Luthor e sua extensa folha de pagamento. E acho que aqui que Superman dá uma das suas poucas, e breves escorregadas. Hoult tem momentos (pelo menos duas cenas) que está brilhante como Luthor e que remete e muito a versão do personagem também imortalizada por Gene Hackman, em outras, ele é apenas um cara careca com complexo de Deus que daria um bom vilão de Bond.

Photo by Courtesy of Warner Bros – © Warner Bros.

Superman tem muitos, muitos acertos, mas não é aqui que o filme brilha no seu máximo. Chega hora que os personagens que cercam o vilão, seja A Engenheira (uma carismática María Gabriela de Faría), o cara de bigode do centro de comando de LexCorp e até mesmo a parceira Eve Teschmacher (Sara Sampaio) estão muito melhores e entregam personagens mais robustos tão narrativamente quanto desenvolvidos. 

No meio de enfrentar uma lista de diversos obstáculos, entre o próprio roteiro que coloca o herói para lutar contra meta-humanos gigantes, animais estranhos, também gigantes, uma pedra minúscula que causa também uma dor de cabeça gigante, e fake news, Superman consegue fazer e isso e ainda dá um super show visual com cenas de ação que realmente são empolgantes de se ver. É como estar na primeira fileira de uma montanha russa e ver tudo acontecer (ainda mais se você assistir o filme no IMAX) numa cadeira VIP.

Mesmo com algumas coisas aqui e aqui que poderiam ser melhores trabalhadas e até mesmo enxugadas, onde parece que Gunn quis trazer toda artilharia pesada nesse filme para fazer estabelecer o Universo desse Superman, no final, fica claro o tipo de história que Gunn quis abrir essa nova fase da DC nos cinemas, e escolhe uma extremamente importante para ser contada no momento em que estamos. Se lá em 1978 Supeman fez o público acreditar que um homem poderia voar, em 2025, Superman vai tentar fazer o público acreditar e ter fé na humanidade. Afinal, se o Superman consegue acreditar, por que nós, não? Basta olhar para cima!

Superman chega com sessões de pré-estreia já no dia 8 e chega oficialmente no circuito em 10 de julho

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Miguel Morales

Sempre posso ser visto lá no Twitter, onde falo sobre o que acontece na TV aberta, nas séries, no cinema, e claro outras besteiras.  Segue lá: twitter.com/mpmorales

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