Em um dos episódios lá no final da primeira temporada de Scarpetta: Médica Legista, a personagem de Nicole Kidman, a médica legista Dra Kay Scarpetta, fala para um outro personagem que eles tinham que focar a investigação deles naquilo que realmente deveria ter sido o foco desde do começo: o caso das duas mulheres que foram atacadas.
E foi nesse momento, que eu soube, que era isso que estava me incomodando em Scarpetta: Médica Legista desde do começo e eu não sabia como verbalizar isso antes de terminar o primeiro ano da atração. E a fala de Kidman caiu como um raio, onde tudo fez sentido, afinal, é exatamente isso que eu sinto que é o maior problema do primeiro ano de Scarpetta: Médica Legista: o elenco cheio de nomes conhecidos sofre e está preso em um mistério tão grande, tão cheio de ramificações que acaba por ser mais complexo do que deveria e que a trama acaba por dar muitas voltas.
Scarpetta: Médica Legista tenta ser mais do que precisava, quer unir duas temporadas em uma, e atira para todos os lados em extender sua narrativa para apresentar esses personagens e correr para fazer o paralelo da investigação que a Dra. Scarpetta e o ex-detetive Pete Marino (Bobby Cannavale) fazem desses dois casos e que se conecta com um outro, e antigo, caso que a dupla e o agente do FBI Benton Wesley (Simon Baker no presente e Hunter Parrish no passado) investigou, prendeu um serial killer e que fez a carreira de todos eles anos atrás.
São tantos nomes, suspeitos, pistas que é de deixar qualquer cansado assistindo. É quase como se a série exigisse uma lição de casa para você se divertir. Scarpetta: Médica Legista navega entre presente (o corpo de uma mulher é encontrado, com ela amarrada e com marcas pelo corpo) e passado (uma mulher é encontrada, amarrada e com marcas pelo corpo) para mostrar a dinâmica da investigação desses personagens em início de carreira e como eles estão hoje em dia enquanto investigam um novo caso e um possível novo serial killer. A conexão? Uma evidência encontrada une o caso de agora com o caso do passado, 28 anos depois.
E foi difícil entender o que estava me incomodando com a atração. Afinal, a lista de elenco é de fazer inveja a qualquer produção. Temos três vencedoras do Oscar em papéis principais. A trama de “true crime” é convidativa e ambientação mais sombria, o ar mais gore, e o trabalho de direção de David Gordon Green em alguns episódios, e que trabalhou com a Blumhouse nos filmes de Halloween, ajudam a dar para Scarpetta: Médica Legista essa qualidade visual quase de cinema que os episódios tem.
Mas o que peca aqui, e o que me irritava desde do começo, era que a narrativa que tenta ser mais do que precisava ser. Se você assistiu qualquer produção de serial killer e investigação mais recente, seja Mare of East Town, Black Bird, ou até mesmo True Detective, Task e Cross sabe como esse tipo de atração vai funcionar.
E aqui, por mais que o mistério, diga-se de passagem das duas linhas do tempo, sejam interessantes e convidativos, os caminhos paralelos que o seriado dá para contar mais sobre a vida desses personagens, e até mesmo, se aprofundar na história de cada um deles, com alguns dos episódios deixando o foco muito específico em um dos personagens, deixa a história muito cansativa, ainda mais se você assiste em formato de maratona que foi como o Prime Video decidiu lançar a atração.
É como se Scarpetta: Médica Legista quisesse ser um filme, mas tem mais trama para apresentar e virou uma série. Afinal, com a identidade do serial killer sendo o “endgame” da atração (e que só é revelada nos últimos 10 minutos do episódio final), Scarpetta: Médica Legista, como falei, realmente, atira para todos os lados e faz boa parte dos personagens serem suspeitos em potencial.
Do agente do FBI interpretado por Baker que é marido da personagem de Kidman, para o próprio ex-detetive de Cannavale que é casado com a irmã da protagonista, a falante e expansiva autora de livros infantis Dorothy, uma irritante Jamie Lee Curtis fazendo aqui o mesmo papel que faz em O Urso, pela sobrinha Lucy (Ariana DeBose), uma super dotada ex-agente do FBI que vive de luto por conta da morte da esposa Janet (Janet Montgomery) e vive por conversar com a mesma através de um computador e uma versão da falecida feita por inteligência artificial.
E até mesmo outros personagens que a série apresenta (seja nas versões do passado e as do presente), como a agente do FBI Patron (Anna Diop), uma repórter intrometida (Sosie Bacon), ou até mesmo a secretaria interpretada por Stephanie Faracy ou um dos personagens que tem a maior cara de ser um grande suspeito, e aqui, interpretado por Anson Mount. Todo mundo é suspeito e a série trata todos como suspeitos mesmo.
Enquanto vemos Scarpetta do passado (Rosy McEwen que acerta bem nos trejeitos de Kidman), lá nos anos 90, tentar garantir que consiga fazer seu trabalho por ser a primeira legista mulher a assumir chefia do departamento junto com o Marino do passado (Jake Cannavale, filho do ator Bobby Cannavale), vemos também a dupla, anos mais tarde, nessa nova investigação, onde a atração consegue fazer paralelos interessantes sobre os dois casos e os dois momentos que todos esses personagens vivem.
Algumas escalações do passado funcionam, já outras, não. Falta para Parish o mesmo ar de mistério que Baker entrega para o detetive Wesley, principalmente quando descobrimos mais sobre seu passado e que a versão jovem não reflete isso como a versão no presente. E também no caso da versão no passado de Dorothy (Amanda Righetti) que não tem nada com Lee Curtis.
E como diz a personagem de Curtis sobre um dos maridos e as pequenas coisas que você releva no começo de relacionamento e depois elas começam a te irritar, também foi a mesma coisa que sinti ao ter terminado de ver os episódios de Scarpetta: Médica Legista.
O que parecia ser divertido, que dava um charme diferente para a série no começo, e que era uma coisa interessante e que fazia Scarpetta: Médica Legista ser diferente, lá para o quinto, sexto episódio eu já estava de saco cheio. Seja o ar excêntrico de Dorothy, o arco narrativo que envolvia a esposa morta que voltava como IA, a narrativa sempre apontando um novo suspeito, ou alguma nova informação que parecia fazer tudo mudar e no final nada muito mudava.
E enquanto os episódios vão desenrolando, com mais coisas são apresentadas, e novas informações do passado, do futuro, vão sendo chocadas, eu só queria que o seriado fosse um pouco mais direto em sua narrativa. Talvez, no formato de livro, as coisas fizessem mais sentido em serem contadas e apresentadas, mas aqui em outra mídia parece que tudo emScarpetta: Médica Legista era um grande vem aí.
Afinal, as coisas começam a ganhar outro ritmo apenas no finalzinho da temporada, nos 2 últimos episódios, onde alguém percebeu que, talvez, eles precisariam resolver tudo logo e terminar a temporada. Mas para isso chegar, temos um grande miolo ali no meio que é tão cansativo que apresenta tanta coisa, personagens, pistas que não levam a lugar nenhum que apenas soa uma grande perca de tempo.
No final, por mais bacana e com um grande gancho que Scarpetta: Médica Legista deixa para uma futura temporada, fica claro que a grande missão para uma nova leva de episódios, talvez, seja simplificar a narrativa e não ficar expandindo muito para caminhos somente para encher linguiça e tudo mais.
Todos os episódios de Scarpetta: Médica Legista estão disponíveis no Prime Video.
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