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Se a Rua Beale Falasse | Crítica

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Se a Rua Beale Falasse… certamente elogiaria a habilidade do diretor e roteirista Barry Jenkins em criar personagens humanos, complexos e cheio de pequenos conflitos internos. Assim, Jenkins, acerta ao escolher atores certos que o ajudam a transportar tudo isso para telona.

Se a Rua Beale Falasse... diria que mesmo com uma estrutura narrativa, onde fica claro a forte presença de uma obra literária como texto base, para a criação do seu roteiro, esse filme consegue ainda assim, ter um ritmo quase único (mesmo que um pouco lento!) para nos entregar momentos chaves que ficam presos à mercê de alguns monólogos de seus personagens que se arrastam pela trama em várias partes.

Se a Rua Beale Falasse… diria que não precisamos de grandes nomes em Hollywood em um filme para termos a garantia boas atuações, mas ao ter numa produção a talentosa e sagaz Regina King a sua disposição, deve se optar em tirar proveito das habilidades de sua atriz mais conhecida pelo grande público.

Se A Rua Beale Falasse – Crítica | Foto: Sony Pictures
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Adaptado do romance de James Baldwin, Se a Rua Beale Falasse (If Beale Street Could Talk, 2018) conta uma história tocante e emotiva sobre um casal que vive no bairro do Harlem que é marcada, ao mesmo tempo, pela tragédia e pelo milagre. É como nossa protagonista, a doce e inocente Tish (KiKi Layne) diz “Espero que ninguém possa olhar seu ente querido através de um vidro” e essa frase em si diz muito sobre o tom quase poético, sonhador e até mesmo fantasioso do longa.

Aliado com uma fotografia quente e vibrante, Se A Rua Beale Falasse, usa sua paleta para dar destaque ao casal principal, e faz com que as cores chamativas utilizadas em suas vestimentas, se contrastam no meio de uma cidade escura, cinza e feia. Assim, Tish e Fonny (Stephan James, num ótimo ano!) parecem viver em sua própria bolha amorosa, onde acompanhamos o casal andar pelo parque à noite, fazer compras juntos, ou escolherem um restaurante para comerem. O roteiro faz questão de mostrar o quanto Tish e Fonny significam um para o outro, e quando juntos, nada mais importa.

A bolha estoura quando Fonny vai preso, por um crime que ele diz não ter cometido. Então, ao se ver grávida do amado, Tish, também precisa compartilhar a informação com sua família e a do namorado. O mundo perfeito laranja berrante e rosa choque acabou. Se a Rua Beale Falasse, usa planos fechados no rosto dos personagens, quase o tempo todo, como se focasse neles no momento que estão pegando fôlego para dizer algo, onde a tensão abraça o filme nos momentos importantes, onde frases difíceis serão ditas.

Se A Rua Beale Falasse – Crítica | Foto: Sony Pictures

Se a Rua Beale Falasse faz um filme íntimo, que tenta aproximar ao máximo o espectador da realidade vivida de seus personagens, seus problemas e conflitos. O roteiro usa seus personagens coadjuvantes como a irmã desbocada Ernestine (Teyonah Parris), o melhor amigo de Fonny, o trambiqueiro Daniel (Brian Tyree Henry) e o garçom em um restaurante (Diego Luna) frequentado pelo casal e para mostrar um pouco da vida do dois, fora da chamada bolha, onde coisas ruins acontecem e são escondidas aos olhos do público.

Jenkins, cria um ambiente, novamente, marcado por mães com gênios fortes e atitude. Sharon (King) faz de tudo para ajudar a filha a achar provas para inocentar o genro, mesmo que isso prolongue a já densa trama. Mas, King, assim faz, sem dúvidas, uma das cenas mais poderosas do longa, aquela na frente do espelho, onde Se a Rua Beale Falasse, atinge um ápice dramático e devastador, realmente de partir o coração.

Assim, Se a Rua Beale Falasse… diria que Jenkins pode ser considerado um dos mais talentosos diretores e roteiristas hoje em Hollywood. Aqui, nesse seu novo filme, entrega uma produção triste e vibrante ao mesmo tempo, com pequenos momentos apaixonantes, que se desenrolam como um carro numa rua cheia parada pelo trânsito, devagar e sem muita pressa.

Nota:

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Se a Rua Beale Falasse chega nos cinemas em 7 de fevereiro.

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Miguel Morales

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