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Quarteto Fantástico: Primeiros Passos | Crítica: Mais história, menos Tá na hora do pau!

A importância do Quarteto Fantástico, como equipe, vem lá dos quadrinhos, onde o grupo de personagens que usam uniformes azuis e um grande 4 no peito, foi um dos primeiros a serem introduzidos nas histórias do selo da Marvel Comics. Conhecidos como a Primeira Família, o time formado por Reed, Sue, Johnny e Ben, astronautas que ganharam super-poderes depois de serem atingidos um raios cósmicos, saltava por aí em diversas aventuras que ajudaram a popularizar o selo ao longo dos anos e foram responsáveis para abrirem as portas para personagens hoje muito mais populares como Homem de Ferro, Capitão América, Doutor Estranho e etc.

Photo courtesy of Marvel Studios. © 2025 20th Century Studios / © and ™ 2025 MARVEL
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Nos cinemas, o grupo não teve tanto sucesso. Até agora. Com três encarnações, sendo a mais desastrosa a de 2015, o “novo”/ “velho” Quarteto Fantástico enfim chega ao MCU como um acerto fantástico depois de uma pandemia, o advento da popularização do streaming, e, claro, uma fusão bilionária corporativa. A diferença aqui é que esse Quarteto Fantástico, o de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (The Fantastic 4: First Steps, 2025), é o Quarteto Fantástico do MCU liderado por Kevin Feige, o mega produtor que sabe a importância e o destaque que o time teve nos quadrinhos e precisa agora ter também nos cinemas.

Já que ao serem transportados mais uma vez para a telona, o grupo é peça fundamental para a Marvel Studios iniciar a nova fase da franquia mais lucrativa e longínqua que Hollywood já teve. E É esse Quarteto Fantástico de Feige que faz o Quarteto Fantástico definitivo e que aqui é uma nova adição aos inúmeros brinquedos que o produtor tem jogado nas mãos do público, sendo que alguns fizeram mais sucesso e outros não, depois da Saga do Infinito.

Afinal, Feige e o diretor Matt Shakman (vindo depois da maravilhosa série WandaVision) entendem os personagens e conseguem trazer uma visão fresca e modernizada para esse grupo, mesmo que Quarteto Fantástico se passe todo em uma outra Terra, em um passado retrô futurista. O olhar aguçado de Feige, e o talento de Shakman para criar e trabalhar nesses cenários impressionantes que o filme tem, são fundamentais para fazer com que Quarteto Fantástico consiga não só entregar um bom filme, mas também, um que acerte em reintroduzir esses personagens para o público.

E da forma mais legal, seja de figurinos, seja de cabelos, ou ambientação, possível e agora sob as lentes do MCU. Ver o Quarteto Fantástico, é tipo ler um quadrinho ao vivo na sua frente, em um filme que os visuais saltam em tela na medida que os personagens interagem, as dinâmicas são apresentadas, e que em termos de produção tudo é acertado em uma recriação de mundo absolutamente perfeita.

Quarteto Fantástico já assume que os espectadores conhecem esses personagens, assim como foi a nova reintrodução do Homem-Aranha de Tom Holland, do Batman de Robert Pattinson, e até mesmo agora, semanas atrás com o novo Superman. Mas isso, não impede que Shakman não consiga brincar com o universo que introduz aqui, junto com esses personagens, que querendo ou não estão sendo introduzidos mais uma vez para o grande público depois de um filme não lançado em 1994, um em 2005, depois uma sequência em 2007, e depois o retorno em 2015.

Pelo contrário, tudo é muito bem-vindo, desde as comparações do grupo com os Beatles, da corrida espacial americana, para o universo que os personagens são colocados, e as locações que o filme tem, seja da Fundação do Futuro ou o edifício Baxter. E é curioso como fica claro que o time de roteiristas de Quarteto Fantástico formado por Josh Friedman(que trabalhou nos roteiros da série de ficção científica Fundação), Eric Pearson(que passou pela Marvel com filmes como Thor: Ragnarok, Viúva Negrae Thunderbolts*) e ainda a dupla Jeff Kaplane Ian Springer(de The Last of the Great Romantic) consegue priorizar a narrativa em vez de apenas popular a história entre cenas de ação tradicional do MCU.

Quarteto Fantástico não só faz um dos filmes mais estilosos e bonitos do MCU (e do ano), mas também um que consegue contar uma boa história e que foge de apenas termos esse grupo lutando contra uma ameaça, onde a cada 15 minutos temos explosões, brigas e Hulks vermelhos, ops. Não é que Quarteto Fantástico não dê para o fã tradicional da Marvel isso, mas faz em pequenas doses, ao mesmo tempo que faz um filme com uma temática um pouco mais séria, mais puxada para ficção científica, e que se desenvolve com largas consequências para esses personagens, e como devemos ver, já no próximo Vingadores, para o MCU.

Mais história, menos Tá na hora do pau! Quarteto Fantásticose aproxima de filmes do MCU como Doutor Estranho (2016) e Pantera Negra (2018), onde a narrativa é primordial para o desenrolar do longa, balancear os conflitos que envolvem o jovem Franklin (filho de Sue e Reed que nasce no longa) e as cenas de ação acabam por serem o plus. E elas são muito boas quando existem, principalmente quando os poderes do grupo é utilizado. Seja no espaço, seja na Nova York retrô que o filme se passa, ou até mesmo no cotidiano dessa família.

E por isso, é muito interessante ver a escolha dos atores para esses novos personagens e por que eles juntos, e separados, formam uma boa nova equipe e entregam novos personagens. Se a criação do mundo é 20% de Quarteto Fantástico, os outros 80% são divididos entre os protagonistas, onde todo mundo tem o espaço para se destacar, mesmo que alguns mais, outros menos. Até mesmo o robô H.E.R.B.I.E. se mostra bastante presente.

Mas sim, Sue Storm(uma extremamente competente Vanessa Kirby) acaba por ser o grande destaque, mais pelo fato da trama estar intrinsecamente conectada com os temas de família e maternidade do que por qualquer tipo de agenda que os haters de plantão possam apontar e latir online. Kirby entrega momentos dramáticos bastante interessantes e faz uma nova adição para boas personagens femininas da Marvel, depois de anos de negligência, ao lado de Wanda, Rainha Ramonda, Yelena e Agatha Harkness.

E com Sue sendo o ponto focal, os outros personagens conseguem estar conectados com a personagem de formas que ajudam a contar essa trama. É Sue, e o trabalho de Kirby, que dão a chance para Pedro Pascalconseguir entregar um bom Reed Richards num ano em que parece que o queridinho da internet está em todas. (E ele está!). Acho que muito da complexidade que o personagem tem nos quadrinhos e a dualidade dele em, às vezes, ser o vilão da sua própria história, vem das interações de Pascal e Kirby, e não só unicamente de Pascal, que entrega um Reed mais opaco e mais contido. Não que seja uma atuação ruim, apenas que um Reed mais diluído, onde, espero que, talvez, para as próximas interações do personagem, e com outros diretores, isso mude.

. Photo courtesy of 20th Century Studios/Marvel Studios. © 2025 20th Century Studios / © and ™ 2025 MARVEL.

Johnny Stormde Joseph Quinn é um grande achado e o personagem funciona como um alívio cômico, onde rimos com ele e não dele. O mesmo vale para o rochoso Ben, O Coisa, num trabalho de voz incrível de Ebon Moss-Bachrach, onde os dois tem bons momentos e funcionam sempre que estão em cena. Falando em vozes, os vilões do filme, o Devorador de Mundos Galactus(Ralph Ineson) e Surfista Prateada (Julia Garner,ótima) entregam não só bons personagens, como também excelentes trabalhos de vozes, de captura de movimentos e de efeitos visuais da dupla. Principalmente de Garner que é ao mesmo tempo ameaçadora, mas também extremamente convincente como a figura metalizada, com sua prancha, cabelo lambido e ar imponente. A personagem entrega boas passagens e uma atriz do calibre de Garner foi fundamental para isso, seja quando anuncia que a Terra que vive o Quarteto está condenada, em luta contra os heróis, ou ainda quando flashbacks contam as motivações da personagem.

Narrativamente, mesmo com um barriguinha narrativa ali no meio, mas que totalmente feita para criar momentum para o arco final, Quarteto Fantástico brinca com diversas possibilidades de como a história, e o destino desses personagens, pode se desdobrar na trama, ainda mais se você acha que sabe o final, depois de ter visto Thunderbolts*. Apenas digo isso, se preparem. Por exemplo, durante uma cena lá para os momentos finais e que levou uns bons minutos, a quantidade de caminhos que eu pensei que a trama iria ir foi gigante. Mas como falei, Quarteto Fantástico quis focar em contar uma boa história aqui nesse filme mesmo e trabalhar em como apresentar esses personagens mais uma vez, só que agora para a geração Marvel Studios.

O Quarteto Fantástico voltará para Vingadores: Doomsday, mas por enquanto Quarteto Fantástico faz uma boa história, uma com começo, meio e fim, e diferente do que andamos vendo no ano no MCU, e que principalmente serve para ambientar o público com esse novo time. No final, o que temos é um gostinho de quero mais de querer ver esse time e ver como eles vão ter que competir no MCU depois de termos os Novos Vingadores e de quem sobrou dos Vingadores liderados por Sam Wilson.

Avaliação: 3.5 de 5.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos chega em 23 de julho nos cinemas nacionais.

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